PEDREIRAS EM FESTA

PEDREIRAS EM FESTA

Volto a Pedreiras nessa sexta. O motivo é de relevância absoluta e ultrapassa gerações: o rio Mearim. Esse rio tem importância múltipla, incontável, mais começaria por uma: é parte do imaginário popular dos pedreirenses.

A minha geração teve, no rio Mearim, imensidade de sonhos e pletora de prazeres possíveis. Estou a ver-me em suas margens, atravessando-o a nados, brincando de cangapé (nem sei se hoje alguém sabe o que é isso), levado no banzeiro das águas com a passagem das lanchas de motor, acompanhando os batelões (nem sei se hoje alguém sabe o que é isso) puxados pelas lanchas, entre outas. Às suas margens nasciam muitas espécies vegetais, incluindo erva-cidreira e capim-limão, de cujos chás ninguém prescindiria, então.

As suas águas serviam para o banho e para o alimento. Eram tão limpas que no máximo eram cuadas para retirada de galhos e gravetos, nem sabia eu o que era filtro de água, quanto mais água mineral: as águas do Mearim eram minerais. Sim, pela limpeza.

As gerações de hoje, talvez nunca tenham tocado nas suas águas. A minha geração fazia do Mearim, aos finais de semana, absoluta área de lazer. Naqueles tempos, o único perigo desse rio era afogar um ou outro afoito, culpa do afoito. Agora, praticamente perdeu, pela carência de águas, a capacidade de afogar alguém, mas, infelizmente, pelo destrato e agressões sofridas, tem a capacidade de matar, por contaminação, gerações inteiras.

Que saudades eu tenho do tempo em que o meu rio Mearim produzia afogados.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *