NÃO HÁ CORRUPTO SOLITÁRIO

Brasil, com a Lava Jato, tem um dos seus maiores divisores de águas da história e acho que só perde para a declaração da independência, por D. Pedro I. Apesar do ceticismo e descrença de muitos, ao final (nem sabemos se haverá final?) submergiremos como uma nação melhor. Creio.

É lugar-comum a afirmação de que a corrupção nasceu juntamente com o Brasil, nos idos de Cabral e, por muitas e muitas vezes, ouvi que a corrupção era resultado da nossa colonização portuguesa. Uma grande mentira e uma maneira de colocarmos em outros, as nossas culpas. Caso o Brasil quisesse aprender com Portugal, deveria ser um país muito sério, pois na nação portuguesa jamais vicejaria uma quadrilha como essas tantas que estão sendo desmascaradas. De Gaulle não diria, nunca, que Portugal não seria um país sério. Sobre o Brasil, afirmou.

Para aqueles de culpam os irmãos portugueses, quero informar que tivemos dois imperadores e sobre eles nunca houve uma linha sequer que apontasse uma só medida corruptiva. Pedro I viajou, deixou o filho aos cuidados de bons brasileiros e Pedro II foi, de fato, um bom brasileiro, um cientista, um estadista, que foi trocado por um tosco militar, denominado Deodoro da Fonseca.

Não há espaço para uma revisão da história dessa república, mas, se tivéssemos a monarquia, nunca teríamos dirigentes da estirpe de um Lula, uma Dylma ou um Temer, entre tantos com iguais desqualidades.

Voltemos ao foco da discussão. A lei brasileira é muito ciosa, no processo penal, no que diz respeito a individualização da culpa. Não pode haver dúvidas sobre a participação e contribuição do réu, no crime e, para ser explícito muito mais, no penal, a morte do réu, por exemplo, extingue a pena, independente da gravidade do ato criminoso.

Na Lava Jato começam a pipocar aqui e acolá, que o fato criminoso ultrapassou o indivíduo e se tornou de natureza grupal e familiar. Veja-se o caso do ex-presidente Lula. Está claro, em muitas de suas declarações, afirma que a finada dona Marisa foi quem praticou o ilícito, de tal forma que sobra uma grande dúvida: dona Marisa escorregou na jaca da corrupção ou esse Lula, além de ladrão, também é um péssimo marido? Particularmente, entendo que nele convivem essas duas qualidades.

Muito antes da Lava Jato, já dizia que uma das poucas coisas que a solidão permite é a masturbação, mas note-se que essa solidão física não é solidão mental. O pensamento, nesse momento de êxtase individual, transita entre seres e imagens que nunca serão ou poderão ser descritas.

O ladrão solitário termina no furto de roupas nos varais, quando se mete a furtar um eletro- doméstico, um fogão, uma geladeira, com certeza precisa de companhia.

Como imaginar que um Gedel, com aqueles 51 milhões encaixados e enmalados, tenha feito essa operação sozinho? Como imaginar que tenha uma só pessoa arrecadado tanto dinheiro? A quadrilha do PT, do PMDB, do PP, por exemplo, era conhecida por todos os políticos, ainda que tivessem um mínimo de inserção política.

Não há segredo na política e nem na corrupção.

Os acordos políticos, sérios ou escusos , são feitos de maneira verbal, tal como a corrupção, venda de drogas e semelhantes. Repito, são feitas sem documentação, mas nunca em segredo: alguém sempre saberá da falcatrua.

Muitos são capazes de esconder a pobreza, mas ninguém esconderá poder e riqueza. Basta somente um olhar crítico e inteligente sobre a vida de um corrupto e o rei, ou melhor, o corrupto estará à mostra. Nas sociedades sérias, o teu vizinho ou o teu colega de serviço é o teu maior vigia.

No Brasil, aqueles que deviam ter olhos de lince para o crime: polícia, órgãos governamentais e ministério público são, em regra, de uma preguiça exasperante. Um exemplo: pou

cos Tribunais de Contas estão sob investigação. Salvo engano, dois tribunais. A pergunta que não quer calar é: os outros TCEs, Brasil a dentro, são mares de honestidade? Com você, leitor e ouvinte, a resposta.

Outro aspecto tem me deixado com inaudito incômodo é essa afirmação costumeira na boca dos esquerdistas, de que a corrupção tem causa na pobreza e baixa escolaridade. Dou um doce de goiaba para quem provar esse disparate.

Era pobre e não poderia ter nascido rico e o que mais conheci foi pobre honesto. O pobre mais honesto que conheci, inclusive, estava muito próximo: meu pai, José Chaves Ferreira Bentivi.

Açougueiro, em Pedreiras, por mais de 40 anos, a sua balança era o INMETRO do mercado. Qualquer dúvida e a pessoa procurava o seu açougue: seu Bentivi, veja se isso é um quilo mesmo? A palavra de papai era lei.

Em nossa casa, raramente era permitido ir para a casa dos outros, ninguém poderia contar histórias ouvidas nas casas alheias (era assim que mamaãe chamava), achar qualquer coisa na rua nem pensar. Tomava-se benção para todos os mais velhos e o olhar de mamãe era um compêndio severo, que todos líamos com extrema facilidade. Numa casa dessa, não haveria lugar para corrupção.

Olhemos agora para os nossos corruptos mais em evidência e fica difícil nominá-los pela abundância de números. Uma pequena amostra: Lula, Aécio, Temer, Gedel, Dylma, Renan, Cabral, Gleise, Collor, etc.

Algum desses teve problema com a escolaridade? Nenhum. Todos são letrados, com curso superior e até pós-graduações, mas empregaram todo esse conhecimento na senda do crime. Mais ainda, as famílias desses corruptos participavam do botim. Uns de maneira escancarada, como a mulher do Sergio Cabral e outros de maneira sorrateira, como os familiares do Eduardo Cunha.

Imagine você, meu ouvinte, ganhando o famoso e suado salário mínimo, chegasse em sua casa com 20 mil reais. Haveria uma explicação alvez. Mas na terceira vez que você chegasse com novos dinheiros, se sua família ficasse calada e passasse a usufruir da bufunfa, sua família seria tão corrupta como você. Em uma família honesta, não sobrevive a desonestidade.

E ninguém chega a desonestidade de maneira casual. Não. É uma determinação interior. Um amigo me afirma que era tão fácil se corromper, que a maioria se corrompeu. Em parte é verdade. E tem até outra verdade, mais cruel, alguns não se corromperam por falta de oportunidade ou convite. É aquele sujeito doidão para trair a esposa, mas a lisura o faz ser fiel. É a fidelidade sem méritos. Existem os corruptos sem méritos: não tiveram chance de se afundar, mas desejavam.

Mas existem os honestos, sim. Não seria falacioso para apontar percentuais, mas quero ser contundente com você eleitor. Nenhum corrupto chegou ao poder por determinação divina, mas pelo teu, pelo meu e pelo nosso voto.

Deixar na mão da justiça o saneamento da corrupção e uma grande irresponsabilidade da sociedade. A sociedade devia se respeitar e escolher melhor.

É difícil, mas não é impossível. Basta querer.

1 pensou em “NÃO HÁ CORRUPTO SOLITÁRIO

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *