COMEMORAR O QUÊ?

Nos últimos dias, muitas notícias foram importantes e impactantes, mas nenhuma como o assassinato do ex-prefeito Nenzim, pelo seu próprio filho. Estarrecedor.

O episódio, como não poderia deixar de ser, adquiriu conotações políticas e raciocínios para todos os gostos. A oposição sarneisista, fiel ao seu papel, reclamava providências e. subliminarmente, colocava contornos que envolveriam setores do governo. O velório, antes de ser um ato de fé e piedade cristãs, era um libelo acusatório.

Mas os fatos adquiriram uma dinâmica própria e em menos de 48 horas estava o crime elucidado: o homicídio decorreu do comando do próprio filho. Oposição de armas recolhidas e o governo garganteando vitória.

A imprensa amestrada e servil ao governo, agora, mostra seus préstimos e, repetindo o comando recebido, tratou de mostrar a eficiência policial do estado, comparando o trabalho policial entre a morte do ex-prefeito Nenzim e a do jornalista Décio Sá. Mais ou menos assim: a polícia da senhora Roseana não elucidou a morte de Décio Sá e a polícia do Flavio Dino se mostra absolutamente eficiente, no episódio Nenzim.

Antes de seguir meu raciocínio, cumpre lembrar que não me move nenhum interesse de crítica obtusa contra o governo e contra o secretário Jefferson Portela, inclusive, ele sabe que tenho motivos para elogiá-lo. O caso é análise desprovida de paixões políticas.

A única semelhança entre os homicídios de Décio Sá e Nenzim se resume na palavra homicídio. O resto é diferente e poderia escrever muitas páginas, mas resumirei em um simples argumento: amador não se assemelha a profissional.

O Décio Sá foi morto por profissionais do crime e esse crime tinha tudo para ser indecifrável e, foi tão bem tramado, que hoje nenhum dos acusados está preso e não se sabe nem previsão para julgamento.

Caso o governo da senhora Roseana tenha sido leniente com a morte do Décio Sá, o governo Dino completa três anos e teve tempo suficiente para dar uma resposta, afinal, esse crime tem que ser apurado pelo estado e não por pessoas.

Já o homicídio do ex-prefeito Nenzim foi urdido por um amador do gatilho, um trapalhão do crime, que deixou marcas e evidências tão claras, que seria necessário somente dois neurônios para decifrá-lo. Comparando, seria o Sérgio Cabral do gatilho.

O Sergio Cabral, ex-governador do Rio de Janeiro, é um corrupto tão burro e desastrado que, por onde passou, deixou marcas e facilitou o trabalho policial. O filho do Nenzim foi tão primário, que seria impossível encontrar outro suspeito.

Elogiar a polícia do Maranhão por isso, dando-lhe lauréis de eficiência, chega a ser uma molecagem e esses elogios serão creditados a alguma coisa que não se chama análise jornalística. Caso seja paixão política é defensável. Caso seja bajulação e subserviência, merece nojo e repulsa.

Espero que seja paixão política.