EM SÃO LUÍS, BRAIDE É FATO NOVO

EM SÃO LUÍS, BRAIDE É FATO NOVO

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

Não me refiro à idade do deputado Braide, mas a outro aspecto que  a análise política rasteira não consegue entender. O fato novo, relativo ao deputado Braide, é que ele, no meu entender, caminha para alcançar algo difícil, dificílimo: ser uma liderança popular de São Luís.

Centenas de nós já tivemos mandato popular nessa ilha, mas essa ilha que elege, é a mesma ilha que esconde e mata as lideranças e poderia dar exemplos com uma interminável lista de nomes, alguns qualificados, maior parte nem tanto.

Mas nos últimos 70 anos, só tivemos três líderes populares em São Luís: Cafeteira, Castelo e Jackson. José Sarney, que dominou o mundo, aqui na ilha sofreu as mais desmoralizantes derrotas, basta ver que a Roseana foi o melhor produto eleitoral do sarneisismo na ilha, mas jamais ostentou o título de liderança popular. Dançava na Madre de Deus, mas estava muito longe de ser parte do povo. Voltemos aos líderes.

Cafeteira era um populista fisiológico genético, com uma atividade parlamentar sofrível, mas tinha incríveis tiradas e criou uma marca, quando ninguém sabia o que era marketing, assim, todos acreditavam em um tal PROMETEU E CUMPRIU.

Castelo foi líder popular e por causas que se somaram: um governo realizador, centenas de obras, milhares de moradias e quase duzentas  mil nomeações e, à falta de uma oposição efetiva ao sarneisismo, em alguns momentos pontificou como principal polo de oposição ao Sarney.

Jackson Lago foi uma mistura de alguns fatores. Tinha identificação com o Cafeteira, às vezes divergiam, mas a identificação era patente, desde a prefeitura de São Luís, nos anos 60. Foi um dos políticos que mais colecionou derrotas eleitorais, mas ninguém teve, na política do Maranhão, a sua persistência e teimosia. Deu certo e ainda vendeu uma marca: TRABALHO E HONESTIDADE.

Nessa análise não está nenhum juízo de valor a favor ou contra nenhum dos três líderes, inclusive porque elogio póstumo parece hipocrisia e crítica tardia se assemelha a covardia e ingratidão. Mas Braide está vivo e vou dar a minha humilde opinião.

É um jovem, como milhões de outros, o seu pai foi deputado estadual, mas nunca foi dono de feudos políticos, aqui, na ilha,  não tem o apoio dos poderes municipal e estadual, em Brasília, não pode ser caracterizado nem como um ideológico de direita ou de esquerda. A sua campanha é séria e austera e jamais poderá receber a acusação de crime eleitoral.

Foi derrotado na última eleição municipal, não se abateu, continuou o seu caminho e, inexplicavelmente, como um rastilho de pólvora, no asfalto quente, foi adentrando no coração do povo e fica quase impossível, alguém, em São Luís, desconhecer o nome Braide.

Não dá para explicar e eu, na vida médica diária, converso com meus pacientes, maioria decidida a votar nele, mas me espanta outra coisa: o número dos que afirmam votar em Braide, mas não conhecem o Braide. Não dá para entender, mas dá para constatar.

Como eleição é uma foto de um momento, um analista como eu jamais estaria no time imbecilizado do “já ganhou”, mas um fato tenho que reconhecer, o deputado Braide tem tudo para ser um líder popular de São Luís e aí a história nos dá outra lição: ninguém foi líder popular da ilha, para não voar mais alto.

Como na política não há tolos e nem inocentes, a classe política sabe que a minha análise é verdadeira e, desse conhecimento é que surgem os adversários do deputado Braide e ele sabe disso, afinal, é a vitória nas dificuldades o vestibular da liderança.

Em resumo, Braide é líder e caminha para juntar o seu nome à estatura popular de um Cafeteira, de um Castelo ou de um Jackson. No dizer do Bruno Henrique, do meu mengão, Braide “ESTÁ EM OUTRO PATAMAR”.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

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