O BANDIDO E O CIDADÃO

O BANDIDO E O CIDADÃO

João Melo e Sousa Bentivi *

Em condições normais, em um país normal e democrático, seria fácil demais distinguir esses dois conceitos: bandido e cidadão. No Brasil há uma primeira dificuldade, quando o verdadeiro cidadão é comparado ao bandido e quando os muitos bandidos se camuflam, na roupagem da cidadania, notadamente quando fazem parte de algum poder constituído.

Voltemos às CNTP sociais e observamos que umas das mais elementares normas protetivas ao cidadão brasileiro são a liberdade de opinião e a liberdade de ir e vir e, bem aí, está um nó,  nesse  Brasil, carcomido e estraçalhado por uma imprensa bandida, um judiciário deprimente, uma classe política sofrível e uma esquerdopatia tumoral. Isso, para a felicidade dos bandidos, torna cada vez mais difícil diferenciar, cidadão de bandido, inclusive porque o cidadão é cada vez mais um sujeito de quinta categoria.

Qualquer prefeitinho ou governador de meia tigela pode, ao arrepio da lei, legislar sobre praias, terras costeiras, sobre normas penais, etc., tudo com uma rapidez impressionante.

Agora mesmo, em São Paulo, o governador Dória queria acompanhar os passos de cada paulista, mais ou menos como a esposa de um amigo meu que, após flagrá-lo em uma pulada de cerca, o acompanha, em tempo real, a cada segundo A mulher do meu amigo tem o vínculo matrimonial e Dória, infelizmente, o ditatorial. Isso não é simples, mas uma substancial diferença e, se no matrimônio gera desconforto, pelas ordens de um governador é inaceitável. Graças a Deus ele, como se diria, no tempo da Jovem Guarda, se mancou.

Permitam-me sonhar com esses prefeitinhos e governadores, corruptelas de Hitler, fazendo algo admirável. É sonho, repito. Sonharei que toda essa brabeza, contra o cidadão, obrigando-o a ficar em casa, até passando fome, se faça contra o crime organizado.

Uma simples perguntinha, será que o senhor Dória teria peito de tomar todos os celulares do crime organizado, dentro das cadeias paulistas? Dou um doce para quem responder sim. Mas queria vasculhar os passos dos cidadãos de bem.

O mais ultrajante é que já foram libertados, Brasil afora, dezenas de milhares de perigosos marginais e ninguém pode afirmar se algum deles está cumprindo quarentena, aliás, nenhum corona é capaz de transformar um bandido em um cidadão decente.

Caso eu fosse um bandido, libertado na onda do corona, eu teria um irrefutável argumento, para minha liberdade. Assim, se fosse questionado, a resposta estaria na ponta da língua: “para me libertar precisei de uma pandemia, mas um bandido maior que eu,  mais perigoso do que eu, que matou mais que qualquer corona, chamado Lula, foi libertado sem nenhuma pandemia, bastou o STF.

Esse bandido seria um bandido incontestável.

  • Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

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