MINHA AMADA PEDREIRAS

MINHA AMADA PEDREIRAS

Orgulhosamente nasci em Pedreiras e a minha infância e adolescência foram lá. Nunca postulei, como político, ser prefeito dela, mas muito sofri com tantas administrações que passaram. Não tenho o intuito de jogar pedra em nenhum ex-prefeito, muitos dos quais meus amigos, porém, se olho para o passado, há um, aos meus olhos, inigualável: Vicente Benigno.

Um boticário que, por anos, foi um médico para todos nós e fez por Pedreiras, principalmente em saneamento (nessa época não havia essa palavra) e infraestrutura, uma obra que persiste até hoje.

Na quarta fui a Pedreiras, na véspera do seu aniversário, participar do Festival Pau&Cordas, festival de música popular da cidade, na qualidade de presidente do júri do citado festival. Esse festival estava desativado, desde 2011. Algumas impressões, dessa viagem, disponho-me a dar.

Primeiro, o festival. Participação de artistas de todo Maranhão, com um nível musical excelente, letras belíssimas e apresentações marcantes. A dificuldade ficou na conta de nós, jurados, para encontrarmos 3 melhores, entre 15 boas demais. Encontramos. Antes que me esqueça, o júri foi composto por mim, Eliseu Cardoso, Ana Rosália, Célia Sampaio e Celso Brandão. Observe-se que foram 47 músicas inscritas e selecionadas 15.

Segundo, foi conhecer a nova administração da cidade. O prefeito Antonio França, o vice Everson Veloso, o vereador Gard Furtado, a secretária de Cultura e Turismo Francinete Braga, a primeira-dama Alessandra França e o amigo e irmão, médico espetacular, Alan Roberto, secretário de Articulação Política.

O slogan dessa administração é interessante: honra e trabalho. Duas palavras que representam qualidades em falta, em muitas prateleiras administrativas do Brasil. Pelo que conversei com muita gente, o slogan administrativo da cidade se torna realidade a cada dia da nova administração.

Não conhecia o senhor prefeito e, como jornalista, aproveitei um momento de conversa informal, para prescrutar o que esse jovem administrador propunha para a sua cidade, minha cidade. Como a conversa não foi longa, posso até estar errado no que vou afirmar. Caso descubra algum engano de minha parte, comprometo-me a fazer a correção nesse mesmo espaço.

Trata-se de um jovem político, com experiência legislativa, somente. Pareceu-me um bom cidadão e muito trabalhador. Senti o apreço do povo com ele, talvez porque, depois de tantos desmandos, ele represente uma tábua de salvação para seu povo. A sua proposta é não repetir os erros do passado. Caso não repita, já estará acertando. E muito.

As propostas apontam para a reformulação da saúde, educação, reconstrução da cidade e transformar Pedreiras no polo artístico, cultural, turístico e econômico do Médio Mearim. Pelo sucesso do festival, poderia dizer que ele terá êxito e o que posso fazer, como pedreirense, é ficar a disposição de minha cidade, para o que der e vier e se posso mandar um recado para alguém, o mando para o governador Flavio Dino: senhor governador, nos últimos tempos, a terra de João do Vale chora tanto, que nem canta mais um simples Pisa na Fulô – ajude Pedreiras!

Finalmente, um carinhoso abraço para o meu amigo-irmão Paulo Pirata, diretor musical do festival. O Paulo Pirata é um dos mais talentosos artistas que conheci em minha longa carreira. Está tendo a oportunidade de mostrar seu talento administrativo, na administração do prefeito Antonio França. Ponto para o prefeito, sim, ponto para Paulo Pirata, também, mas ponto maior para Pedreiras.

FAST NEWS:

nessa viagem fiz uma visita especial para um pedreirense chamado Francisco Almeida, conhecido por todos como Chico Músico. Está com mais de oitenta anos e desprovido da visão, mas com ouvidos, inteligência e memória prodigiosas.

A minha primeira infância foi dentro das Assembleias de Deus e aos 4 anos me alfabetizei lendo a Bíblia. Devorei-a toda. Aos 10 anos, depois de ficar aporrinhando os músicos da banda da igreja, iniciei-me com o trompete, junto com dois colegas. Aí estabeleceu-se a diferença.

Irmão Chico passava uma lição hoje e enquanto os meus colegas demoravam uma semana para voltar, no outro dia eu já voltava, pedindo mais uma tarefa. Resultado, com dois meses estava sendo trompetista da banda. Mas tinha o coral.

Irmão Chico, vendo o meu interesse, um dia me disse: João, eu queria que tu me ajudasse no coral, ensinando o contralto. Lá fui eu. Depois eu já ensinava o tenor, e ficando mais saliente, ensaiava com todas as vozes. Tinha uns doze anos, até que um dia, irmão Chico fez-me sentir o maior menino do mundo: João, hoje vais reger o coral. Fui. Deu certo. Na minha vida já não tenho memória para tantas vezes que regi coros e garanto-vos que estou projetando a minha volta para a atividade coral.

Esse remember é uma homenagem a esse homem, Chico Músico, que formou centenas de músicos e mudou a vida de tantos. Quando digo mudou a vida é porque mudou a minha. Tenho muitas formações profissionais, mas se não fosse músico, seria um incompleto. A música foi a minha primeira formação e será, sem dúvida, a última.

Vivas dou, nesse momento, ao meu maestro Francisco Almeida, o amado Chico Músico.

ACADEMIA VIVA E VIVA A ACADEMIA

ACADEMIA VIVA E VIVA A ACADEMIA

Não é novidade que a impressão que muitas pessoas possuem das academias é de algo, mais ou menos, como antessala de uma funerária: reunião de idosos no penúltimo degrau da vida, ou alguma confraria de compadrios mútuos e elogios às pencas, na falta de algo mais salutar para fazer.

Terrível engano e, para não ser enfadonho com tantos exemplos, entre tantas academias, tratarei da Academia Maranhense de Medicina, da qual faço, honrosamente, parte, como titular da cadeira 14, patroneada pelo brilhante e inesquecível médico Domingos Matos Pereira.

Ontem foi dia de festa, dupla festa, portanto dupla alegria. Explico. A solenidade foi na nossa sede, salão não cabia a todos, presidida pelo nosso presidente, professor doutor José Márcio Soares Leite, em uma mesa composta, ainda, pelo presidente da Academia Maranhense de Letras, Benedito Buzar, presidente da Associação Médica, doutor Mauro César Oliveira, presidente do CRM/Ma, doutor Abdon Murad e os doutores Celso Nunes e Aymoré Alvim, secretários da academia.

A primeira relevância da reunião era o seu natalício: a Academia Maranhense de Medicina completou 29 anos. Entretanto se olharmos por uma lente, que passe pela atividade médica, social e literária dos seus componentes, a academia ainda está na primeira infância e, quando se está na primeira infância é porque muito se tem a realizar.

Por seus membros, a academia está dentro de todas as entidades e associações médicas, a maioria dos seus membros exercem a medicina naturalmente, a produção literária dos membros da academia é tão salutar que não há um ano sequer, sem muitas publicações dos acadêmicos e, sem olvidar a muitos, cumpre lembrar que o doutor Arquimedes Vale é da Sociedade Brasileira de Médicos Escritores e o doutor Natalino Salgado é o mais novo membro da Academia Nacional de Medicina.

No ensino da arte médica, a academia mostra-se insuperável. A quase totalidade de seus membros estão nas duas universidades do Maranhão e ouso dizer que sem os membros da Academia Maranhense de Medicina o ensino dessa profissão, no Maranhão, sofreria um revés.

Nesse momento, a academia ousa. Por iniciativa do presidente José Márcio Leite, ontem tivemos o lançamento da revista O ESCULÁPIO. Para quem não é afeito aos temas médicos, Esculápio, filho de Apolo, é o verdadeiro deus mitológico da medicina, do qual provém o amado Hipócrates, de existência comprovada, que legou a nós todos os princípios da nossa profissão, princípios tais que a faz diferente e inigualável.

O ESCULÁPIO veio para ficar e fazer sucesso, decerto.

Mas disse que a festa foi dupla. Sim, o foi. A segunda parte também inesquecível: a posse do médico pediatra Cláudio Araújo como o mais novo imortal.

O doutor Cláudio, pediatra de grande fama e largo alcance científico, coroa sua careira médica na imortalidade e brinda a academia com sua presença. Entre tantos cargos e funções exercidas, destaca-se ser o diretor do Hospital Infantil Juvêncio Mattos, referência pediátrica no estado do Maranhão.

Contudo se a posse de um acadêmico reveste-se, sempre, de importância, o que dizer quando o empossado o faz na cadeira em que seu pai (in memoriam) doutor Orlando Araújo é o patrono? Não faltou emoção.

Como membro da Academia Maranhense de Medicina, quero, através desse blog e, domingo, pelas ondas da Rádio Capital AM, 1180, das 7:30 às 9:00, parabenizar a nossa academia, na pessoa do seu presidente, parabenizar ao doutor Cláudio Araújo pela investidura e parabenizar a todos os médicos desse estado, pois a Academia Maranhense de Medicina, além de todos os adjetivos que possa dar, é o repositório moral e ético da profissão e modelo para que os mais jovens possam observar e se espelhar.

Como está no título dessa matéria, ACADEMIA VIVA E VIVA A ACADEMIA. De medicina.

FAST NEWS: Amanhã, quarta, estarei em Pedreiras, minha cidade natal, para presidir o júri do festival PAU E CORDAS, um dos maiores e melhores festivais de música do Maranhão

O THE END SE APROXIMA

O THE END SE APROXIMA

Hoje tenho um personagem principal tanto na matéria principal, quanto no “fast news”: Luiz Inácio. Vamos aos dois textos.

A Lava Jato se torna repetitiva em muitas coisas, porém toda semana, todo dia apresenta novidades. Quando se chega teoricamente ao fundo do poço, descobre-se um alçapão. No dizer do finado Teori, quando se pensa que se puxa uma pena, sai uma galinha inteira. Acrescento: até peru.

As respostas de todos geraram um mantra, que só falta ser musicado para se tornar sucesso no hit parade: Todas as doações foram declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. A ser verdade, essa Justiça Eleitoral é uma droga, uma merda, pois serviu para justificar todas as sacanagens eleitorais, que ninguém tem dúvida, mas a Justiça Eleitoral não conseguiu sequer vislumbrar. Zero para a Justiça Eleitoral.

A Justiça comum, apesar das vicissitudes, ganha pontos e aplausos. Não quero, com isso, tirar seus defeitos, nem perdoar suas culpas, mas somente reconhecer o sucesso retumbante. Nesse momento, Sérgio Moro tem fã clube e apaixonados de todos os sexos e religiões.

O número de indiciados, acusados e condenados caminha para os quatro dígitos e será um complicador para a questão carcerária. Sérgio Cabral, precavido, reformou Bangu, o outro lá de Brasília, ajeitou a Papuda, acho que a turma do Michel Temer deveria se consorciar com PT e PSDB, pelo menos, e construir presídios de alto padrão, com vistas para o futuro. Carcerário.

Como disse, a turma que pode ir e vai para o xilindró é enorme, e como são pessoas importantes, isso está criando uma noção, verdadeira quebra de paradigma, de que cadeia não é somente, como se dizia, para PPP: preto, pobre e puta (o). Não, já são muitos brancos e abastados trancafiados.

Entretanto, a prova dos noves desse episódio, tem nome e sobrenome: Luiz Inácio Lula da Silva. Lula é um complicador e um divisor de águas. O teste final da Lava Jato chama-se, portanto, LULA.

Foi e é a grande liderança popular do Brasil. Quis Deus que fosse analfabeto, pois se alfabetizado fosse, poderia alcançar até o papado, enganando a Cúria Romana, local dos homens mais preparados do planeta.

A história do cara rendeu filme, ainda que com recursos públicos. Tudo bem, se a vida foi traquina, o filme não seria canônico. Alçou-se a condição de líder regional e mundial, caso dominasse mais de uma língua, a ONU poderia ser o seu desiderato. Mas não era nem monoglota, pela desarmonia com o idioma de Luiz Vaz de Camões classifico-o de hipoglota ou hipossuficiente vernacular e desqualificado para as Nações Unidas, já nesse quesito.

São, salvo engano, mais de dez investigações sobre o tal Lula, mas as mais adiantadas se referem ao Sítio em Atibaia e o famosos Triplex. A defesa de Lula esta recheada de documentos que provariam a não titularidade de Lula nos dois imóveis e a defesa repete: os imóveis não são do senhor Lula.

A negativa parece coisa de um aplicado aluno do Paulo Maluf. Maluf, pego com a mão na botija, negou até a sua própria assinatura. Lula, como bom aluno de Maluf, além de negar, ainda faz das audiências palanque eleitoral. E tome frases de efeito, uma delas, foi dizer-se uma serpente. Tem sentido, basta lembrar da primeira serpente da história, aquele bagunceira em um tal Jardim do Éden, que você encontra verdade na metáfora de Lula.

Porém a coisa começa a tornar-se um monstro devorador para o nonoquirodáctilo Lula. O depoimento do senhor Léo Pinheiro desfez todo arrazoado de defesa do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia. Não há nenhuma dúvida, os dois imóveis, ao largo de qualquer certidão, são de Lula. A veracidade e concordância das delações e oitivas matam quaisquer outros argumentos.

Agora tudo é uma questão de tempo. Moro sabe tudo e sabe muito mais. A prisão de Lula é simples questão de calendário. A velha pergunta: e o povo não vai se revoltar com a prisão de Lula?

Acho que não, mas se o fizerem, que se cumpra a lei com Lula e com o povo. Pronto.

# Tenho dito

FAST NEWS 1:

Ás vezes, uma notícia ruim carrega algo de bom em suas entranhas e até a Lava Jato pode proporcionar a veracidade dessa afirmação.

O ex-presidente Lula, encravado até a cabeça nesse quebra-cabeça da corrupção, pode ter, agora, uma oportunidade que lhe foi negada a vida inteira. Senão vejamos:

Um dos maiores orgulhos, alardeado pelo sujeito, era ser um analfabeto e ter chegado a Presidência da República. Uma imbecilidade e ufanismo com a hipossuficiência seria muito própria do Lula, mas foi assumida como meritória pelos intelectuais de esquerda. Como se alardeia que existe essa espécie (intelectual de esquerda), por essas atitudes fica uma certeza de que são dois termos incoerentes.

Vamos à notícia. O senhor Lula, trancafiado por volta de dez inquéritos, ao ser entrevistado, deu uma resposta estarrecedora, mais ou menos com essas palavras: vou me pronunciar, depois de ler todos os processos…

Mais um milagre da Lava Jato! Um cabra que nunca leu nem gibi (os mais novos nem sabem o que é gibi), de repente, tranca-se e vai debulhar, letra a letra, palavra a palavra, mais de trinta mil páginas.

Para quem nunca leu uma, ler trinta mil páginas merece parabéns, cortada de bolo e presentes. Depois dessa exaustiva leitura, Lula poderia se inscrever no ENEM, passar no vestibular e, com uma licença especial, se ausentar do presídio.

Um grande avanço, com certeza.

FAST NEWS 2:

Fui informado de uma manifestação, na França, pela morte de um militar, pelos terroristas. Tudo muito bem, mas isso demonstra o grau de exigência do povo francês. Poderiam aprender muito com a sciedade e autoridades brasileiras.

Aqui no Brasil, policial morre aos montes, todo santo dia. A máxima manifestação é salva de tiros no cemitério e, no mais, nem choro e nem vela. As tais Comissões de Direitos Humanos, quer da OAB ou do Sovaco da Vaca jamais darão um pio de solidariedade ao policial e ai do policial que atirar antes do bandido. Caso o faça e o pobre do bandido tombar, estará caracterizado homicídio, logo apelidado de qualificado e o “suposto” bandido, independente de estar carregando um metralhadora e dez granadas, será apelidado de trabalhador, bom menino, pai de família ou sacristão.

Entretanto se o policial, for um bom cumpridor das leis, deve deixar aquele trabalhador armado com uma escopeta, atirar primeiro e, caso o policial não morra, aí pode atirar.

Ai fica tudo nos conformes, as tais Comissões de Direitos Humanos ficarão felizes, o trabalhador continuará trabalhando com sua metralhadora e granadas, a família do policial abatido reclamando para Deus e o cemitério ouvira mais uma salva de tiros comemorando mais uma morte de um policial.

Vou enviar uma Comissão de Direitos Humanos para Paris, com a missão de botar em ordem esses franceses reclamadores e ensiná-los como se deve tratar um bandido: muito carinho e suco de maracujá.

Aceito discordâncias, mas aviso logo: não influi e nem contribui com o meu pensamento.

FALANDO DA PÁSCOA

Como disse no início desse projeto, chamado BLOG, que aqui haveria espaço para todos os assuntos e vejo, inclusive, esse BLOG como um local para eu me divertir, falando de tantas e tantas coisitas que vi, que li e que aprendi, no decurso de minha não pequena existência.

De todos os livros que li, tem um que mais li: a Bíblia. Por isso, sem ser ministro de coisa nenhuma, ministrarei sobre a efeméride da fé, da semana passada, denominada como Páscoa.

A definição e instituição da páscoa judaica está descrita em Ex 12. 1-11 e representou o coroamento de um momento histórico, que seria a saída do Egito. Após nove pragas, a última delas, a morte dos primogênitos, seria a decisiva para a liberação e libertação do povo hebreu e é exatamente, nesse momento, a instituição da festa pascal.

Daí surge diferentes significações para ela. Aos egípcios, com a morte da totalidade de seus primogênitos a dor e sofrimento seriam a verdadeira significação. Aos hebreus, em contrário, a páscoa representa o livramento e a liberdade e, mais à frente, tecerei considerações sobre a importância da páscoa para nós, cristãos e os pontos de distinção com a páscoa judaica.

Do texto do Êxodo extraímos os elementos constitutivos da páscoa. O pão que deveria ser sem fermento (Ex 12. 8,11, 34-36); ervas amargas (Ex 12.8) representando o sofrimento de 430 anos de cativeiro e o cordeiro que, obrigatoriamente, deveria ser sem defeito e cujo sangue espargido nos umbrais das casas, determinaria o livramento naquela noite de mortandade.

Tudo poderia ficar sem páscoa, para nós gentios, desde que o próprio Jesus não a tivesse instituído, na sua última reunião, antes do Gólgota. Instituiu-a.

Esse fato está descrito em três evangelhos (Mt 26. 17-30; Mc 14.14-26 e Lc 22.7-23) e reconfirmado por São Paulo em I Co 11. 23-29. Algumas considerações são relevantes e, doravante, a páscoa será denominada com a terminologia neotestamentária, simplesmente, como Ceia do Senhor ou Santa Ceia.

É comum se entender a ceia como sendo algo obrigatoriamente para ser realizado em igrejas. O texto dos evangelhos não afirma isso. Foi realizada na casa de um cidadão, cujo nome a Bíblia não menciona e que, evidentemente, não era um dos doze.

A Ceia do Senhor tem o pão que deve ser puro e sem fermento, só que esse pão é exatamente o próprio Jesus. Em Jo 6. 35, 48-51 é Jesus que se apresenta como pão da vida. O segundo elemento é o sangue. No Egito era de um cordeiro que, espargido nos umbrais, livrava um a um dos primogênitos da morte. Na Santa Ceia é somente um cordeiro, que esparge o sangue no Calvário e livra da morte não somente a primogenitura, mas toda a humanidade que a Ele se entregar. O morte do Cordeiro Pascal da Nova Aliança substitui a morte de todos os homens.

Tanto em Mt 26. 17-30, como em I Co 11. 23-30, a ordem é que essa páscoa seja repetida ininterruptamente, até que Ele volte. Aqui imponho-me a obrigação de um entendimento diverso da maioria das igrejas e líderes religiosos, católicos ou protestantes.

O ministério de Cristo é muito mais abrangente que o cristianismo, inclusive Jesus não fundou o cristianismo como sistema religioso. Nunca esqueçamos que em Jo 1,11 está escrito: “veio para os seus, mas os seus não o receberam”. O menino Jesus recebeu sua primeira honraria terrena, de um séquito enorme de nobres do Oriente, que conhecemos como Reis Magos. Acrescento, ainda, que pelo menos a primeira infância de Jesus, ele teve guarida nas terras do Egito.

O ministério de Cristo nunca foi limitado a um povo ou a um lugar. Como poderíamos conceber que a Ceia do Senhor recebesse tantas limitações?

Tanto católicos, como evangélicos se assemelham na burocratização da fé. Na Santa Ceia se estabelece o reino da burocracia cristã: tem que ser batizado, tem que ter participado de primeira comunhão (católicos), tem que estar em comunhão, tem que não estar em pecado, tem que ser membro de fato, tem que ter o nome no livro da igreja, etc. etc

Onde, onde mesmo, na Bíblia, estão essas bugigangas da religiosidade? Qual Deus deu autoridade a qualquer líder religioso para dizer que alguém, independente de quem seja, não pode participar da Ceia do Senhor? Na Primeira Páscoa participou ou sujeito amaldiçoado até pela história: Judas Iscariotes. E a Bíblia que diz que os doze participaram, não afirma textualmente que foram somente os doze.

Pergunto para todos os leitores: seria possível Jesus fazer o banquete do seu corpo e do seu sangue, na casa de uma pessoa, e não convidar essa pessoa e seus familiares para o banquete? A certeza que fala dentro de mim é que todos os presentes participaram dessa ceia, representando a universalidade da cerimônia pascal.

O texto “inquisitorial”, usado a extremos pelos fariseus de agora, para impor todas as restrições é da lavra de São Paulo, quando diz: “qualquer que comer o pão ou beber o cálice do Senhor indignamente, será culpado do corpo e do sangue do Senhor”. Aí tome bombardeio moral, psicológico e religioso.

Só que esses mesmos fariseus esquecem o versículo seguinte que diz: “examine-se o homem a si mesmo antes de comer desse pão e beber desse cálice. O crivo de participação na Ceia do Senhor é exclusivo de cada um de nós e tudo além disso não está na Palavra de Deus. Cada sujeito que tentar impugnar a sua participação na Santa Ceia, o faz dentro de suas convicções humanas e numca na dimensão do ordenamento bíblico.

Finalmente, um presente para os censores de ceias, espalhados pelo mundo. Deixo dois pequenos versículos em palavras e gigantes em significação. Jo 8.7: “Aquele que dentre vós está sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra”. Mt 7.5: “Hipócrita, tira primeiro a trave do teu olho, e então verás claramente para tirar o cisco do olho do teu irmão”.

Jesus veio, portanto, para toda humanidade e a Santa Ceia não pode ser diferente: é para tantos quantos dela queiram participar, sem restrições de nenhuma ordem. Mesmo que o indivíduo participe da Santa Ceia sem nela acreditar, nada muda, com crença ou descrença a Santa Ceia será sempre Santa Ceia. A crença ou descrença de quem quer que seja não apaga e nem diminui o caráter transcendental da Ceia do Senhor. Nossa Páscoa, é o memorial ate que Ele, Jesus, virá.

# Tenho dito.

FAST NEWS:

Como deve ser complicado o mundo da ignorância. Mas se essa estiver junto de interesses espúrios com adulação, vassalagem, propina e coisas afins, o melhor é não tentar entender. Pura e cabal perda de tempo.

Nesse BLOG, que tem me dado inumeráveis alegrias, há pouco tempo afirmei sobre a viabilidade político-eleitoral do governado Dino. Logo depois, alguns em minhas redes me perguntaram se eu tinha aderido ao grupo do governador.

A sacanagem é tamanha que o sujeito mede os outros com a sua métrica. Eu não necessito de nenhum favor do governador Dino para lhe fazer um elogio, como não preciso de nenhum interesse subalterno para criticá-lo.

Domingo passado, em momento de grande clarividência, foquei a Lista do Fachin e, com foco nela, mostrei que o governador Dino estava citado, enquanto João Alberto, Roseana e Sarney Filho passavam ao largo da tal lista.

Qualquer pessoa com três neurônios observou que, na matéria, nem condenei o governador Dino, tampouco absolvi os sarneisistas. O objetivo foi mostrar que, no parâmetro Lista do Fachin, havia notável diferença entre os dois grupos hegemônicos. Como todo bom jornalista, fiz uma provocação.

De repente, o pessoal das tetas governamental partiram para o ataque agressivo e desmedido. Nada demais, já estava plenamente alegre por tantos elogios, inclusive internacionais. Mas a reação venenosa dos penduricalhos governamentais me deixou mais satisfeito ainda.

Pelo manhã, um grande amigo me ligou perguntando se eu iria responder. Disse-lhe: posso responder ou não. O crivo dessa decisão passa por um critério hierárquico de grupo e de qualidade.

Normalmente os iguais ou idênticos dialogam com mais facilidade. Juízes com juízes, médicos com médicos, alcoólatras com alcoólatras, drogados com drogados, etc.

Na hierarquia se dá da mesma maneira. O papa não pode ficar discutindo com o coroinha, não por ser o papa melhor que o coroinha, mas porque o papa é papa e o coroinha é coroinha e no dia que seu Francisco tiver que se preocupar com o coroinha que presta serviço em Carutapera, o Vaticano se lascou.

As discussões que travarei seguirão esse critério e algumas fontes não poderão merecer sequer os meus ouvidos, quanto mais a minha pena e a minha voz.

A minha inteligência e experiência me permitem muitas coisas, inclusive escolher os meus adversários.

# Tenho dito.

A RESSURREIÇÃO MORAL DO SARNEISISMO

Todos os maranhenses sabem que, em minha vida, nunca transigi com a ditadura militar, tampouco com o domínio sarneisista no Maranhão. Com orgulho. Aqui uma constatação: uma parte dos que jogam pedra no Sarney e companhia, agora, só são alguma coisa (se o são) pelas mãos do velho oligarca e são, no mínimo oportunistas, para não afirmar ingratos.

Outro dado por todos conhecidos é o desgaste de toda classe política. Todos pisam em ovos e o freio de mão está na moda estão todos passeando à beira do cadafalso. Basta um empurrão e o abismo se abrirá.

Nesse contexto, no Brasil abre-se um raciocínio, já uma convicção, de que o político não vai ser escolhido por sua inteligência, qualidades administrativas ou coisa similar. O bom político brasileiro deve, simplesmente, não estar citado na Lava Jato. Simplório demais para nos alegrar e real demais para se negar.

O noticiário ficou cansativo, é simplesmente policial e quando se imagina que as surpresas se acabaram, elas estão só começando. Todos se lembram que, no domingo passado, em minha postagem, teci lavados elogios ao governador Flavio Dino por sua postura ilibada e sem senões. Bem não fechei a boca e descubro o jovem governante na Lista do Fachin. Não significa culpabilidade, ainda, mas que chamusca a sua biografia, isso chamusca. Vou continuar acreditando no governador.

Lista publicada e me debrucei sobre a mesma, eivado por minha doentia curiosidade. Sem querer fui me apercebendo de muitos detalhes e uma dúvida atroz abateu-se sobre meus ombros e consciência: onde estão os sarneisistas na lista? Uma lista que albergou o próprio governador Dino, com tão pouco tempo de embocadura no politiquismo, deveria ter o pessoal do Sarney com embocadura longeva de meio século

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Nada, nada, nada.

O chefe, presidente Sarney, pelo que notei, foi citado tangencialmente por um tal Sergio Machado e duvido muito que tenha alguma consequência relevante. Ora, um sujeito com mais de 80 anos de idade e mais de 60 anos de vida pública, passar praticamente incólume, nesse estreito de Gibraltar da corrupção, tem que ser registrado com registro favorável.

Mas o Sarney, no alto dos seus mais de 80 anos, como disse, pouco tem a responder a justiça, ainda que culpado. A finitude do tempo lhe leva para a absolvição. Voltei-me aos outros expoentes políticos do clã e até me assustei. Notadamente João Alberto, Roseana e Sarney Filho.

O senador João Alberto foi tudo: deputado estadual, federal, prefeito, vice-governador, governador e senador. Não lhe falta currículo e não lhe faltou poder. Ao não recair sobre ele qualquer acusação ou, pelo menos, uma simples dúvida, somos obrigados, eu e você, a carimbá-lo de ficha limpa. Ademais, todos que fazem política nesse estado afirmam algo que faz muito bem a uma biografia política: João Alberto é destemido e um exímio cumpridos de suas palavras.

A senhora Roseana, contra quem escrevi centenas de artigos, descrevendo suas inabilitações e desconformidades, deixou-me em situação pouco confortável: não está citada na Lista do Fachin. A cidadã foi deputada federal e governadora quatro vezes, portanto tempo não lhe faltou para entrar na Lava Jato. Não entrou. A desgosto, tenho que carimbá-la, nesse momento, de ficha limpa.

O ministro Sarney Filho é o caso mais emblemático. Foi o primeiro Sarney que divergi publicamente. Ele se lembra muito bem de um debate no auditório do antigo Colégio MENG: levei a melhor e ele ficou puto e nunca esqueceu a sova.

Entretanto, dentro de minha correção jornalística, tenho que lhe dar todos os créditos merecidos. O primeiro dista já alguns anos. Era secretário de Meio Ambiente, no governo Tadeu Palácio e na Conferência Mundial em Johannesburg, África do Sul, levei São Luís para a conferência, expondo a centenas de organismos internacionais a problemática ambiental da Ilha. A razão de não termos colhidos os dividendos, ainda detalharei, em outra oportunidade.

Mas o que quero relatar se relaciona com o deputado Sarney Filho, que era Ministro de Meio Ambiente do Fernando Henrique. Ao conversar com dezenas de delegações, de diferentes países, ONGs e outras agências, o nome do então ministro Sarney Filho era uma unanimidade, no melhor dos sentidos, com a comunidade internacional. Era impossível falar mal do cara.

Pois bem, esse cidadão é, pela segunda vez, Ministro de Estado, acrescente-se mais de trinta anos de mandato ininterrupto, ser filho de um prócer da república, presidente de partido, líder de bancadas, então se abre a Lista do Fachin e o sujeito não está homenageado. Fica impossível não se destacar o mérito.

Está, pois, estabelecido o inevitável maniqueismo, mesmo nesse mar de incertezas, de constatações inapagáveis e volumosas surpresas. O nosso governador, na primeira infância da política, ainda que eu creia na sua honestidade (e creio) tem que se explicar e está se explicando. É mau. É mal.

O sarneisismo político, ainda que eu quisesse apedrejar, mostra-se ilibado pelas mãos do Fachin e não precisa de explicação. É bom. É bem.

Finalmente, sou muito feliz em ser jornalista e estou plenamente feliz com esse artigo. As minhas escolhas políticas jamais poderão obscurecer a minha consciência.

Viva a liberdade de consciência.

FAST NEWS :

É difícil encontrar um sujeito mais cara de pau, escroto, quanto esse Lula da Silva. Ao gabar-se de ser o brasileiro mais honesto do Brasil, soube que desagradou muito ao Fernandinho Beira Mar e ao senhor Marcola.

Depois constitui-se como um mau bandido. O bom bandido não dedura seus companheiros. Ao dizer que quem recebeu dinheiro em seu nome deveria ser preso, está deixando Palocci e Mantega em situação perigosa.

Mas o pior é ser uma péssimo irmão. Disse que nunca pediu nada e a ninguém para o frei Chico, aí, o tal frei Chico, irmão de Lula, liso todo, muito puto com o irmão rico, que não o ajudava, foi a uma tal Odebrecht, invadiu-a, deu uma porrada no tal Marcelo, obrigando-o a lhe dar uma mesada, de cinco mil por mês, por anos a fio. Nessa versão, Lula está afirmando que seu irmão, frei Chico, é um bandido.

Finalmente mesmo, será o Lula da Silva acreditar que alguma pessoa com um mínimo de bom senso acreditaria nele. Alguém pode dizer: o pessoal do PT acredita! Tudo bem, para ser um bom petista, ou tem falta a de senso ou deve estar na cadeia. É só uma escolha.

ESQUERDOPATIA

O assunto bomba é a Lista do Fachin que deixarei para tratar na próxima postagem (domingo). Hoje falarei de algo que me tem incomodado bastante. Vamos lá.

Tem se tornado difícil, para mim, acompanhar as dissimulações, impropriedades e sofismas dos esquerdopatas espalhados por todo Brasil. Posso elencar muitos exemplos, mas ater-me-ei a um: a reforma da previdência.

Não é uma invenção brasileira e o mundo todo, ou seja, todas as nações estão a procura de um ponto de equilíbrio, de tal forma que a aposentadoria não se faça um sonho inalcançável, como atualmente ocorre no estado do Rio de Janeiro.

Dez em cada dez economistas, independente da sua fé ideológica, afirmam que a reforma da previdência é uma continuação da aprovação da PEC dos Gastos Públicos, sem as quais o Brasil entraria definitivamente na bancarrota.

Uma reforma dessa dimensão torna obrigatório que o governo mostre e explicite suas ideias com a sociedade. De repente, um desses partidecos de esquerda obtém uma decisão da justiça que impede a campanha esclarecedora para a população. Entrementes os desocupados e irresponsáveis da redes sociais encheram a sociedade de mentiras, tais como a versão de que a aposentadoria só seria viável, após a morte.

O argumento proposto por esses nefastos se resume em poucas palavras: SER CONTRA. Entretanto ser contra, sem nenhuma explicação é de uma burrice colossal. Esse discurso do contra, por ser contra, não pode e nem deve ser levado a sério. Mas é o carro chefe da verborragia esquerdopata. Admito o ser contra, desde que se apresente uma proposta de solução para o problema.

Que a previdência está falida todos sabem e não se precisa de nenhum especialista para confirmar essa convicção. Ora, todo pacient precisa de um tratamento e como a enfermidade da previdência brasileira é estrutural e sistêmica, ou se institui um tratamento, ou ela sucumbirá em pouco tempo. O tratamento proposto tem nome: reforma da previdência.

A esquerda não sabe disso? Sabe, tanto que até a presidente Dylma, do alto da sua incompetência, iria propor uma reforma previdenciária. Portanto o ser contra a reforma não é fruto do desconhecimento, mas da maldade ideológica, que não leva em conta as necessidades do povo do Brasil.

Dessa forma, amigo que acompanha esse Blog, não entre nessa onda da esquerda emburrecedora, não retransmita centenas e milhares de notícias torpes e mentirosas, que tentam desqualificar uma reforma absolutamente necessária. Essa turma tentou torpedear também a reforma do ensino e perdeu. Vai fazer o mesmo com todas as outras que se fazem necessárias.

Espero vê-los derrotados. A derrota dos esquerdopatas é a vitória do Brasil. De você.

DINO PRESIDENTE

Há zum zum zuns incontáveis na política brasileira e um deles, repetido incansavelmente, à boca pequena, é a hipótese do governador Dino ser alçado ou alçar-se a presidência da república brasileira. Uma boa notícia repleta de pouca análise ou análise de encomenda, o que é o mesmo que ausência de análise. Como sou um jornalista repleto de independência, vou meter o bedelho, talvez sem o talento do amigo Caio Hostílio.

Antes de mais delongas, não sou nem contra e nem a favor, mas se o Dino for presidente, tem o meu dedo em sua caminhada e contou com a minha participação para ser governador. Pode não ter sido um voto de amor, mas foi de absoluta consciência. Na política, a consciência deve superar o amor e a paixão.

Muitos fatos lhe são favoráveis. Reúne as condições pessoais para qualquer postulação e até onde se sabe, um ficha limpa. Em um cenário em que a competência vem após a ficha corrida da polícia, ser ficha limpa é grande coisa. Pelo que consta nos meus anais investigativos, repito, o Dino é ficha limpa.

A Lava Jato, ao levar para o hecatombe um incontável número de lideranças, planta um cenário incontrolável, cuja única característica é a imprevisibilidade. Na própria definição, no imprevisível tudo pode acontecer e, na pior das hipóteses, o Dino seria o imprevisível. Eu, particularmente, não o vejo assim, entendo-o como um nome a ser avaliado.

O alter ego de Dino tem nome: José Sarney. Antes que alguém ache que estou depreciando o governador com essa afirmação, digo que não e mais, acho que é necessário uma comparação do passado, com projeção para o porvir, para se compreender o presente.

Os dois chegaram ao poder quase sem esforço em uma conjuntura favorável. Sarney adentrou em um vitorinismo dividido e agonizante e Dino em um sarneisismo sem futuro. Os dois ganharam o governo do Maranhão. Aqui uma grande diferença. Sarney governou com o que tinha o Maranhão de melhores nomes, Dino faz um governo fechado em um politburo comunista. Certo ou errado? Não sei, mas é uma grande diferença com o sarneisismo e o sarneisismo leva vantagem na comparação.

Sarney, antes de ousar a voos mais altos se fortaleceu, destruiu a oposição, fincou os pés na sua terra, incluindo o domínio na máquina estadual, ora como líder, ora em parceria, excetuando somente o governo Nunes Freire. Dino é ainda um neófito em administração e seu maior feito político, por enquanto, foi reelege Holandinha. Muito pouco para quem quer ser o gerente do Brasil.

Uma lição Dino aprendeu rápido com o velho Sarney e, para variar, se aprende o pior: como destruir e inviabilizar oposição. Nesse momento, tenta comprar o máximo de legendas para a sua aventura de 2018 e está sendo fácil para ele. Há sempre nas esquinas da política, vagabundos que querem se vender. Sarney também comprava, mas tinha o charme do convencimento que Dino está longe de ter.

Resumindo, volta-se à questão inicial: Dino pode ser o nosso presidente em 2018? Pode, sim. Dependerá das circunstâncias, mas acima de tudo de fincar raízes profundas no Maranhão e o seu partido, o PC do B, acrescido de outras matizes de ocasião, é muito pouco ainda para se comparar com verdadeiras raízes, que sustentem uma disputa presidencial.

A realidade do Dino passa muito mais por uma reeleição de governador, que por uma presidência da República. Caso as suas dúvidas aumentem, poderia conversar com o velho Sarney, que nesse tipo de conchavos e politriquice é insuperável.

FAST NEWS

UMA TAL CAEMA

No início do século XIX São Luís era abastecida por meio de carroças da empresária Ana Jansen. Com problemas sanitários e aumento da população, o governo criou, em 04.12.1850, a Companhia das Águas do Anil, que consagrou os chafarizes para abastecer a cidade.

O problema da água não foi solucionado e em 1910 foi criada a Companhia das Águas de São Luís. Em agosto de 1944, ultrapassou-se o Rio Anil no abastecimento de água com a criação, por Getúlio Vargas, através do Decreto Lei n.6.833, a Reserva Florestal do Batatâ e o abastecimento de água se passa para o setor público, de maneira definitiva. Foi construída a Barragem do Batatã.

O questão do abastecimento volta a ocorrer e em 1966, o governador José Sarney cria a Companhia de Águas e Esgotos do Maranhão, interiorizando as suas ações. A última evolução foi a criação do Sistema Italuís, no governo João Castelo.

A CAEMA é uma grande empresa, com quase 2000 colaboradores, gerência em quase 10 municípios, com mais de 200.000 ligações domiciliares e atingindo uma população de 2 milhões de maranhenses.

Essa radiografia, à primeira análise, poderia ser entendida como elogiosa e quero afirmar que vou elogiar a CAEMA por alguns dos seus aspectos e nada por sua eficiência.

Trata muito bem os seus diretores. Ao longo de sua história, nenhum diretor da CAEMA reclamou de exercer ou ter exercido essa função, muito pelo contrário. Ser diretor da CAEMA carrega a possibilidade de fazê-lo feliz por muitos e muitos anos, ainda que não se determine se por um passado santo ou diabólico. Os funcionários parecem não ter essa felicidade toda.

Passada dos 50 anos de idade, a CAEMA ainda não alcançou a fase adulta: não cumpre os seus objetivos. O Maranhão tem 7 milhões de habitantes e só 2 milhões servidos pela CAEMA, mais ou menos ¼ dos maranhenses, o que significa que ¾ continuam literalmente ao léu em saneamento.

Na capital maranhense a situação é tão caótica, que o atual governo tenta nos convencer, por exemplo, que as praias estão limpas. Dou um doce de goiaba para o governo, na hora em que o governador e seu secretariado tiverem coragem de mergulhar na Ponta da Areia. Sou capaz de financiar um rega-bofe no Praia Mar, de minha amiga Kátia Castro, desde que eu não mergulhe.

Aqui o primeiro elogio. A poluição das águas é um aspecto que comprova o tratamento igualitário, democrático, dispensado a todos nós, independente da classe social: todos estamos juntos no mesmo esgoto.

O segundo elogio. No abastecimento de água, a CAEMA é melhor e se supera. Falta água igualmente na zona rural, no centro ou na Península da Ponta da Areia. Ou seja, a CAEMA não faz acepção de pessoas, tal qual Cristo, só que Cristo leva para o céu e a CAEMA nos mata de sede e nos cerca de merda.

Viva a CAEMA.

OBSERVAÇÃO SOBRE UMA MORTE

OBSERVAÇÃO SOBRE UMA MORTE

A notícia não é nova. Ocorreu em 19.01.17, mas não deixa de ser motivo de análise, ainda que pareça extemporânea. As lições que a história nos prega e nos dá são perpétuas.

Morreu o ministro Teori Szavaski. A morte, apesar de ser o acontecimento mais óbvio de nossas vidas, sempre carrega a aréola da surpresa e, pior contra senso, do evitável. E sempre gera um pedido de explicação, ainda que essa morte seja natural, nunca nos desapegaremos do famoso “o porquê”?

Quando criança, na minha amada Pedreiras, a partir dos 50 anos o sujeito estava em boa época para a partida, agora não. Para a minha alegria, bem particular, ouço que quem morre aos 60 o fez jovem. O que meu raciocínio dedutivo leva-me a reconhecer que tenho muito tempo de vivência e convivência com a galera.

Voltemos a morte do ministro, aliás, ex-ministro. Os elogios despencaram como um tsunami. Gregos e troianos e outros menos importantes da Macedônia danaram-se aos elogios. As teorias conspiratórias foram feitas a cântaros e, se o ministro fosse de alguma convicção religiosa ortodoxa, poderia sofrer até o início de uma canonização.

Como não fiz logo após o óbito do ministro, agora mesmo é que não irei contrariar a nenhum elogio e nem desmoralizar nenhuma lágrima, mas simplesmente me insurgir contra o raciocínio da mais simples obviedade: um servidor público, quando é um servidor exemplar, acima de qualquer suspeita, não faz nada de espetacular. Faz simplesmente aquilo que todo servidor público devia fazer: cumprir as suas funções. Nada mais. O ministro morto era somente um servidor público entendido como virtuoso.

Fazer o que deve ser feito não é motivo para nenhum laurel. Caso você seja um agente público, fazer o que deve ser feito é nada mais que uma obrigação. Quando a obrigação é transformada em uma exceção no desempenho, significa que além do excepcional agente público, há uma multidão de outros funcionários desleixados e não merecedores de premiação ou elogio. Um atestado de falência do agente público.

Voltemos ao fulcro central: Teori.

Nos dias seguintes ouviu-se de tudo. Sem Teori não haveria a Lava jato, não haveria ninguém com condições reais de substituí-lo, a Lava Jatos agora estava em perigo, etc, etc. Como dizia a minha mãe, nada melhor que um dia atrás do outro.

A realidade, tão pouco tempo depois mostra que a Lava Jato não correu e não corre riscos, que o ministro foi normalmente substituído e democraticamente está consolidada a substituição, tanto na Lava Jato, quanto no próprio Supremo.

Que lição fica? Muitas, mas a mais importante, para mim, é uma simples preocupação. Quando amplos setores da sociedade entendem que a normalidade democrática depende de um nome, de uma pessoa, que sem ela possa haver algum risco para a integridade institucional, pode ser até democracia, mas não está de fato consolidada. Um dia sairemos da fulanização e confiaremos simplesmente no império da lei e a democracia agradecerá.Que esse dia não seja tardo.