CANALHAVÍRUS I

CANALHAVÍRUS I

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

“Pensando no tal corona

Muita coisa atrapalha

Mas nada é mais nocivo

Que a ação de um canalha” (JMSB)

Os dicionários definem canalha como o que é vil, ordinário, mau caráter, velhaco se entendermos como adjetivo e como substantivo, uma pessoa desprovida de moral, desonrada, desprezível, patife, vil ou infame. Tanto o substantivo, quanto o adjetivo são socialmente danosos, mas o problema é que muitas pessoas, são tão especiais, que poderiam ser chamadas de “o canalha canalha”, verdadeira harmonia entre o substantivo e o adjetivo.

Nesse conturbado momento da vida nacional, sei que tudo gira em volta desse vírus comunista, chamado corona, mas entendo que temos, há séculos, um problema maior: o CANALHAVÍRUS.

Talvez, pela diversidade biológica desse animal, tenha que fazer mais de uma matéria, daí ter intitulado essa,  como CANALHAVÍRUS I, mas tentarei extinguir o assunto nessa.

Uma das características mais importantes dos seres vivos é a reprodução e qualquer livro de biologia dirá que os dois tipos de reprodução são sexuada e assexuada,  já que desde o século XIX, Louis Pasteur, liquidou a geração espontânea. Com o CANALHAVÍRUS a biologia foi deturpada. Esse animal se reproduz de maneira sexuada, assexuada e também por geração espontânea. É o verdadeiro cão.

Algumas lideranças brasileiras podem ser entendidas pelo nome familiar, bastando ler o nome familiar e o Código Penal se abre de maneira automática, sendo o único problema o fato do Código Penal ficar em ativo movimento, visto que  o nome familiar transita em inúmeras páginas. É uma reprodução sexuada.

Caso o time de canalhas fosse somente esse, de quadrilhas  genéticas, se aguentaria, o problema é que  quando você coloca um olhar mais crítico, temos a sensação que há tantos canalhas que eles se originaram até por geração espontânea.

Outra especial característica biológica do CANALHAVÍRUS é a sua adaptabilidade. Todo ser vivo tem esse caráter. Mas o CANALHAVÍRUS dá um show a parte, sem comparação no planeta terra. Vamos fazer uma análise sintética.

É cosmopolita, tem em todo lugar, não tem barreiras de idiomas, por exemplo, um dos principais CANALHAVÍRUS do Brasil, não sabia nem ler e nem escrever e fez canalhada em espanhol, inglês, francês, sueco, japonês, mandarim e búlgaro arcaico. O tarado nunca leu um catecismo, mas em canalhice é pós-doutor.

Não tem barreira religiosa e nele se verifica a perfeita adaptação a todos os credos. Pode ser ateu, muçulmano, católico, evangélico, macumbeiro, agnóstico, qualquer coisa, aliás, a religião, muitas vezes, é fator potencializador do CANALHAVÍRUS. Digo sempre que o pior marginal é aquele que age em nome de um deus. É o CANALHAVÍRUS.

Não conhece barreiras geográficas, nesse aspecto parece demais com o corona chinês, se dá bem no deserto ou na neve, nos trópicos ou no equador, no ar, no mar e na terra. Mais ainda, ostenta uma adaptação morfofuncional, de raros seres vivos, chamada de mimetismo, quer dizer, quando as coisas estão ruins para o lado do bandido, ele se camufla, de tal maneira, que fica imperceptível, porém voltando as condições satisfatórias, se reassume como CANALHAVÍRUS.  É um tarado, como dizia o velho Quincas, lá em Pedreiras!

Para piorar, o CANALHAVÍRUS é um demônio que não faz acepção de classe social, nem de nível de escolaridade, pode atacar a pátria, via PETROBRÁS, CORREIOS, BNDES ou a cantina da escola de São Pedro do Cafundó do Judas. Pode se associar com ministros, deputados, senadores, promotores, juízes, lideranças, entidades   sérias como OAB ou OMS, com outros conselhos de classes, pode até ser recebido em missas, cultos,  terreiros, inclusive receber as bênçãos do papa. É um tarado, como dizia o velho Quincas, lá em Pedreiras.

Como observam, os leitores, o CANALHAVÍRUS é um ser interessante e a  minha tristeza, pelo que entendo, é que ao contrário do corona, que terá prazo de validade, ainda não se concebeu uma vacina eficaz para esse CANALHAVÍRUS.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

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