O MILAGRE BOLSONARO (I)

O MILAGRE BOLSONARO (I)

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

“Mas Deus escolheu as coisas loucas para confundir as sábias: e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para confundir as fortes”. (I Coríntios 1: 27)

Caso você tenha um mínimo de neurônios funcionantes, a personalidade que melhor se enquadra nesse versículo paulino é, exatamente, Jair Messias Bolsonaro. Essa afirmação não está ligada a simples religiosidade, mas com a mais estrita realidade, conforme disporemos a seguir.

Jair Bolsonaro, em sua longa trajetória política teve todas as desqualidades para um político profissional e, muito mais ainda, para um simples postulante a cadeira presidencial: pouco eloquente, sem traquejo acadêmico, sanguíneo, sem conchavos, sem grupos, sem cultura humanística e sem o polimento da tão notória hipocrisia política, muito e muito mais evidente, no submundo dos políticos vagabundos. Não era, portanto, um dos vagabundos.

Quando começou a falar na candidatura presidencial, estava em uma condição inferior a João Batista, pois esse “era a voz que clama do deserto”, nesse caso, deserto da incredulidade, Bolsonaro também “clamava no deserto”, um deserto pior, o da imoralidade.

Ninguém lhe dava bolas, a ponta de, em um aeroporto, tentar cumprimentar o “big star” Sérgio Moro, esse não lhe deu bolas, no estilo, como se dizia na minha Pedreiras: deu o “fiofó” por resposta. Aliás, esse episódio desmoraliza a cantilena esquerdista safada, de que Moro condenou Lula, em troca de um ministério.

Jair Messias teria que ter um partido e isso não é um probleminha, mas um baita problema. No Brasil, o quadro partidário é um horror moral. As grandes legendas são dominadas por caciques, alguns com tez duvidosa e as pequenas legendas, antigamente ditas “nanicas”, em regra, moeda fétidas, no câmbio de Ali Babá. Tudo indicava que Jair não conseguiria uma legenda.

De repente, conseguiu, mas isso, naquele momento, era irrelevante. O que uma legenda insignificante, sem tempo de televisão, sem dinheiro, sem militância poderia fazer frente aos gigantes políticos. Resposta:  nada. É exatamente essa resposta o grande fator que permitiu a eleição de Bolsonaro. Ninguém lhe dava a mínima atenção. Ninguém lhe deu atenção.

Segue a campanha, sem nenhum grupo empresarial, partido sem recurso, apoio político zero e dois candidatos previamente consagrados para a disputa, seguindo a cartilha de quase 30 anos: PT x PSDB. Em realidade um engodo de disputa ideológica, pois o PSDB, principalmente os seguidores de FHC, seriam petistas envergonhados de assim se apresentar, os males a serem causados seriam os mesmos, a diferença de sabor estaria somente na marca do vinagre. Nenhuma.

O povo, não se sabe o porquê, de maneira espontânea assume a luta bolsonarista e, de repente, a luz vermelha acende: esse doido pode ganhar, isso não pode acontecer! Então uma ordem, do fundo dos infernos, brada: vamos matar o Bolsonaro. O plano foi urdido para perfeição. Atentado preparado, arma branca, bem executado, em uma cidade fora dos mais importantes centros de medicina do Brasil.

Algo fugiu do plano diabólico, a mesma hemorragia brutal que era para matá-lo, tamponou  a ferida, permitindo que ele chegasse ao hospital e, graças a Deus, encontrou uma equipe médica absolutamente competente.

Nesse momento, o agressor, antes mesmo de chegar à Delegacia Policial, já tinha uma banca de advogados de alto coturno, caros, que chegaram em táxi aéreo, para defender alguém simples, débil mental, pobre, que sem nenhuma articulação, resolveu matar o presidente.

Essa conclusão não é minha, mas da investigação policial e da justiça brasileira, em meu ponto de vista essa investigação é tão verdadeira, quanto uma nota de 3 reais.

Jair Messias não morreu e o atentado que o eliminaria consolidou a sua vitória, não necessitou ir aos debates, nos quais todos os outros estavam preparados para alfinetá-lo e agredi-lo e a contragosto tiveram que se enfrentar e valeram pelo clima de picadeiro de circo, afinal, um pleito com o poste Haddad, o simpático e      educado Ciro Gomes,  o mistificador Guilherme Boulos, o notável Eymael, o profético cabo Daciolo e a insignificância eleitoral de Vera Lúcia, por   exemplo, tanto poderia ser comédia, como tragédia e não o é, por carência absoluta de talento.

Agora seria empossado, foi. Deveria fazer um governo em bases diferentes do mensalão e petrolão, fez. Deveria pregar, novamente, respeito à pátria e a dependência a Deus, pregou. Tudo isso incomodou a muitos, mas principalmente aos corruptos, aos vendilhões ideológicos, aos pregadores de bandeiras não bíblicas, aos defensores de conceitos destruidores da família, etc.

Em resumo, Bolsonaro não agradou e não agrada a satanás.

(Voltamos ao assunto em outra oportunidade).

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

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