A PROCURA DE UM CIENTISTA.

A PROCURA DE UM CIENTISTA

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

Vivendo e aprendendo, frase ouvida, desde a minha infância e continua atualíssima, em minha vida. Explico. Nos últimos dias o que mais ouço é a palavra CIÊNCIA, aliás, a bem da verdade, gente demais falando em nome da ciência. Também nunca vi a palavra ciência servir tanto para encobrir motivos, muitas vezes, sórdidos.

Nesses meus tantos anos de vida, enveredei por diferentes caminhos: medicina, jornalismo, direito, música, poesia, pesquisa histórica e social, entre tantas outras, mas se quisesse resumir a minha vida diria, sem falsa modéstia: li muito, tenho facilidade de escrita e comunicação e creio ter desenvolvido algumas coisas para o desenvolvimento dos indivíduos. Inocentemente imaginei-me fazendo ciência, um cientista. Caí do cavalo.

Entrando em um supermercado, com todos os armamentos contra o corona, encontro dois amigos e, nesse papo, aprendi várias lições. A primeira é que eu nunca deveria nem dizer e nem me sentir um cientista e antes que eu pudesse, quem sabe, aventar que a minha tese de doutorado tem uma baita pesquisa sobre a história da saúde no Brasil,  ele afirmou: tese de doutorado não tem nada a ver com ciência, a minha foi uma droga.

O outro amigo da conversa me ensinou mais, disse que um cientista tinha que ter produção científica, inclusive a matemática, que durante toda a minha vida considerei ciência, de ciência nada tinha. Ensonou-me: matemática é somente uma linguagem.

Compreendendo a minha obtusidade, cumprimentei-os carinhosamente (nos moldes do covid, de longe) e voltei ao lar, mas tornei-me um ser cheio de dúvidas.

Naqueles moldes, quem seriam os verdadeiros cientistas do Maranhão, por exemplo? Dentro dessa enormidade de teses e dissertações, qual o critério para saber se o papel é científico ou similar ao papel higiênico? Aquele agente chinês da OMS seria um cientista? A mocinha ativista política, dirigente da FIOCRUZ seria uma cientista? Tentar esconder o uso pessoal de uma droga, como fez um tal UIP, seria atitude de um cientista? Confesso que, depois daquele papo, não respondi dúvidas, somente ganhei uma solene verdade: não sou cientista de porra nenhuma. Outro detalhe, essa constatação não me traz nenhuma insatisfação, aliás, tira um fardo de minhas costas.

Mas preciso de cientistas, pelo menos um, para responder algumas dúvidas peremptórias. Vou exemplificar.

Afirmação da “ciência”: “O isolamento ou o lockdown que fizemos, salvou 200 mil vidas”. Pergunto: baseado em que ciência esse cara-pálida é capaz de quantificar o futuro, com tanta preciosidade? Por que não seriam 199 mil, 201 mil? O cretino fala em nome da ciência e como não sou cientista, procuro esse cientista, com tamanha precisão obituária.

Sem precisar de ciência para entender esse dado numérico que salta aos olhos, preciso de um cientista para me dar simples explicações: “catorze unidade da federação administradas por adversários públicos de Bolsonaro, carregam nas costas 79% das infecções e 87% das mortes”. Esses dados não são mostrados pela grande imprensa, mas mesmo sem ser cientista, entendo que uma das funções da ciência é explicar os fenômenos.

As indagações são muitas. É um caso médico ou policial? Seriam esses estados aqueles que fizeram guerra contra a cloroquina?  Seriam esses que compraram respiradores inadequados? Seriam os que  decretaram o lockdown? Serão os estados de superfaturamento? Será que nesses estados a PF vai ter muita atividade?

Como não tinha nenhum cientista para me responder, ontem recebi uma ligação de um amigo, irmão Agapito, dos meus velhos tempos de Assembleia de Deus. Acho que estava preocupado se o covid tinha ou não me agarrado. Conversa vai e conversa vem, nem sei o porquê, perguntei-lhe: irmão Agapito, por que que nos estados contra o Bolsonaro a morte está fazendo essa festa toda? A resposta foi rápida e fulminante: meu irmão, coisa do inimigo, esse tal covid vem de uma terra sem temor a Deus e você sabe que o diabo veio para matar, roubar e destruir, a grande arma contra esse maligno é o temor do Senhor e oração.

Claro que essa resposta não é de um cientista, mas é de um simples homem, com a bênção de Deus no coração, porém ele pode entrar em uma “camisa de onze varas”, caso aquele ministro sem cabelo, caracterize essa afirmação como fake news.

Preocupado, ciente de minha insignificância científica, orientei ao irmão Agapito, pois essa opinião poderia ser investigada por um senhor de nome Alexandre e acrescentei para ele: tome cuidado,  o futuro pode ser pior, pelo andar da carruagem, temor a Deus e oração poderão ser catalogados de fake news.

Belzebu não dorme, Alexandre também.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

 

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