DINO E ROSEANA: A INVERSÃO DA FÊNIX

A figura mitológica da fênix nos leva para os rumos da imortalidade, em quaisquer de suas versões. Essa lenda saiu do Egito, foi para a Grécia e depois para o mundo. Dizem que a história se repete como comédia ou tragédia, e eu digo que as lendas também. Por isso deixo, para você, leitor, essa conclusão.

Há dois anos terminava o governo da senhora Roseana Sarney e ungido estava, pelo povo do Maranhão, eu incluso, o senhor Flávio Dino. O discurso oficial e oficioso era do extermínio definitivo do sarneisismo e outras coisas piores. Dona Roseana, em tão maus lençóis, exilou-se na Flórida e com justa razão: seria vaiada até em velório ou culto de Santa Ceia.

Todos, então, esperávamos a revolução administrativa, política e de costumes, oriunda da foice e do martelo. Algumas revoluções apareceram e uma das mais marcantes foi a que determinou a cor vermelha para as unidades de saúde do estado, ainda que o atendimento tenha, de fato, piorado. Não evoluiu na saúde, mas a vermelhidão hospitalar foi uma revolução, admita-se.

O sarneisismo, nos primeiros dias, fingia-se de morto, excetuando a deputada Andrea Murad, que fiel ao estilo paterno, posicionou-se argumentativamente contra o governo comunista. A orientação, do chefe-mor, José Sarney, creio, foi de se esperar para ver no que vai dar. Esperaram pouco.

Assistiu-se muita repetição do passado e pouca inovação do futuro e quem fazia-se de morto começou ter a audácia de apresentar-se vivo. A banda do eu sozinho da senhora Andrea Murad passou a ter novo quorum e o time dos insatisfeitos (mortos de medo), cresce nos bastidores e, como os conhecemos, esperam uma oportunidade de vingança.

Entrementes, o governo Dino, nesses mais de dois anos, só teve um inimigo declarado: Ricardo Murad. É muito pouco. É muito poder contra uma pessoa que não tem mandato e nem uma prefeitura, sequer, para lhe dar sustentação política. Nessa guerra particular, contra o senhor Ricardo Murad, parece até que o Ricardo Murad era o governador do Maranhão. Pelo sim e pelo não, a senhora Roseana Sarney é preservada, ao máximo, pelo governo e mídia dinista. Por quê?

Não me interessa responder agora. Mas o efeito político dessa postura governamental rendeu resultados. A antes exilada e escorraçada Roseana, hoje se apresenta eleitoralmente lépida e fagueira. Na campanha municipal subiu em palanques e foi ovacionada. Quando se apresenta em público, a senhora Roseana dá autógrafos e é rainha das selfs.

A internet mostra o fato com vídeos, slogans e músicas em um tal movimento de “volta Roseana”. Como a Lava Jato dificilmente albergará a ex-governadora, ela, nesse momento, é um fato político relevante, talvez sua única preocupação responda pelo nome da juiza Oriana.

Ainda não creio na viabilidade majoritária da senhora Roseana Sarney, mas ela está tão à vontade, que pode escolher ser deputada federal com certeza com uma votação tão exuberante, que ressuscitaria e levaria muitos outros seus companheiros, no seu alforje.

Na última semana fez até ameaças: se me cutucarem serei candidata a governadora. Blefe ou não, demonstra estar muito à vontade. E caso opte, realmente, por uma candidatura ao governo, com a presença de mais dois outros postulantes, estaria consolidado o segundo turno.

O chefe-mor, José Sarney, cutuca o governador Dino dominicalmente. Não tem sono e nem estafa, em frente ao seu telescópio político. A situação nacional não é boa para Dino e nem para as esquerdas, de modo geral. Muitos falam do equívoco do apoio político para Dylma, no passado, e a provável perda do PSDB maranhense nesse pleito.

O melhor mundo para Dino é a falta de adversários, ainda. O pior, o relativo desgastes popular, que as pesquisas de encomenda teimam em negar e a possibilidade de se formatar uma real oposição. A insatisfação, à boca pequena, de dezenas de políticos da base governista estimula os sonhos e as traições, alhures. Muitas já estão gestadas e basta um pré-natal bem feito para nascerem. O velho Sarney é doutor nesse tipo de pré-natal.

O governador Dino está perdido? Reitero: não. Tem muita gordura política e seguramente é o pole position no certame. Mas poderia estar muito melhor e, ninguém duvide, a ressurreição política da senhora Roseana é um problema e ainda pode lhe criar outros problemas. Basta que ela mate a teimosia e passe a ouvir quem entende do riscado, ou seja, seu pai.

Com ele, qualquer distração é perigosa.

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