DINO E ROSEANA: A INVERSÃO DA FÊNIX

A figura mitológica da fênix nos leva para os rumos da imortalidade, em quaisquer de suas versões. Essa lenda saiu do Egito, foi para a Grécia e depois para o mundo. Dizem que a história se repete como comédia ou tragédia, e eu digo que as lendas também. Por isso deixo, para você, leitor, essa conclusão.

Há dois anos terminava o governo da senhora Roseana Sarney e ungido estava, pelo povo do Maranhão, eu incluso, o senhor Flávio Dino. O discurso oficial e oficioso era do extermínio definitivo do sarneisismo e outras coisas piores. Dona Roseana, em tão maus lençóis, exilou-se na Flórida e com justa razão: seria vaiada até em velório ou culto de Santa Ceia.

Todos, então, esperávamos a revolução administrativa, política e de costumes, oriunda da foice e do martelo. Algumas revoluções apareceram e uma das mais marcantes foi a que determinou a cor vermelha para as unidades de saúde do estado, ainda que o atendimento tenha, de fato, piorado. Não evoluiu na saúde, mas a vermelhidão hospitalar foi uma revolução, admita-se.

O sarneisismo, nos primeiros dias, fingia-se de morto, excetuando a deputada Andrea Murad, que fiel ao estilo paterno, posicionou-se argumentativamente contra o governo comunista. A orientação, do chefe-mor, José Sarney, creio, foi de se esperar para ver no que vai dar. Esperaram pouco.

Assistiu-se muita repetição do passado e pouca inovação do futuro e quem fazia-se de morto começou ter a audácia de apresentar-se vivo. A banda do eu sozinho da senhora Andrea Murad passou a ter novo quorum e o time dos insatisfeitos (mortos de medo), cresce nos bastidores e, como os conhecemos, esperam uma oportunidade de vingança.

Entrementes, o governo Dino, nesses mais de dois anos, só teve um inimigo declarado: Ricardo Murad. É muito pouco. É muito poder contra uma pessoa que não tem mandato e nem uma prefeitura, sequer, para lhe dar sustentação política. Nessa guerra particular, contra o senhor Ricardo Murad, parece até que o Ricardo Murad era o governador do Maranhão. Pelo sim e pelo não, a senhora Roseana Sarney é preservada, ao máximo, pelo governo e mídia dinista. Por quê?

Não me interessa responder agora. Mas o efeito político dessa postura governamental rendeu resultados. A antes exilada e escorraçada Roseana, hoje se apresenta eleitoralmente lépida e fagueira. Na campanha municipal subiu em palanques e foi ovacionada. Quando se apresenta em público, a senhora Roseana dá autógrafos e é rainha das selfs.

A internet mostra o fato com vídeos, slogans e músicas em um tal movimento de “volta Roseana”. Como a Lava Jato dificilmente albergará a ex-governadora, ela, nesse momento, é um fato político relevante, talvez sua única preocupação responda pelo nome da juiza Oriana.

Ainda não creio na viabilidade majoritária da senhora Roseana Sarney, mas ela está tão à vontade, que pode escolher ser deputada federal com certeza com uma votação tão exuberante, que ressuscitaria e levaria muitos outros seus companheiros, no seu alforje.

Na última semana fez até ameaças: se me cutucarem serei candidata a governadora. Blefe ou não, demonstra estar muito à vontade. E caso opte, realmente, por uma candidatura ao governo, com a presença de mais dois outros postulantes, estaria consolidado o segundo turno.

O chefe-mor, José Sarney, cutuca o governador Dino dominicalmente. Não tem sono e nem estafa, em frente ao seu telescópio político. A situação nacional não é boa para Dino e nem para as esquerdas, de modo geral. Muitos falam do equívoco do apoio político para Dylma, no passado, e a provável perda do PSDB maranhense nesse pleito.

O melhor mundo para Dino é a falta de adversários, ainda. O pior, o relativo desgastes popular, que as pesquisas de encomenda teimam em negar e a possibilidade de se formatar uma real oposição. A insatisfação, à boca pequena, de dezenas de políticos da base governista estimula os sonhos e as traições, alhures. Muitas já estão gestadas e basta um pré-natal bem feito para nascerem. O velho Sarney é doutor nesse tipo de pré-natal.

O governador Dino está perdido? Reitero: não. Tem muita gordura política e seguramente é o pole position no certame. Mas poderia estar muito melhor e, ninguém duvide, a ressurreição política da senhora Roseana é um problema e ainda pode lhe criar outros problemas. Basta que ela mate a teimosia e passe a ouvir quem entende do riscado, ou seja, seu pai.

Com ele, qualquer distração é perigosa.

BLOGS E BLOGUEIROS (Repostagem, após correções)

BLOGS E BLOGUEIROS

Indiscutível que temos a democratização da notícia em nossos dias. Ainda iniciei a minha vida de jornalista com uma máquina Remington. Era um desastre quando encontrávamos um erro qualquer, no início da página, e descobríamos somente ao concluí-la. Às vezes o corretivo salvava. Depois aconteceu uma revolução. Eu trabalhava no SIOGE (regente do coral) e vi a primeira Composer (acho que se escrevia assim). Era a chance inimaginável de se corrigir o texto de maneira automática. Uma revolução.

Mas o império da comunicação escrita era o jornal. Tive a minha primeira oportunidade no antigo Jornal de Hoje, dirigido pelo amigo Américo Azevedo Neto. Escrevi algumas coisas em O Imparcial, mas devo muito ao Atos e Fatos, do meu saudoso amigo Udes Cruz, que me proporcionou a possibilidade de ser, de fato, um colunista político. Terminei no Jornal Pequeno, onde consolidei-me com a coluna Janela Livre, que volta, agora, como Blog e como programa de rádio, na Rádio Capital AM, 1180, aos domingos, das 8 às 9 horas.

Também o mundo sofre revoluções de meios, métodos e costumes a cada instante e, no reino das comunicações, multiplicaram-se as possibilidades, dentre elas essa coisa chamada BLOG. Criaram-se neologismos: blogueiros e blogosfera. No passado recente, um blogueiro necessitava ser ancorado em um jornal. Agora, conheço jornais apoiados no prestígio de seus blogueiros. Criaram-se novos costumes, a tal ponto que, muitas vezes, as pessoas que não mais procuram ler jornais, porém simplesmente surfam na net, através dos blogs.

Por outro lado, não há a necessidade de se ser jornalista para ter um blog e isso, muitas vezes fere os orgulhos e vaidades tolas. Eu mesmo me pergunto, tantas vezes, vendo determinados blogs, seu conteúdo e seus acessos, o porquê? A dúvida vem da minha mente tradicional, com certeza. Tenho que entender que há uma mundo de desejos diversos do meu, com entendimento diferente e que se satisfazem com outros conteúdos. O mundo do blog, a tal blogosfera é, de fato, um mundo novo, relevante e que ainda não aprendemos a lidar com ele. Mas é tão interessante que estou me acostumando com esse novo epíteto: sou blogueiro.

Essa introdução, a faço, por estar incomodado com os encaminhamentos de uma operação da Polícia Federal, denominada de Operação Turing, que levou a prisão alguns blogueiros, dentre eles o jornalista Luis Cardoso.

O jornalista Luis Cardoso, antes de outras delongas, é um dileto amigo que ganhei há muitos anos, juntamente com outros dois que já se foram: Udes Cruz e Raimundo Nonato Assub. São dezenas de anos e nesses anos pude conhecer a capacidade jornalística, a verve de obter a notícia, a coragem, tantas vezes, quase irresponsável, em dá-la. Foi assessor, líder de classe, fundador e proprietário de jornal e encontrou-se no blog, com um sucesso retumbante que incomodou poderosos e muitos da própria imprensa. Esse incômodo tem nome e sobrenome: cobiça e inveja.

Acompanhei, principalmente pelas rádios, os comentários doutros sobre o episódio. Foi interessante, principalmente no quesito falta de solidariedade. Em alguns casos foi vergonhoso. Em uma determinada emissora, o âncora estava inconformado. Dizia: como pode ser uma prisão de um só dia, ele tinha que passar preso, pelo menos cinco dias; a Polícia Federal tem que explicar porque ele não ficou preso, etc. Era o efeito milhões de acessos no blog do Cardoso. O cara não se conformava.

Não tenho, diga-se de passagem, o intuito de canonizar o Luis Cardoso. Nunca. Mas incomodar-me com questões mais relevantes. A primeira é compreender se o episódio é uma questão criminal, ou conveniência de alguém incomodado com suas abordagens jornalísticas?

Está posto que dentro da Polícia Federal estava um informante. A PF ter um informante é um problema único da PF, de mais ninguém. O jornalista não tem nenhum dever de guardar notícia e divulgá-la é da essência de sua função e profissão. É mais ou menos como o bisturi na mão do cirurgião e, se ele não usá-lo, nunca será cirurgião. Quanto a divulgar a fonte, jamais.

A nebulosidade da operação vai mais além. O tal informante da PF era uma alta autoridade do governo Dino, portanto de absoluta confiança do governador. De repente a indicação do sujeito ficou sem paternidade, ou jogaram para A, B ou C. Tudo onda. O governador não pode ser responsabilizado pelos atos do subordinado, mas jamais se inocentar da sua indicação. A tentativa de obscurecer essa evidência não ajuda ao governo e fa-lo-á mais sujeito a dúvidas.

Outra evidência é mais grave. O pedido chega para a justiça no dia 8 de março, o tal Danilo é demitido no dia 9, o juiz assina a decisão de prendê-lo no dia 13 e as prisões se efetivaram no dia 19. O pior é a justificativa: o X9 saiu de “maneira voluntária, portanto a pedido dele, por motivos particulares”. Só está correto os “particulares” se estiverem relacionados com o vazamento de coisas dos outros O Palácio dos Leões pode jurar, rezar terço ou plantar encomendas em encruzilhadas, se dizendo inocente a tudo isso, mas ninguém, ninguém mesmo, tem obrigação em acreditar no Palácio dos Leões. No dizer do finado Renato Sousa, me compre um bode!!!

No meio desse anedotário, que dará um bom folhetim, tem a história de que os “extorquistas” obtiveram automóveis luxuosos do seu Matheus. Dá para se pensar. O seu Matheus é maior de idade, vacinado contra rubéola, sabe dirigir bicicleta, casou, tem filhos e, vitima dda extorsão, se cala. Uma polícia séria investigaria primeiro o seu Matheus e não o blogueiro. Uma polícia que respeite a inteligência dos outros e a sua própria reputação, antes de passar pelo Cardoso, teria que fazer uma abordagem em Matheus. Por que não o fez? Com a palavra o delegado.

Posto como está, subtende-se que o pobre senhor Matheus é um hiposuficiente na vida civil que, achacado por tantos bandidos, não soube se defender e precisou que a briosa Polícia Federal o fizesse, sem nenhuma provocação.

Agora sobra em mim uma indignação. A polícia Federal que tão bem soube defender seu Matheus precisa olhar alhures e algures. Vou dar uma pequena lista de maranhenses sofredores que precisam da defesa da nossa gloriosa PF: João das Quantas, Maria do Preceptório Roxo, Joaquim do Queixo Caído, Rabinália Prequeta e seu Pedro do Rabo Mole. Como seu Matheus, esse liso que todos conhecemos, merece a proteção estatal, esses milionários por mim elencados, também merecem.

Voltando à seriedade. Esse episódio, absolutamente mau contado, tem cheiro de uma tentativa espúria de amedrontar a imprensa e obturar a crítica. Sonho que as minhas preocupações se demonstrem falsas, pois quedaria em definitivo o respeito para com a democracia, a ideia de que governo (governo Dino) que se ufana de democrático, seja, realmente, democrático. Pelo sim e pelo não, o esclarecimento real, sem peias e arreios fará bem a todos nós e, ao governo, muito mais.

BLOGS E BLOGUEIROS

 

Indiscutível que temos a democratização da notícia em nossos dias. Ainda iniciei a minha vida de jornalista com uma máquina Remington. Era um desastre quando encontrávamos um erro qualquer, no início da página, e descobríamos somente ao concluí-la. Às vezes o corretivo salvava. Depoi aconteceu uma revolução. Eu trabalhava no SIOGE (regente do coral) e vi a primeira Composer (acho que se escrevia assim). Era a chance inimaginável de se corrigir o texto de maneira automática. Uma revolução.

Mas o império da comunicação escrita era o jornal. Tive a minha primeira oportunidade no antigo Jornal de Hoje, dirigido pelo amigo Américo Azevedo Neto. Escrevi algumas coisas em O Imparcial, mas devo muito ao Atos e Fatos, do meu saudoso amigo Udes Cruz, que me proporcionou a possibilidade de ser, de fato, um colunista político. Terminei no Jornal Pequeno, onde consolidei-me com a coluna Janela Livre, que volta, agora, como Blog e como programa de rádio, na Rádio Capital AM, 1180, aos domingos, das 8 às 9 horas.

Também o mundo sofre revoluções de meios, métodos e costumes a cada instante e, no reino das comunicações, multiplicaram-se as possibilidades, dentre elas essa coisa chamada BLOG. Criou-se neologismos: blogueiros e blogosfera. No passado recente, um blogueiro necessitava ser ancorado em um jornal. Agora, conheço jornais apoiados no prestígio de seus blogueiros. Criou-se novos costumes, a tal ponto que, muitas vezes, as pessoas que não mais procuram ler jornais, porém simplesmente surfam na net, através dos blogs.

Por outro lado, não há a necessidade de se ser jornalista para ter um blog e isso, muitas vezes fere os orgulhos e vaidades tolas. Eu mesmo me pergunto, tantas vezes, vendo determinados blogs, seu conteúdo e seus acessos, o porquê? A dúvida vem da minha mente tradicional, com certeza. Tenho que entender que há uma mundo de desejos diversos do meu, com entendimento diferente e que se satisfazem com outros conteúdos. O mundo do blog, a tal blogosfera é, de fato, um mundo novo, relevante e que ainda não aprendemos a lidar com ele. Mas é tão interessante que estou me acostumando com esse novo epíteto: sou blogueiro.

Essa introdução, a faço, por estar incomodado com os encaminhamentos de uma operação da Polícia Federal, denominada de Operação Turing, que levou a prisão alguns blogueiros, dentre eles o jornalista Luis Cardoso.

O jornalista Luis Cardoso, antes de outras delongas, é um dileto amigo que ganhei há muitos anos, juntamente com outros dois que já se foram: Udes Cruz e Raimundo Nonato Assub. São dezenas de anos e nesses anos pude conhecer a capacidade jornalística, a verve de obter a notícia, a coragem, tantas vezes, quase irresponsável, em dá-la. Foi assessor, líder de classe, fundador e proprietário de jornal e encontrou-se no blog, com um sucesso retumbante que incomodou poderosos e muitos da própria imprensa. Esse incômodo tem nome e sobrenome: cobiça e inveja.

Acompanhei, principalmente pelas rádios, os comentários doutros sobre o episódio. Foi interessante, principalmente no quesito falta de solidariedade. Em alguns casos foi vergonhoso. Em uma determinada emissora, o âncora estava inconformado. Dizia: como pode ser uma prisão de um só dia, ele tinha que passar preso, pelo menos cinco dias; a Polícia Federal tem que explicar porque ele não ficou preso, etc. Era o efeito milhões de acessos no blog do Cardoso. O cara não se conformava.

Não tenho, diga-se de passagem, o intuito de canonizar o Luis Cardoso. Nunca. Mas incomodar-me com questões mais relevantes. A primeira é compreender se o episódio é uma questão criminal, ou conveniência de alguém incomodado com suas abordagens jornalísticas?

Está posto que dentro da Polícia Federal estava um informante. A PF ter um informante é um problema único da PF, de mais ninguém. O jornalista não tem nenhum dever de guardar notícia e divulgá-la é da essência de sua função e profissão. É mais ou menos como o bisturi na mão do cirurgião e, se ele não usá-lo, nunca será cirurgião. Quanto a divulgar a fonte, jamais.

A nebulosidade da operação vai mais além. O tal informante da PF era uma alta autoridade do governo Dino, portanto de absoluta confiança do governador. De repente a indicação do sujeito ficou sem paternidade, ou jogaram para A, B ou C. Tudo onda. O governador não pode ser responsabilizado pelos atos do subordinado, mas jamais se inocentar da sua indicação. A tentativa de obscurecer essa evidência não ajuda ao governo e fa-lo-á mais sujeito a dúvidas.

Outra evidência é mais grave. O pedido chega para a justiça no dia 8 de março, o tal Danilo é demitido no dia 9, o juiz assina a decisão de prendê-lo no dia 13 e as prisões se efetivaram no dia 19. O pior é a justificativa: o X9 saiu de “maneira voluntária, portanto a pedido dele, por motivos particulares”. Só está correto os “particulares” se estiverem relacionados com o vazamento de coisas dos outros O Palácio dos Leões pode jurar, rezar terço ou plantar encomendas em encruzilhadas, se dizendo inocente a tudo isso, mas ninguém, ninguém mesmo, tem obrigação em acreditar no Palácio dos Leões. No dizer do finado Renato Sousa, me compre um bode!!!

No meio desse anedotário, que dará um bom folhetim, tem a história de que os “extorquistas” obtiveram automóveis luxuosos do seu Matheus. Dá para se pensar. O seu Matheus é maior de idade, vacinado contra rubéola, sabe dirigir bicicleta, casou, tem filhos e, vitima dda extorsão, se cala. Uma polícia séria investigaria primeiro o seu Matheus e não o blogueiro. Uma polícia que respeite a inteligência dos outros e a sua própria reputação, antes de passar pelo Cardoso, teria que fazer uma abordagem em Matheus. Por que não o fez? Com a palavra o delegado.

Posto como está, subtende-se que o pobre senhor Matheus é um hiposuficiente na vida civil que, achacado por tantos bandidos, não soube se defender e precisou que a briosa Polícia Federal o fizesse, sem nenhuma provocação.

Agora sobra em mim uma indignação. A polícia Federal que tão bem soube defender seu Matheus precisa olhar alhures e algures. Vou dar uma pequena lista de maranhenses sofredores que precisam da defesa da nossa gloriosa PF: João das Quantas, Maria do Preceptório Roxo, Joaquim do Queixo Caído, Rabinália Prequeta e seu Pedro do Rabo Mole. Como seu Matheus, esse liso que todos conhecemos, merece a proteção estatal, esses milionários por mim elencados, também merecem.

Voltando à seriedade. Esse episódio, absolutamente mau contado, tem cheiro de uma tentativa espúria de amedrontar a imprensa e obturar a crítica. Sonho que as minhas preocupações se demonstrem falsas, pois quedaria em definitivo o respeito para com a democracia, a ideia de que governo (governo Dino) que se ufana de democrático, seja, realmente, democrático. Pelo sim e pelo não, o esclarecimento real, sem peias e arreios fará bem a todos nós e, ao governo, muito mais.

ELE NÃO MORREU

 

Como disse na primeira matéria desse blog, o jornalista pode e deve prever o futuro, sem nenhuma obrigação de acerto. Quem se obriga a acertar as previsões do porvir é profeta ou pai de santo. Eu sou somente um jornalista.

Nunca, em toda história brasileira, vivemos um momento de tanta incerteza. São incertezas sistêmicas e sem previsão para terminar. As razões são múltiplas.

As redes sociais são uma realidade nova. Nelas se misturam os melhores sentimentos e as mais diabólicas formulações. É um mecanismo sem freios e sem moderação.

A situação da classe política, é destaque, é o mais preocupante entre todos os elemento que se possa analisar e põe em risco, inclusive, a democracia. O desgaste dos político diminui a importância do legislativo e coloca o executivo dentro do mesmo parâmetro de atuação. O Judiciário, Ministério Público a reboque, assume a condição de salvador da pátria e a Polícia Federal, atuante e obreira, se assume cada mais protagonista e fora de qualquer tipo de controle. O episódio da Carne Fraca é autoexplicativo.

Por qualquer opinião, o cidadão pode ser alcunhado de inimigo da Lava Jato e antes que alguém imagine que sou um inimigo da Lava Jato, peço tirar o cavalo da chuva, pois a minha análise é outra, mas a Lava Jato afora a sua salutar atuação, encobre muitas ações ditatoriais e antidemocráticas. A minha análise, reafirmo, é filosófica e conceitual: não há democracia, quando um dos poderes não é poder.

Nesse instante, no Brasil, ao arrepio constitucional, temos vários “poderes”: Judiciário, Ministério Público, Polícia Federal e Redes Sociais. Executivo e Legislativo cuidam da sobrevivência, objetivo esquálido, que envergonharia o memorável Charles-Louis Montesquieu, que configurou que a harmonia e igualdade dos três poderes representava o ideal do estado democrático. Na normalidade de uma democracia, os poderes são, somente, Executivo, Legislativo e Judiciário. De acordo com Montesquieu, portanto, se o Brasil de hoje é democracia, estará em estado falimentar.

Essa introdução nada tem a ver com o corpo principal da matéria de hoje. Foi mera divagação idiossincrasia mental do poeta. Quero pensar na hipótese de ser cassada, no TSE, a chapa Dilma-Temer.

No início do processo, todos pensavam que seria mais um sem nenhuma consequência, depois, como sabemos, o litigante PSDB tornou-se sócio do agora presidente Temer. A partir daí, a tática da dupla PSDB-Temer passou a ser o alongamento da instrução processual, até 2019, quando o processo perderia a finalidade. Tudo parecia sob controle.

Parecia, mas não se pensava em uma figura interessante denominada Antonio Herman Vasconcelos e Benjamin, relator do processo, que chamou a si a responsabilidade de julgamento, com a possibilidade de emitir o seu voto, antes do seu desligamento da corte eleitoral.

O Planalto sabe, que mesmo contando com o ministro Gilmar Mendes, a possibilidade de cassação da chapa é muito forte.

Agora, imaginemos a chapa cassada. A lei ordena que o substituto tampão seja eleito por eleição indireta, no Congresso Nacional. Uma pergunta não feita ainda por outros, será feita, agora, por mim: quem seria esse substituto tampão?

Antes de nominá-lo, vejamos as suas características. Será obrigatoriamente um político; deverá ter trânsito com a classe política e ser acima das brigas e divergências partidárias; deve ser um homem já testado no legislativo e executivo; deve ser um homem conhecido no meio dos políticos como cumpridor de acordos; deve ser alguém que passando por vários cargos e funções, não tenha deixado um passivo criminal ou civil, inclusive estar fora da Lava Jato; de preferência deve ter uma aréola de líder político internacional; não ser analfabeto faz bem a essa biografia, mas se for um homem das letras, melhora bastante e, finalmente, não lançar a menor suspeição de que tentaria ser eleito a qualquer cargo.

Entre os mais de 200 milhões de brasileiros, quem estaria bem situado para cumprir essas exigências, que reafirmo, teóricas? Respondo: somente um brasileiro reúne todas essas característica. O sujeito a quem me refiro chama-se José de Ribamar Ferreira de Araújo Costa que, na infância, foi apelidado de José Sarney e, como Sarney, ganhou o mundo.

Caso algum desorientado queira me chamar de louco ou insinuar que estou de acordo com o ex-presidente, digo, de novo, tire o cavalo da chuva. Essa análise, com esse vaticínio é desprovida de emoção ou pessoalidade.

Decorre de quem viu, há bem pouco tempo, o senhor Sarney sair de ícone da Ditadura Militar a presidente da normalidade democrática. Era o único político, com mandato, que preenchia uma exigência legal: único remanescente da antiga Arena.

A cassação da chapa Dilma-Temer, se ocorrer, deixará o ex-presidente em posição privilegiadíssima. Vai ou não vai ocorrer? Não sei, mas fica para todos essa hipótese. Como não sou blogueiro para dar furos de reportagem, a minha felicidade é ser gênese de “furos de ideias inéditas”, ainda que erradas.

O pior é que, pelos idos de 86, um camarada, chamado Bita do Barão, disse que o Sarney voltaria a Presidência da República. Achei um absurdo por muito tempo. Agora, tenho minhas barbas ao molho. Mas é evidente que, se o velho cacique voltar, por menor que seja o tempo de governo, muita coisa mudará no Maranhão.

Os nomes dos preocupados não me interessa dizer, mas o aviso está até na Bíblia: quem tem ouvidos para ouvir, ouça. Tenho dito.

PONTO ZERO

Hoje é um dia especial e não esqueço que tive muitos e muitos dias especiais, aliás, todos os dias o são, mas na nossa visão mais terrena, diferenciamos datas e diferenciamos dias. Esse 19.03.17 é, de fato, especial.

Retorno ao jornalismo, agora nas ondas de um programa de rádio e através de um blog. A rádio que abriu as portas e me deu essa oportunidade é a Radio Capital AM, 1180, aos domingos das oito às nove da manhã e no Blog João Bentivi (joaobentivi.com.br – João Bentivi|Janela Livre). Tanto no rádio, quanto no blog exporei a minha opinião sobre assuntos vários, sem medo de errar, mas com a certeza de dizer a mais nítida verdade possível. A minha verdade.

Tenho fartura de bênçãos divinas e o porquê desse fato não me interessa, a tal ponto que nunca perguntei ao meu Deus. Desse modo, são várias atividades em um só homem, como se muitos homens constituíssem um só. Eu. Sou impossibilitado de dizer em que atividade tenho mais prazer, pois em todas me realizo e não acuso enfado. Alguém falou, por aí, que quem faz o que gosta, está sempre de férias. A ser verdade, tenho férias muito bem pagas.

Convivem em mim três graduações: medicina, jornalismo e direito e isso, durante muito tempo, me incomodou. Não as graduações, porém a imbecilidade alhures, que me fez e ainda me faz ouvir essa seta sibilina de beocidade: afinal, queres ser médico, jornalista ou advogado.

A resposta que dei e ainda dou não a porei aqui, nesse momento de vivas. Não cabe. Mas é interessante conviver harmonicamente, em mim, com o médico, com o jornalista e com o advogado. Deixo de retratar o professor e o músico, bem como o craque de futebol, do passado.

Os três profissionais citados possuem semelhanças e muitas diferenças e não tenho espaço para discorrer sobre todas, porém caberá um resumo. Na semelhança, todos procuram, de igual modo, a verdade. A diferença está na perseguição desse objetivo.

O médico, tem mais verdades prontas, é mais repetitivo em seus atos e obedece a rotinas e protocolos. Às vezes, acho que os protocolos ferem a visão linda de Hipócrates de que não há doenças e, sim, doentes. EM uma falsa certeza de infalibilidade, alguns médicos carregam um acentuado conteúdo de onipotência, tendo dificuldades, inclusive, de admitir seus erros e falhas.

O advogado tem dentro de si que não há verdade e sim verdades. A verdade é, portanto, múltipla. O fato é o mesmo, mas na hora que esse fato determina o nascimento de uma lide, haverá, pelo menos, duas verdades. Acusação e defesa, por definição, não podem olhar o mundo com as mesmas lentes. Os operadores do direito, gostam de frases prontas, tal como essa, o que não está nos autos, não está no mundo. Sempre me pergunto: será se o mundo sempre estará nos autos?

O jornalista, para ser bom jornalista, tem que desacreditar em todas as verdades. A crença sem análise destrói qualquer jornalista. Ele pode até se achar jornalista, mas será um mero repetidor de versões, que quase sempre não serão suas, mas de outrens.

O jornalista não respeita as limitações do tempo em passado, presente e futuro. O fato passado nunca será inerte para o jornalismo. Poderá merecer releituras, reanálises, agregação de novos elementos e informações, de tal modo que, às vezes, ficamos embobecidos por nunca termos pensado em algo, que estava tão claro e evidente e passou ao largo de todas as observações anteriores

O fato presente é a matéria do dia a dia do jornalista. Como cidadão do seu tempo, o jornalista não pode e não deve ser imparcial: tem que ter lado, seja ideológico, religioso, político, classista ou coisa mais que o valha. Não pode é ser irresponsável, leviano ou vender a sua opinião.

Entretanto o jornalista vai mais além, pode prever o futuro. Médico e advogado são atividades de meio e não de resultados. Prometem usar suas potencialidades e qualidades em funçõ de algo ou alguém, mas o advogado estará sempre dependente da ndecisão de um juizn e os médicos da mão natureza. O jornalista pode prever o futuro sem constrangimento, já que não tem nenhuma obrigatoriedade em acertá-lo.

Aqui, nesse momento, nessa empreitada de radialista e blogueiro, sou, orgulhosamente, o jornalista. De tudo que vivi, que vi, que li e aprendi usarei um pouco ao emitir a minha opinião. A minha posição será absolutamente clara, sem medo de sustentar as divergências, com quem quer que seja.

Defendo, intransigente, a família, as tradições da sociedade, sem as quais inexistiria a segurança social. Defendo os conceitos e ensinamentos da Bíblia, sem os quais não creio que a humanidade tenha prosperidade e futuro. Defendo o estado democrático de direito, arquétipo maior da convivência entre todos nós. Defendo o direito salutar e necessário da discordância política, religiosa e ideológica, um bom caminho para a descoberta de saudáveis objetivos para os homens.

Leia, acompanhe e reflita sobre o conteúdo desse blog, também nos acompanhe na Rádio Capital AM, todos os domingos, das oito às nove. Aprenderemos juntos: eu e você e você e eu, juntos na mesma realidade.