IMPERMEABILIDADE DIABÓLICA

IMPERMEABILIDADE DIABÓLICA

A questão ambiental da cidade de São Luís, com certeza, entre todas, é a mais preocupante. Quando fui diretor do IMCA, hoje Secretaria de Meio Ambiente, sonhei e lutei pela mudança do status quo. Tive avanços e muitas decepções.

O governo do qual fazia parte não tinha uma veia ambientalista sequer, mas mesmo assim, com todas as intempéries, conseguimos, após três plenárias, apresentar a primeira proposta de um Código Ambiental, para nossa cidade, que veio a ser realidade anos depois.

Durante a Conferência Mundial de Meio Ambiente em Johannesburg, África do Sul, levamos um inventário de nossa maior problemática ambiental, o rio Anil. Apresentamos para centenas de organismos internacionais, com destaque para a Yale University e para a Universidade de Pretória.

A Universidade de Pretória mandou um dos seus cientistas para mostrar um ambicioso processo de despoluição de pântanos e tanto a Lagoa da Jansen, quanto o rio Anil estão na condição de pântanos. Quanto a Yale, a universidade americana, por seu reitor, assinou comigo um protocolo de intenções que colocaria a cidade de São Luís como escala na preparação de seus alunos, em meio ambiente. Dependia somente do prefeito da cidade tomar um avião e assinar o acordo. Ele nunca conseguiu embarcar, eu me afastei do cargo e o antigo IMCA, agora Secretaria Municipal de Meio Ambiente, voltou para a inércia, para mantém a sua perfeita constância administrativa: não faz nada.

Essa introdução, a faço, devido uma preocupação que a cada dia se torna, em mim, angústia: a impermeabilização do solo de São Luís.

Evidente que o desenvolvimento, com avenidas e construções de todo tipo, obrigatoriamente promoverá a impermeabilização, por asfalto ou cimento. O problema é que, sem política ambiental, não existe critérios e aí está o perigo: o descontrole sem retorno.

A construção civil é um monstro com dupla face, ao mesmo tempo que emprega, destrói. Esse Programa Minha Casa Minha Vida não respeitou nada, em meio ambiente, até nascentes foram incorporadas. Como estamos em uma ilha, a cada dia, o que resta de terra livre sofre ameaça e fica cada vez mais difícil resistir a tentação da especulação imobiliária.

As maiores vítimas somos todos nós e as maiores investidas são contra os clubes e associações. Alguns desapareceram sem direito a velório ou missa, como o antigo Clube Jaguarema. Outros como o Lítero, por decisões de colegiados, se foram e outros, como o antigo Cassino, nem sei porque morreu. A Associação dos Funcionários do SIOGE, foi-se embora. Esses são exemplos de dezenas de associações e clubes que já feneceram.

A questão é que cada um desses entes, ao morrerem, levam uma área verde, de lazer e de recarga hídrica. Na semana passada conversei com o presidente de um clube histórico e tradicional de São Luís, que está em negociação com uma construtora, que construirá um grande condomínio. Dizia ele, doutor é impossível manter essa estrutura. O IPTU é impagável, as despesas administrativas enormes, para ter uma música ao vivo, pagamos um tal ECAD, a piscina nos obriga a pagar uma taxa do Corpo de Bombeiros e os associados, com dificuldade para manter o clube, sonham com a venda, para receber uma ponta.

O que tem a ver esse fato com a nossa prefeitura? Muito. O poder público deveria ter políticas que estimulassem não somente os clubes, mas cada cidadão que resolvesse manter o verde em cada residência, por exemplo.

Assim, a cada dia o problema se avoluma e a solução não aparece. Você, leitor, acredita que vai mudar, nos próximos trẽs anos, pelo menos?

Caso acredite, peço que me traga um gorro de Papai Noel, lá da Lapônia.

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