MUDAR TUDO PARA NÃO MUDAR NADA

Como se dizia, lá na minha Pedreiras, chegou a hora da onça beber água. O grau de incertezas, na pátria brasileira está no ápice, creio eu. Nas prateleiras da nossa democracia faltam muitos itens, tais como credibilidade, inteligência, seriedade, comprometimento com o bem público, respeito, mas sobram burrice, falsidade, hipocrisia, desfaçatez, corrupção e malandragens.

Uma ideia corrente, de alguns malandros, é explicar que o problema da corrupção, na política brasileira, é a existência de muitas siglas de aluguel, ou, simplesmente, partidos nanicos.

Uma parte da assertiva é correta. São partidos de ocasião, que se vendem mesmo, se alugam e ideologicamente nada podem acrescentar, visto não terem nada para acrescentar. Contudo, quando observamos a listagem dos corruptos presos, apenados e por apenar, a maioria esmagadora é oriunda de grandes siglas, com o PT imbatível, na saga da corrupção.

Alguém poderá objetar: não estão no mesmo patamar de corrupção, por não terem sido convidados para ela. Pode ser. Não tenho elementos nem para dizer, nem para desdizer essa tese.

A mudança de nome das siglas é outro ponto que se assemelha com a pedra filosofal da antiguidade: muda o nome, muda tudo e todos os problemas estão resolvidos. De novo, malandragem.

No passado, nem tanto recente, já ocorreu. O antigo MDB ganhou um P e virou PMDB. Não me lembro bem, mas parece que a legislação, de então, exigia a palavra “partido”. A velha e carcomida ARENA transformou-se em PDS, depois PFL e, mais depois, DEM. O PRN do Collor virou PTC e o PPB, PP; PRT para PSTU; PSN para PHS e PDC, para PSDC. Sem esquecermos as muitas incorporações, como, por exemplo, o PAN que foi incorporado ao PTB, em 2007.

As perguntas não querem calar. O quê e em que mudou, para nós, brasileiros? Alterou a eficiência? Houve um banho de honestidade em seus integrantes? O corrupto deixou de sê-lo só com a mudança do nome da sigla? É evidente que a mudança do nome dos partidos, independente das justificativas, foram meras malandragens eleitorais.

Mas não parou por aqui. Agora mesmo o PTN tornou-se PODEMOS, o PT do B, cuja principal liderança é o presidiário da Lava Jato Cândido Vaccareza, será AVANTE e as más línguas já perguntam: avançar para qual destino e sobre que pessoas? O PSL chamar-se-á LIVRES e retorna a indagação: livres de quê e de quem?

O leitor, que não é bobo, já entendeu que a mudança de nomes de partidos nada tem a ver com a seriedade de qualquer proposta ou levantar qualquer bandeira séria. Nada, nadica de nada, a não ser um indisfarçável interesse eleitoreiro. Mau, muito mau.

A tal reforma política é outro exemplo catastrófico. Nesse momento, a classe política desfruta do seu maior desgaste. Em uma fictícia disputa, entre a classe política e o presidente Michel Temer, assistiríamos a uma disputa sem vencedor: os dois lados segurariam, juntos, a gloriosa lanterna.

O problema dessa tal reforma política é tanto conceitual, quanto operacional. Como fazer uma reforma de tal envergadura em menos de dois meses? Nesse tempo, não daria certo em nenhum lugar do mundo e, evidente, no Brasil também não dará. O mais importante: como fazer essa reforma, sem ouvir a sociedade? Não foi ouvida e nem será ouvida.

Alguém ensinou que a raposa nunca seria uma boa protetora do galinheiro, do mesmo modo que o lobo jamais será um bom pastor. É a mesma coisa. Como um congre,sso com muitos já na cadeia, 1/3 respondendo a processos e com o passaporte carimbado para a PAPUDA, poderia produzir uma boa reforma política?

Sejamos inteligentes. O instinto mais fundamenta, no ser humano, é o da sobrevivência, qualquer que seja ela: familiar, profissional, emocional, física e, também, política.

Como exigir que um parlamentar, sentindo o perfume da cela, vote algo que ponha em risco o seu mandato? Ou se exigir que o Michel Temer confesse, sem mais e nem menos, que a mala dos 500 era dele ou para ele.

Todas as teses, como distritão, distritinho, fundo público de campanha, diminuição do tempo de campanha, tudo isso e muito mais são discussões com interesses pessoais, grande parte inconfessáveis.

Existem mais balelas: a causa da corrupção é o voto proporcional? Dou um doce para quem provar isso. O corrupto não é concebido pelo tipo de voto que recebe, mas pelo tipo de homem que recebeu o voto. Caso o sujeito seja corrupto, com voto ou sem voto o será.

Finalmente, uma abordagem que a imprensa não falou, não fala, mas que falarei. Em que momento nasceu o PETROLÃO, pai da Lava Jato? Não especulem, que eu respondo: no processo eleitoral. Sendo mais específico: sem a corrupção e desonestidade do eleitor não existiria o político corruptor.

Caso o eleitor não vendesse o seu voto, não fosse levado pelas megacampanhas, pelos megaeventos, as eleições escolheriam os melhores e a representação política seria outra.

Para termos um congresso honesto, necessitamos de um eleitorado honesto. Para termos políticos sérios, necessitamos de eleitores sérios. Político e eleitor são seres indissociáveis, nada mais.

E mais, você não é obrigado a concordar comigo e saiba que o que desejo é que esse texto sirva para alguma reflexão.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *