SER PAI E MÃE: PERDA, EMPATE OU GANHO?

O título é, de propósito, provocativo. Parece uma análise na simples ótica do capitalismo, mas não é e, no decorrer dessa abordagem, entenderemos melhor essa provocação.
Inicialmente, sou absolutamente contrário ao endeusamento da paternidade e, muito mais, da maternidade. Na esteira de que existiu uma mãe modelo, chamada Maria, fica quase subentendida a excelência do amor materno, de tal maneira que o amor de mãe, no verso e na prosa, é sempre superior ao amor de pai. Não vejo amparo científico nessa prosódia.
Deve haver ou havido, em algum sítio do planeta, alguém que pudéssemos chamar de melhor mãe e melhor pai de todos os tempos, do mesmo modo que deverá existir ou existido o pior de todos os pais e de todas as mães. Esses dois extremos serão impossíveis de serem nominados.
Entre esses extremos ficamos todos nós e, de novo, uma impossibilidade de se determinar a colocação de cada um de nós nesse ranking, afinal todos somos, pelo menos, filhos. Já fiz essa análise comigo e me dei uma nota altíssima para o filho que fui e outra sofrível para o pai que sou. Tudo pode ser objeto de controvérsias.
Pela Bíblia, os filhos são dádivas de Deus e os pais são responsáveis por eles e esse dever é indeclinável, do mesmo modo que a obediência aos pais determina uma recompensa terrena, no que há da mais importante nos valores humanos: aumento da longevidade.
Observemos alguns esclarecedores textos bíblicos e autoexplicáveis:
* Sl. 128, 3: A tua mulher será como a videira frutífera aos lados de tua casa; os teus filhos como plantas de oliveira ao redor de tua mesa.
* Dt. 6, 6-7: Estas palavras que hoje te ordeno estarão no teu coração. Tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, andando pelo caminho, deitando-te e levantando-te.
* Ef. 6, 1-4: Vós filhos, sede obedientes a vossos paia no Senhor, pois isso é justo. Honra teu pai e tua mãe – que é o primeiro mandamento com promessa – para que te vá bem, e vivas muito tempo na terra. E vós, pais, não provoqueis a ira de vossos filhos, mas criai-os na disciplina e instrução do Senhor.
* Col. 3, 21: Vós, pais, não irriteis a vossos filhos, para que não percam o ânimo.
* Pv. 22, 15: A astultícia está ligada ao coração do menino, mas a vara da disciplina a afugentará dela.
* Pv. 22, 6: Instrui a criança no caminho em que deve andar e mesmo quando for velho não se desviará dele.
* Pv. 23, 13-14: Não retires a disciplina da criança; porque , se a fustigares com a vara, nem por isso morrerá. Tu a fustigarás com a vara, e livrarás a sua alma do inferno.
* Pv. 29, 15: A vara da correção dá sabedoria, mas a criança entregue a si mesma envergonha a sua mãe.
* Pv. 13, 24: O que retém a vara odeia a seu filho, mas o que o ama a seu tempo disciplina.
* Hb. 12, 6-7: Porque o Senhor corrige a quem ama, e açoita a todo que recebe como filho. É para a disciplina que suportais a correção; Deus vos ama como a filhos. Pois que filho há a quem o pai não corrige?
* Pv. 30: 17: Os olhos que zombam do pai, ou desprezam a obediência da mãe, os corvos do vale os arrancarão e filhotes de águia os comerão
* Pv. 15,20: O filho sábio dá alegria a seu pai, mas o filho sem juízo despreza a sua mãe.
Em nenhum local da Bíblia existe alguma determinação de que devemos cuidar dos nossos filhos para que eles sejam obrigados a nos dar uma retribuição. Inclusive a Bíblia diz que “deixará o seu pai e a sua mãe e se unirá a sua mulher”.(Gn. 2, 24 e Ef. 5, 31)
Não há, também, recomendação para que determinemos e obriguemos os nossos filhos a escolherem caminhos que não lhe são agradáveis. A recomendação é singela e clara: ensina o caminho em que deve andar e, mesmo quando velho, não se desviará dele. Ensinar o caminho não é escolher o destino.
Um dia, na marcha habitual da vida, o seu filho estará longe de você e isso não quer dizer perda. Poderá estar próximo de você e não significa empate; estará junto de você e isso não é determinante de vitória.
A vitória parenteral é bem distinta da proximidade ou obtenção de benefícios financeiros que um filho pode proporcionar. A vitória plena de um pai é descobrir que o seu filho está preparado para a vida, independente da sua existência.
Isso determina uma das melhores satisfações de um ser humano: a sensação do dever cumprido. Teve um camarada, pelas bandas de Israel, que bem descreveu essa sensação plena de vitória. Disse ele: combati o bom combate, terminei a carreira e guardei a fé. (2 Tm. 4,7)
Quando essa afirmação for verdadeira em cada pai e em cada mãe, o mundo será outro. O maior problema da sociedade não é desigualdade, pouca educação, discriminação, pobreza, sexualidade, desemprego ou coisas semelhantes. O maior problema é que diminui, a cada dia, o número de pais que podem dizer, em relação a criação dos seus filhos: combati o bom combate…
Vejo centenas de exemplos em que nem existiu o combate, imagine o bom combate. É o fim!