PONTO ZERO

Hoje é um dia especial e não esqueço que tive muitos e muitos dias especiais, aliás, todos os dias o são, mas na nossa visão mais terrena, diferenciamos datas e diferenciamos dias. Esse 19.03.17 é, de fato, especial.

Retorno ao jornalismo, agora nas ondas de um programa de rádio e através de um blog. A rádio que abriu as portas e me deu essa oportunidade é a Radio Capital AM, 1180, aos domingos das oito às nove da manhã e no Blog João Bentivi (joaobentivi.com.br – João Bentivi|Janela Livre). Tanto no rádio, quanto no blog exporei a minha opinião sobre assuntos vários, sem medo de errar, mas com a certeza de dizer a mais nítida verdade possível. A minha verdade.

Tenho fartura de bênçãos divinas e o porquê desse fato não me interessa, a tal ponto que nunca perguntei ao meu Deus. Desse modo, são várias atividades em um só homem, como se muitos homens constituíssem um só. Eu. Sou impossibilitado de dizer em que atividade tenho mais prazer, pois em todas me realizo e não acuso enfado. Alguém falou, por aí, que quem faz o que gosta, está sempre de férias. A ser verdade, tenho férias muito bem pagas.

Convivem em mim três graduações: medicina, jornalismo e direito e isso, durante muito tempo, me incomodou. Não as graduações, porém a imbecilidade alhures, que me fez e ainda me faz ouvir essa seta sibilina de beocidade: afinal, queres ser médico, jornalista ou advogado.

A resposta que dei e ainda dou não a porei aqui, nesse momento de vivas. Não cabe. Mas é interessante conviver harmonicamente, em mim, com o médico, com o jornalista e com o advogado. Deixo de retratar o professor e o músico, bem como o craque de futebol, do passado.

Os três profissionais citados possuem semelhanças e muitas diferenças e não tenho espaço para discorrer sobre todas, porém caberá um resumo. Na semelhança, todos procuram, de igual modo, a verdade. A diferença está na perseguição desse objetivo.

O médico, tem mais verdades prontas, é mais repetitivo em seus atos e obedece a rotinas e protocolos. Às vezes, acho que os protocolos ferem a visão linda de Hipócrates de que não há doenças e, sim, doentes. EM uma falsa certeza de infalibilidade, alguns médicos carregam um acentuado conteúdo de onipotência, tendo dificuldades, inclusive, de admitir seus erros e falhas.

O advogado tem dentro de si que não há verdade e sim verdades. A verdade é, portanto, múltipla. O fato é o mesmo, mas na hora que esse fato determina o nascimento de uma lide, haverá, pelo menos, duas verdades. Acusação e defesa, por definição, não podem olhar o mundo com as mesmas lentes. Os operadores do direito, gostam de frases prontas, tal como essa, o que não está nos autos, não está no mundo. Sempre me pergunto: será se o mundo sempre estará nos autos?

O jornalista, para ser bom jornalista, tem que desacreditar em todas as verdades. A crença sem análise destrói qualquer jornalista. Ele pode até se achar jornalista, mas será um mero repetidor de versões, que quase sempre não serão suas, mas de outrens.

O jornalista não respeita as limitações do tempo em passado, presente e futuro. O fato passado nunca será inerte para o jornalismo. Poderá merecer releituras, reanálises, agregação de novos elementos e informações, de tal modo que, às vezes, ficamos embobecidos por nunca termos pensado em algo, que estava tão claro e evidente e passou ao largo de todas as observações anteriores

O fato presente é a matéria do dia a dia do jornalista. Como cidadão do seu tempo, o jornalista não pode e não deve ser imparcial: tem que ter lado, seja ideológico, religioso, político, classista ou coisa mais que o valha. Não pode é ser irresponsável, leviano ou vender a sua opinião.

Entretanto o jornalista vai mais além, pode prever o futuro. Médico e advogado são atividades de meio e não de resultados. Prometem usar suas potencialidades e qualidades em funçõ de algo ou alguém, mas o advogado estará sempre dependente da ndecisão de um juizn e os médicos da mão natureza. O jornalista pode prever o futuro sem constrangimento, já que não tem nenhuma obrigatoriedade em acertá-lo.

Aqui, nesse momento, nessa empreitada de radialista e blogueiro, sou, orgulhosamente, o jornalista. De tudo que vivi, que vi, que li e aprendi usarei um pouco ao emitir a minha opinião. A minha posição será absolutamente clara, sem medo de sustentar as divergências, com quem quer que seja.

Defendo, intransigente, a família, as tradições da sociedade, sem as quais inexistiria a segurança social. Defendo os conceitos e ensinamentos da Bíblia, sem os quais não creio que a humanidade tenha prosperidade e futuro. Defendo o estado democrático de direito, arquétipo maior da convivência entre todos nós. Defendo o direito salutar e necessário da discordância política, religiosa e ideológica, um bom caminho para a descoberta de saudáveis objetivos para os homens.

Leia, acompanhe e reflita sobre o conteúdo desse blog, também nos acompanhe na Rádio Capital AM, todos os domingos, das oito às nove. Aprenderemos juntos: eu e você e você e eu, juntos na mesma realidade.

26 pensou em “PONTO ZERO

  1. BEM , ANTES DE MAIS NADA, DESEJO-TE SUCESSO NESSA NOVA EMPREITADA . E , PARA COMEÇO DE CONVERSA, QUAL SERÁ TUA RELAÇÃO COM O CORONEL ROBERTO ROCHA, SERÁ FUNCIONÁRIO DELE OU PAGARÁ PELO USO DA RÁDIO ? LEMBRO AO AMIGO QUE O DITO- CUJO TEM FAMA DE MAL PAGADOR, ALÉM DE OUTROS ATRIBUTOS NEGATIVOS …

    • Tenho amizade com o senador Roberto Rocha, há muito tempo e vejo entre nós pontos de concordância e discordância. Nada mais que natural. Há muito sou um colaborador costumeiro dos programas da Rádio Capital, com absoluta liberdade. Agora sou arrendatário de uma hora semanal e entre mim e o senador inexiste qualquer acordo político para o fato, o que não significará que, no futuro, tenhamos convergência ou divergência na caminhada política. Hoje, quero frisar, sou pura e simplesmente um jornalista

  2. Que bom e maravilhoso Dr. João de Melo Bentivi, O senhor ter retornado à trincheira da comunicação maranhense. De foto, os meus parabéns!!!!!
    Não somente eu, mas tantos outros ávidos leitores e ouvintes temos muito a aprende e reaprender com a sua experiência e sua intelectualidade que são, diga-se de passagem, riquíssimas. Os meus parabéns!!!!!!!!

  3. meu amigo, desejo grande sucesso nesse recomeço.
    Ostente e seja visto…O que não é visto é como se não existisse…Foi a LUZ que DEU BRILHO A TODA A CRIAÇÃO. A exibição preenche os espaços vazios, encobre as deficiências , e faz tudo se renascer, especialmente se apoiada pelo mérito autêntico”.(Baltazar Gracián, 1601 -1658)

  4. Meu caro amigo Bentivi, tens todo o meu apoio e orações. Siga em frente na força que Deus supre, sabendo que é a graça de Jesus Cristo que te faz prosperar e avançar nos escaninhos do saber, pois todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão escondidos Nele.
    Muito sábia a sua explicação sobre as três formações, de médico, advogado e jornalista. De fato não há incongruências, só precisa ter foco, e achaste o principal: a verdade, ou a sua busca, sem medos ou preconceitos.
    Que a graça do Senhor seja sobre a tua vida e confirme Ele as obras de tuas mãos.
    Pr. Benjamin de Souza

  5. Seja bem vindo professor, terei prazer em ler seus posts, sou admiradora de sua forma de dedebater política com inteligência e pensamento de quem sabe onde o vento é mais favorável.

  6. É gostoso responder, mas se é para uma filha inteligente, linda, psicóloga, mestra, doutoranda e professora universitária, a resposta se torna um néctar de felicidade. Beijos, minha filha

  7. Parabéns! Sucesso!. Tenho certeza de que serás um diferencial no jornalismo do Maranhão, um cenário em que prevalece um jornalismo partidarizado, uma condição que o limita, posto que o Jornalismo é, sem dúvida, político, porém quando partidarizado, torna-se maniqueísta, em narrativas recheadas de “mocinhos/as” e “bandidos/as”. Nesse contexto, o plural, o contraditório, os diversos ângulos de um fato cedem espaço ao jogo de versões que não informam tampouco possibilitam esclarecimento e conhecimento ao público.
    Sei que abrirás tuas asas e acolherás o contraditório, o que não foi, não é dito.
    Daqui, fico curtindo a tua coragem e torcendo por ti, como sempre.

    • Minha amada irmã, és a maior testemunha de minha vida e sabes que, quando penso em minhas ações e direcionamentos do meu viver, és sempre um fator a considerar. Necessito do apoio de tantas mulheres poderosas: és uma proeminente, juntamente a outras que são minhas filhas Janaina, Daiane, Maiara e minha sogra Lenir. Essa volta ao jornalismo precisa sempre de tua análise e de tua moderação. Um beijo, mana

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