A VICE DE BRAIDE

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

Final das convenções partidárias e os times prontos para a largada eleitoral, em São Luís. O que faltava eram os vices e agora não mais faltam vices, todos estão revelados.

Qual seria mesmo o papel de um vice? Interessante, mas tudo se inicia com a escolha. Há vices que são escolhidos exatamente pela inexpressividade, ou para cumprir uma gratidão a alguém ou para dar um último cargo para alguém em final de carreira. Há vices que correspondem a composições políticas, às vezes tão bizarras, que titular e vice                    não possuem a capacidade de conversar, sozinhos, por dois minutos.

Há uma receita para vice? Não. Mas entendo duas coisas fundamentais. Primeiro, um bom vice deve ser de absoluta confiança do titular, segundo, o vice ideal nunca deve ser incômodo para o titular, caso não possa ajudá-lo, nunca atrapalhe.

Nessa campanha sou, com orgulho, um simples eleitor e votarei no candidato Eduardo Braide, mas pude acompanhar algumas articulações e posso afirmar que a escolha da professora Esmênia Miranda é bastante singular: decisão altaneira, sem conchavos e pessoal do deputado Braide. Tem tudo para dar certo, aliás, creio que deu certo.

Não farei aqui essa defesa insuportável de que a escolha de uma pessoa deve ser feita por cor, sexo, minoria, altura ou dimensão da circunferência abdominal. Não, nunca me filiarei a essa postura rasteira, pusilânime e esquerdopata, que alegra uma parte dessa sociedade doente.

Adoro as escolhas feitas baseadas no mérito e na competência e nesses critérios, mérito e competência, seguramente se insere a professora Esmênia Miranda, medidas exatamente por sua história de vida.

Você não aplaude o fato de ela ser mulher e negra? Poderia alguém me provocar. Claro que aplaudo, inclusive por ser fruto de um matriarcado e viver em um matriarcado, não há um homem, no mundo que entenda tanto o poder e importância da mulher, quanto eu.

Pela negritude, sou testemunha pessoal e genética, sou proveniente da senzala e conheci, ainda, minha bisavó Bonifácia, oriunda da Lei do Ventre Livre, na fazenda de Afonso Jansen, no Coroatá. Dá sempre uma alegria ver o sucesso de um negro.

Mas volto ao início e reitero que a negra e a mulher que se apresentam na professora Esmênia, só servem de modelos qualificativos meritórios pela cidadã correta que é a professora Esmenia Miranda, ademais, por sua história, representa muitos milhares de são-luisenses que, vindos com dificuldades, do interior, aqui se fixaram e aqui venceram.

Que nesse pleito, professora Esmenia Miranda, a senhora possa ser, mais uma vez, vitoriosa.

Parabéns, Eduardo Braide.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

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