UMA SOCIEDADE CORRUPTA TEM O POLÍTICO QUE MERECE (6)

Ser do bem ou do mal, ter amor ou ódio, ser virtuoso ou viciado são características da espécie humana. Uma filosofia milenar recomenda que levantemos templos à virtude e cavemos masmorras ao vício. Creio que está diminuindo, assustadoramente, o número dos levantadores de templos e cavadores de masmorras.

Um dos maiores problemas da sociedade moderna é a insegurança e todo mundo culpa a marginalidade pela questão segurança. Às vezes se doura a pílula, dizendo que a existência da criminalidade rima com falta de educação.

O discurso é bonito e ao mesmo tempo enganador e bandido. Qual educação combate ou previne a criminalidade, a tradicional, à luz da Bíblia ou essa atual, de viés esquerdistóide, repleta de política de gênero, do exasperante politicamente correto e permissividade?

Ou a educação formal que vai do analfabeto ao pós-doutor? Pelo grau de escolaridade da turma do mensalão e da Lava jato, pode-se afirmar que curso superior serve muito bem para qualificar o criminoso. Não para evitar a corrupção. Só isso.

Voltemos para a segurança. O ordenamento jurídico brasileiro estabelece obrigação de dois entes como responsáveis: estados e união. Nos dois casos, você tem uma polícia que investiga, um Ministério Público titular da ação penal e um Judiciário para, com a sentença, por fim à lide.

Uma percepção, porém, pinta essa historinha correta com tintas do inferno de Dante. Nem a Polícia, nem o Ministério Público e nem o Judiciário desenvolvem as suas funções a contento. Um pergunta não quer calar: policiais, promotores, procuradores e juízes são oriundos de onde? De outra galáxia? De outro planeta? Não, nunca. São provenientes de nós, do nosso meio, do interior de nossas famílias.

A maior relação de um policial, de um promotor ou de um juiz não é com as suas organizações formais, não é com seus colegas de clubes, com os amigos da escola. A maior relação é dentro de cada família. Em uma família séria, com temor de Deus, com princípios, nunca vicejará um corrupto. E as razões são múltiplas.

A minha família sabe, direitinho, o quanto eu ganho. Todas as famílias sabem a mesma coisa. Basta o sujeito enveredar pela corrupção que mudará os seus hábitos de vida. Alguns corruptos imprudentes escancaram a partir dos primeiros lucros da corrupção, desejando esquecer o passado da pobreza, trocam de casa, de carro e de mulher.

Outros, mais comedidos, não escancaram, mais tanto nesse caso, como no anterior, a família toma conhecimento do fato corruptivo e a regra é que a família não denuncía. Alguém dirá que a lei protege o fato de não denunciar um parente. Concordo. Mas ser usufrutuário do produto do crime são outros quinhentos.

O caso Gedel Vieira Lima é exemplar: o butim era conferido sob as bênçãos da própria mãe. Mulher de Cabral, mulher de Eduardo Cunha, família Picciani, estão aí para provar que todos podem ser enganados pelo corrupto, exceto a sua família.

No primeiro artigo dessa série, disse que não havia corrupto solitário. Hoje serei mais específico: não há corrupção sem o apoio familiar.

Aí já está uma dica para se combater a corrupção: famílias estruturadas na ética, no respeito e na fé. Ainda há esperança.

1 pensou em “UMA SOCIEDADE CORRUPTA TEM O POLÍTICO QUE MERECE (6)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *