CORONA EM AÇÃO

CORONA EM AÇÃO

João Melo e Sousa Bentivi *

Esse tempo do tal Covid 19 está marcando e deixará marcas indeléveis no mundo, em outras palavras, o planeta não será o mesmo, tanto no aspecto geopolítico, quanto nas questões pessoalíssimas.

Enquanto noutros tempos o mundo clamou por carinho, aconchego e proximidade, agora a palavra de moda, de toque, de conduta é isolamento e isolamento está em contraponto com um verbo lindo, lindo demais: abraçar.

E ninguém desconhece a importância do abraço. Faz bem para a saúde física e psíquica, mexe no sistema endócrino, reduz stress e ansiedade, fazendo as pessoas mais felizes.

Pode expressar um mundo de coisas: amor, proteção, companheirismo, afeição, segurança, apoio, cumplicidade, etc. O importante é que se trata de um simples gesto, que todos podem fazer, com tão intensos significados.

Na Bíblia são muitas as citações sobre o abraço e retratarei algumas para tentar encontrar algum consolo bíblico, nesse mundo terrível do isolamento. Em Cantares 8:3 “O seu braço esquerdo esteja debaixo da minha cabeça, e o seu braço direito me abrace”. Qualquer que seja a interpretação desse livro, não há dúvidas quanto ao abraço.

Jesus era afeito ao abraço e a ser abraçado. Em Mt 10:16: “Em seguida, tomou as crianças nos braços, impôs-lhes as mãos e as abençoou”. No episódio do filho pródigo, um dos mais lindos dos evangelhos: “Estando de longe, seu pai o viu e, cheio de compaixão, correu para o seu filho, e o abraçou e beijou”. (Lc 15:20).

Finalmente, após a ressurreição, o seu primeiro encontro foi com as mulheres fantásticas e assim está descrito, em Mt 28:9: “De repente Jesus saiu ao encontro, dizendo: Eu vos saúdo. E elas, chegando, abraçaram os seus pés, e o adoraram”.

Mas essa mesma Bíblia que advoga o abraço, em Ec 3: 1, 5b, diz: “Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu… tempo de abraçar e tempo de afastar-se de abraçar”.

Sem religiosidade e concorde com a realidade desse tempo, agora, acho que é hora de obedecer o sábio Salomão, até que volte o tempo do abraçar e de abraçar. Ai, quando esse tempo chegar, como se diria, na minha Pedreiras, “vou tirar o atrasado”.

  • Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

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