O BOM PREFEITO DE SÃO LUÍS DEVE SER DO GOVERNO OU DA OPOSIÇÃO?

O BOM PREFEITO DE SÃO LUÍS DEVE SER DO GOVERNO OU DA OPOSIÇÃO?

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

A política será sempre maniqueísta, basta recordar a divisão, na França revolucionária, entre girondinos e jacobinos, onde as suas posições no plenário determinaram a divisão comportamental e posicional de direita e esquerda. Do mesmo modo maniqueístas são as palavras oposição e governo.

Em São Luís, quem será governo e quem seria oposição? Não é fácil responder pela multiplicidade de facetas, com que se pode basear a resposta.

Primeiro, oposição a quem? Segundo, a que governo pertence o candidato? E ainda posso fazer a pergunta mais importante e que nenhum analista fez: o candidato é, realmente, a favor do quê e de quem?

Para mim está claro que o governador constituiu uma cooperativa com diferentes espécies de animais políticos, baseado em uma experiência anterior, da lavra do José Reinaldo, com a finalidade de garantir um hipotético segundo turno, que, nos seus sonhos seria entre dois dos seus escolhidos. Essa parte do sonho com certeza falhou.

Mas admiro a inteligência do governador e creio que está determinado os papeis a ser desempenhado por cada um da trupe. A regra, em casos semelhantes, é alguém ser mais santo e conciliador, outro ser virulento e agressor, dois ou três para “maria vai com as outras” e sempre haverá alguém, que não tendo nada a dar e nem nada a perder, para trazer os artefatos de latrinas, para o bojo das discussões.

Como disse, isso é a regra e, até agora, não vi ocorrer a regra. Espero que não ocorra, aliás, vou crer que não ocorrerá.

Não vou perguntar quem seria o candidato do prefeito, por motivos tão óbvios que seria pleonástico deslindar. As pergunta é outra: quem está, nesse pleito, fazendo oposição ao prefeito de São Luís? E por quê? Até agora não vi ninguém nesse papel e isso merece e seria uma bela análise, que poderei fazê-la temporaneamente. É um caso para uma tese, um prefeito, após 8 anos, nem elogiado e nem criticado, na campanha eleitoral. São Luís, por ter prefeitos oposicionistas, alcunhou o título de Ilha Rebelde e não seria um destino, continuar rebelde?

Volto ao título dessa matéria: o bom prefeito de São Luís deveria ser do governo ou da oposição? Antes de ser oposição ou governo, o futuro prefeito dessa cidade tem que pensar na felicidade do seu povo e, assim pensando, poderá, eventualmente, ser, sem nenhum problema, oposição ou governo. Mas não poderá ser, para o bem de todos nós, um serviçal, um despachante de luxo, de nenhum palácio. Um prefeito que não se respeita, desrespeita a totalidade dos seus munícipes.

Explico. São Luís, hoje, tem poucas soluções e multidões de problemas. O futuro prefeito deve sempre dialogar de forma sensata e sadia com os demais níveis do poder executivo, mas tem que ter autonomia, postura e decisão para discordar e exigir, tanto do governo do estado, quanto da união, aquilo que nossa cidade merece e tem direito.

Jamais deverá ser um prisioneiro ideológico, quer de direita, tampouco de esquerda. Todo governante, doente ideológico, não traz ou traz raras soluções, mas não faltarão problemas, o diabo é que, nesses casos, dos ativistas ideológicos no poder, quem sofrerá com os problemas será o povo, notadamente os mais humildes.

Finalmente, voltemos de novo para São Luís.

Tem me surpreendido a postura do candidato Eduardo Braide. Inicialmente não se pintou com tintas de quem quer que seja, nem vestiu nenhuma carapuça ideológica. creio que entendendo a terrível situação de São Luís, optou preventivamente por não se meter em pequenas questões e focar em um objetivo: o progresso de São Luís.

Tendo convicção das intransigências ideológicas da sociedade brasileira, não faz parte de nenhum gueto radical e tem dialogado com todos os grupos sociais, principalmente com as lideranças classista, destacando-se o setor educação, quando inteligentemente convidou uma professora, para ser a sua vice.

Ademais, Eduardo Braide, por sua postura política cordata, decidida, independente e séria, tem todas as condições de, sem joelhos pusilânimes ou contendas estéreis, dialogar e exigir para o povo de São Luís, pleitos tanto com o governo do estado, quanto com o governo federal, do mesmo modo que discordará, com firmeza, quando aquilo que tivermos direito estiver sendo negado.

Creio que está esclarecido, que entre todos os postulantes a prefeito, Eduardo Braide é o mais preparado para dirigir os destinos dessa cidade. Mais que isso, o mais habilitado ao diálogo amplo e necessário, com gregos e troianos, com quem quer que seja.

Ah! E a pergunta inicial: o Braide é governo ou oposição? Poderia me perguntar o leitor. Isso, para Eduardo Braide, é absolutamente irrelevante. Será a favor de tudo que for bom para nossa cidade e oposição ferrenha a qualquer coisa que possa prejudicar o nosso povo. Somente isso.

Agora, o meu pedido: vamos abreviar essa travessia do deserto. A melhor maneira de fazê-lo é encerrar tudo no primeiro turno. Eduardo Braide necessita de tempo para programar os nossos destinos.

Que venha 15 de novembro. Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

    (**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

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