BELO FIM DE PERÍODO

Após mais de 40 anos de magistério, poderia pensar que não ocorreria mais nenhuma novidade. Poderia, pois sempre entendo que ser professor sempre envolve uma carga extrema de emoção e surpresas.

Há muito tempo escrevi uma crônica, na qual dizia que “ninguém se torna professor, mas nasce professor”. Os que tentam se transformar em mestres, podem até ensinar, mas sempre estarão no lugar errado.

Na semana passada tive mais um dia emocionante: a aula final da turma M20, da Universidade Ceuma, na disciplina que orgulhosamente ministro, há 15 anos: Medicina Legal e Bioética.

O motivo da emoção não foi a disciplina, mas os alunos. Em resumo, posso dizer que trata-se de uma safra de bons valores. Algum poderá argumentar: safra? Sim, safra. Não há metáfora melhor que comparar alunos a frutos de uma árvore. Essa grande árvore é o conhecimento, os galhos são as carreiras e os frutos são os alunos. Nós, professores, somente cuidamos dessa árvore.

A safra da M20 é muito boa. Repito. A felicidade foi contribuir com uma parte pequena do seu adubo. A colheita está próxima e o Brasil vai agradecer. Parabéns M20, parabéns Curso de Medicina da Universidade Ceuma.

 

MOISÉS ABÍLIO

 

No dia 28.04, no espaço AMEI, Livraria do Escritor Maranhense, tivemos o 26° SARAU DE ATHENAS, evento costumeiro da ACADEMIA ATHENIENSE DE LETRAS E ARTES (academia primeira de São Luís).

Mas não foi costumeiro, por um motivo especial: homenageamos a memória do poeta Moisés Abílio, que naquele dia nos deixou de maneira definitiva. Foram momentos de rara grandeza.

Moisés Abílio, menino pobre de São Luís, negro, estudante de escola pública, tinha grandes oportunidades de não dar certo. Deu certo.

Na sua primeira investida poética, o diretor da Escola Modelo o aconselhou a deixar “essa história de poesia” e ser guardador de carros. Desobedeceu e transformou-se em um dos mais laureados poetas maranhenses. Além do mais, coroou-se de milhares de amigos e construiu uma bela família.

Radicou-se em Pedreiras, minha terra natal, e Pedreiras o recebeu como um dos seus filhos, ao ponto de ser um dos fundadores da Academia Pedreirense de Letras e eu, com muito orgulho, também sou dessa academia, pelo convite que me fez o Moisés Abílio.

Na sua poesia, Moisés Abílio cantou os amores, as desilusões, a luta contra a discriminação, a fé, a defesa intransigente do meio ambiente, sua São Luís e sua Pedreiras, transitou por João do Vale e outros vates pedreirenses e pensou no mundo. Foi um poeta universal.

No sarau em sua homenagem, cantamos a alegria, seguindo o conselho dos velhos amigos Nelson Cavaquinho/Cartola, quando falavam de sua Mangueira. A Mangueira de Moisés Abílio é aqui no Maranhão. É o Maranhão:

“Em Mangueira, quando morre um poeta todos choram

Vivo tranquilo em mangueira porque

Sei que alguém há de chorar quando eu morrer

Mas o pranto em Mangueira

É tão diferente

É um pranto sem lenço

Que alegra a gente

Hei de ter um alguém a chorar por mim

Através de um pandeiro ou de um tamborim.”

Na homenagem prestada ao nosso Moisés Abílio só não teve tamborim, mas sobrou poesia.

Receba, poeta Moisés Abílio, as homenagens eternas da ACADEMIA ATHENIENSE DE LETRAS E ARTES (Academia primeira de São Luís)

FOTOS E VÍDEOS DO SARAU DE ATHENAS, EM HOMENAGEM AO POETA MOISÉS ABÍLIO