FALTAM ALGEMAS E SOBRAM OS OUTROS

FALTAM ALGEMAS E SOBRAM OS OUTROS

João Melo e Sousa Bentivi

Não queria ser Jair Bolsonaro. Tem sido fiel ao discurso de campanha, principalmente em favor de uma “nova política”, abjurando o toma lá, dá cá, premiando a competência em todos os escalões.

Esperava-se que a renovação facilitaria um novo momento político. Ledo engano. A renovação de caras não significa renovação de comportamentos e o Congresso, salvo exceções de praxe, continua o mesmo. Vergonhoso.

Capitaneando a achaque explícito, está um tal Rodrigo Maia, escorregadio, tergiversando e escondendo as armadilhas em jogo de palavras, manobra para tudo continuar como antes, no quartel de Abrantes.

O mantra é imoral: o presidente tem que negociar. O que seria, realmente, negociar no linguajar desses cretinos? Seria o desejo de melhorar o Brasil? Seria o combate a corrupção, pelos poderes da República? Seria a saúde orçamentária da nação, sem a qual não haverá o crescimento e progresso?

Nada disso. Negociar, no linguajar dessa horda, são emendas parlamentares de resultados duvidosos, não votar uma legislação mais dura com o crime, são nomeações de amigos e apaniguados, facilidades para o desvio de recursos, etc.

Para que não pairem dúvidas, a aprovação da PEC da imposição da execução do orçamento pelo governo federal não tem um til de patriotismo e representa um verdadeiro achaque, à luz do dia, à frente de todos, com o aplauso de grande parte da imprensa.

A partir de agora o futuro é incerto, ou o presidente capitula e se entrega, ou resiste. Não é fácil resistir, inclusive porque a resistência pressupõe uma absoluta unidade dos seus aliados e o exército de Bolsonaro, há mais de três meses bate cabeça e dá trombadas.

Tenho tristeza, pelo meu Brasil e, repito, não queria ser Jair Bolsonaro.

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