O EVANGÉLICO E A GESTÃO PÚBLICA

Quando se tratar de qualquer assunto sobre evangélicos, tenho autoridade intelectual, moral e até genética para tratar do assunto. Sou terceira geração de uma família de assembleianos, que já está chegando aos cem anos de conversão. Creio que já ultrapassamos, há muito, os mil “Bentivis” e estamos próximos da décima geração. Na condição de liderança familiar, ouso afirmar que não existe um só Bentivi sem conhecer o evangelho e, no máximo, ele não é congregado.

Essa introdução a faço para adentrar em uma areia movediça, chamada evangélico e gestão pública. É assunto para livros e aqui nesse blog irei abordá-lo muitas vezes, porém hoje quero voltar-me para duas prefeituras, administradas por evangélicos: Rio de Janeiro e São Luís. Ah! Areia movediça porque posso estar arrumando uma bela confusão com alguns fundamentalistas. Nada demais, quanto mais fundamentalista, mais irracional. Não vão mudar: continuarão fundamentalistas.

O foco é o mesmo. Crivela suprimiu metade da verba do carnaval e Holanda parece querer distância de um cabra chamado São João. Está certo? Errado? Vejamos alguns argumentos.

O administrador público jamais deve se comportar como líder religioso. Na hora em que essas duas facetas se misturam, teremos regime dos aiatolás (Irã), Estado Islâmico, ou coisa semelhante. Caso alguém, em um regime democrático e plural, como o nosso, deseje impor sua religiosidade, deveria, inicialmente, durante a campanha eleitoral, avisar ao povo dessa decisão administrativa.

Imaginem Crivela, no debate eleitoral, afirmando que o carnaval carioca teria restrições administrativas. Ou Holanda, no programa da boieira Helena Leite, informando que boi só é bom no açougue e que dançar boi seria pecado. Vou repetir, Crivela pode odiar o carnaval e Holanda nunca ter assoviado uma toada, mas como prefeitos possuem o dever de tratar, tanto carnaval, como boi, através da ótica administrativa e jamais pelas lentes da religiosidade, mas se tivesses feito essas restrições, durante a campanha, certamente não teriam logrado êxito.

Quando os fariseus vagabundos quiseram sacanear, o Mestre disse a frase lapidar, que muitos administradores evangélicos teimam em não entender: dai a César o que é de César e a Deus o que é de Deus. (Mt 22:21, Mc 12:17 e Lc 20:25)

Nos três textos, Jesus pergunta: de quem é a efígie e a inscrição na moeda? Responderam: de César. Perguntaria ao Crivela: de quem é o carnaval, da Igreja Universal ou da cidade do Rio? Ao Holanda, de quem é o Bumba-meu-boi, da cultura maranhense ou da Igreja Batista? Até Deus diria que, respectivamente, são do povo do Rio de Janeiro e do povo maranhense.

O voto nas urnas não transforma ninguém em líder religioso, mas em líder popular. Eleger-se com votos teístas, ateus, machistas, feministas, gays, inteligentes, ignorantes, educados, grossos e etc obrigam o eleito a olhar de igual modo a todos os segmentos e isso não implica que o governante vá concordar com as práticas de cada grupo. Não. A Bíblia diz que cada um dará conta de si mesmo a Deus. Essa Bíblia continua valendo.

Essas atitudes de políticos evangélicos impondo convicções religiosas, em atitudes de governo, é a mesma dos islâmicos radicais ao me tratar como um “infiel”. Esses, podem me matar, aqueles, suprimem os meus direitos. Ambos são igualmente usurpadores. Mas há uma diferença, os islâmicos, em regra, chegam ao poder pela força e os nossos radicais religiosos chegam ao poder pelo voto, mesclado com engano, disfarce e mentira. São mais abjetos.

Finalmente, um lembrete, a verba do carnaval e o repasse para as brincadeiras juninas não estão elencadas em nenhum versículo da Bíblia, com a descrição de pecado, afinal, no “amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo, como a si mesmo” não há nenhuma referência contra o carnaval ou contra o Bumba-meu-boi.

FAST NEWS 1:

Permitam-me uma grosseria: essa viagem do Temer foi uma merda! Fedor pra todo lado. Primeiro, inconveniente. O mundo pegando fogo no quintal e o sujeito procurando bombeiro na Rússia e Noruega.

Segundo, o show de amadorismo. Um Itamaraty abastecido de neófitos foi um espetáculo de deprimências e até o banquete, boca livre, não tinha convidados. Na Rússia, Temer foi recebido por funcionário do segundo escalão, na Noruega, pegou um pito em escala global, só faltou aquela senhora dar umas palmadas no tal Temer e esse Temer, trocando tudo, tropeçando nas ideias, só faltou trocar as palavras na velha frase “obra de arte do mestre Picaço”.

Espero que ele não viaje mais e, se o fizer, que seja para a Papuda.

3 pensou em “O EVANGÉLICO E A GESTÃO PÚBLICA

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *