A FARSA DOS LEÕES

A FARSA DOS LEÕES

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

Mas não é a peça de Ariano Suassuna, na qual o personagem Joaquim Simão era acometido de três incomensuráveis paixões: preguiça, poesia e mulher. Infelizmente não estamos no teatro, mas na dura realidade de nossa amada ilha de São Luís e aí a farsa pode se tornar uma tragédia, com o nome de pleito municipal de 2020.

Teoricamente temos um pleito de múltiplos candidatos e isso, à primeira vista, poderia dizer da pujança democrática da ilha, mas não é, muito pelo contrário, é uma farsa fabricada exatamente pelo inquilino casual dos Leões, o senhor Flavio Dino.

Em verdade, o pleito de São Luís tem só dois lados. Um lado sem engano e sem firula, chamado Eduardo Braide e outro lado de aliados, que se fingem de adversários, mas comem no mesmo cocho e bebem cachaça da mesma pipa. Assim, sem nenhum esforço, você pode até não ver o cocho, tampouco a pipa, pouco importa, basta conhecer o seu proprietário, o governador Dino, para saber e entender porque é o dono do cocho e dono da pipa.

O senhor governador não tem legitimidade para apoiar um candidato a prefeito de São Luís? Claro que tem e isso ninguém discute, o problema é que desde o primeiro momento, a estratégia do governador foi eivada de desonestidade política com cada cidadão de São Luís. Ele, se fosse um governante honesto com o seu povo (não o é), deveria escolher o melhor nome, entre os seus obedientes subordinados, brigar por ele, assumir a carapuça e seria essa conduta por todos nós elogiado.

Mas não foi esse o pensamento e comportamento. O governador, um gigante em adiposidade, é um anão em altruísmo, desde o primeiro momento, a sua ideia fixa não foi o bem de São Luís, mas vencer Eduardo Braide.

Fez um consórcio de nomes, alguns de minha amizade, inclusive familiar, dando a cada um papel definido, inclusive um manual de comportamento, tendo até ensaios de fictícias divergências, tudo para enganar o povo sério e trabalhador, dessa cidade.

Na vida teatral, esse enredo poderia receber diferentes nomes – O DINOFARSA/A FARSADINO – o problema é que você, cidadão de São Luís, não será chamado para comprar um ingresso, para essa trupe de atores de quinta categoria, até porque você poderia comprar ou não esse ingresso e creio que você não compraria. Não jogaria no lixo o seu sofrido dinheiro.

O problema, meu querido eleitor, é que o governador usa, o momento maior da democracia, o momento em que o seu valor é igual a todos, o momento da obrigatoriedade do seu voto, para enganar, mostrando diferentes nomes, mas, em realidade, o nome de cada um deles deveria ser o nome real dos seus papeis. Todos deveriam assumir um só nome: Dino. Quem sabe, Dino 1, Dino 2, Dino 3…

Uma grande burrice e ingratidão desse governador (ingratidão não é novidade, basta conversar com Zé Reinaldo, com doutor Tema, ou qualquer   admirador do ex-governador Jackson Lago). O candidato Eduardo Braide nunca se apresentou como adversário desse governador, sua atuação parlamentar sempre foi de tentar a harmonia com esse governador, sua ação parlamentar tem o foco maranhão/São Luís e, como prefeito, também não terá esse comportamento belicoso, que o governador possui.

O que o candidato Braide tem afirmado e reiterado é que a sua administração só tem um foco: o desenvolvimento e felicidade do povo dessa ilha.

Tenha juízo, senhor governador, esqueça e deixe de perseguir o deputado Braide. Com quase oito anos no comando do Maranhão o senhor afundou muito mais o nosso estado na miséria. Uma boa parte do seu tempo, quando o senhor deveria estar trabalhando e pensando no seu povo, o senhor usou para brigar com Bolsonaro.

Não queira transformar o futuro prefeito Braide em um novo Bolsonaro, para alimentar as suas vaidades. É impossível. Braide é Braide, Bolsonaro é Bolsonaro. O diabo é que, para a desgraça de todos nós, Flavio Dino, não consegue evoluir, continua Flavio Dino.

Volto para você, eleitor. Vamos acabar com essa cantilena, vamos riscar do mapa essa farsa, politicamente desonesta, chamada CONSÓRCIO SERPENTÁRIO DOS LEÕES. Vamos encerrar tudo no dia 15, eliminemos a possibilidade de segundo turno. Quem sabe, isso não dará uma luz na cabeça ditatorial do nosso querido e jovem governador.

No dizer de Júlio César, alea jacta est!

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

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