ESQUECI O QUE É SER FILHO

ESQUECI O QUE É SER FILHO

João Melo e Sousa Bentivi

Nada há mais antigo e arcaico que essa história de pais e filhos, melhor, de ser pai e de ser filho, mesmo agora que essa definição ficou tão ampla e tão multicolorida. Saio da história da humanidade e foco em mim, esse ser unitário e desprezível pecador, como diz a Bíblia. Tá difícil raciocinar, hoje, na dimensão do “ser filho”. As razões são muitas.

Primeiro, fui filho no século passado e deixei de sê-lo no limiar desse século. Todas as verdades do século passado parecem irremediavelmente perdidas, a começar por uma bem simples e clara, como água de rochas, então: filho era filho, pai era pai e muito antes dos pais desejarem ser amados, exigiam ser respeitados.  Somente isso é uma baita diferença.

Segundo, nascido de uma família humilde, nunca tive nenhuma expectativa de receber coisa alguma de meus pais e, ao contrário de hoje, quando os filhos exigem desde brinquedos a coisas mais caras, o sonho de minha geração era crescer, proceder e ajudar aos seus pais na velhice, inclusive porque a velhice, outrora, chegava mais precocemente.

Terceiro, jamais os pais seriam colocados no banco dos réus. Explico. Não havia, por exemplo, a diabólica “lei da palmada” e os pais, de acordo com a Bíblia, podiam corrigir seus filhos (não é apologia a maus tratos, informo). Na minha geração não conheci um só exemplo de problemáticos psicológicos e/ou psiquiátricos, decorrentes de palmada. Hoje basta uma palavra mais forte ou agressiva dos pais para gerar um paciente psicológico ou mental.

Quarto, os filhos de minha geração não tinham a menor vontade de fazer o julgamento dos “erros de seus pais” e isso é de suma importância no contexto de hoje. Os pais, do século passado são julgados pelas leis e costumes de agora, seria o mesmo que julgar Moisés, baseado, por exemplo, na legislação de inspiração esquerdopata vigente, hoje, no Brasil. ,

O que é melhor, o antes ou o agora? Nem me atrevo afirmar para não ser condecorado com os adjetivos da moda, para quem acha que valores familiares e morais devem ser preservados: fascista, homofóbico, direitista, ultrapassado, etc.

Sem resposta, mas um fato não deixa nenhuma dúvida: nunca houve tantos deprimidos, quanto agora. Não sei não, mas cá como meus botões, lembro  que, na minha Bíblia, tem alguns versículos interessantes:

– Êxodo 20:12: Honra teu pai e tua mãe, a fim de que tenhas longa vida na terra que o Senhor, teu Deus,  te dá.

– Colossenses 3:20: Filhos, obedeçam a seus pais em tudo, pois isso agrada ao Senhor.

Fico com a Bíblia.

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