O MELANCÓLICO DEBATE

O MELANCÓLICO DEBATE

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

E houve o último debate? Não, não houve debate e o culpado dessa patacoada é, exatamente, quem não deveria sê-lo: o governador Dino. Os motivos são fáceis de serem entendidos.

Dominando 99% das prefeituras, contando com a obediência absoluta das bancadas estadual e federal, o governador, na mais pueril análise, “nomearia” o prefeito de São Luís e ele achou que poderia fazê-lo: caiu do cavalo é arrebentou o velho cóccix.

Tentou criar e criou o CONSÓRCIO SERPENTÁRIO DOS LEÕES para fustigar um segundo turno, mas tudo caminha para não haver e. se houver, o governador estará absolutamente desgastado e eticamente destruído, pois colocou a estrutura  do governo indevidamente na campanha, repetindo, com deméritos, as praticas vitorinistas e sarneisistas, que gostaríamos de não relembrar e, se há alguma coisa nova, na política do Maranhão, é a idade do governador, pois os seus métodos são típicos do mais tenebroso passado.

Mas a ópera bufa do tal debate teve duas ausências. Uma das ausências decorreu pela ação do covid, em um personagem, talvez aprendiz de Mandetta:  aquele cretino, defensor do “fique em casa”, que saiu do ministério, sem máscaras, sem luvas, sem álcool gel e abraçando a todos, sem nenhum distanciamento. No caso em questão, foi preciso os exames do personagem caírem nas redes sociais, para desmascarar o embuste.

A outra ausência foi a do deputado Braide. Inteligente e necessária ausência. Explico.

O deputado Braide fez muito mal em ter ido a outros debates, pois as pessoas que estavam debatendo com ele, salvo alguns momentos, como a participação inteligente do deputado Yglesio, não eram elas, porque estavam representando um personagem imerso no disfarce das sombras do anonimato, fingindo-se um estadista, cujo epíteto pode ser representado por duas letras, FD.

Sem querer desmerecer a nenhum dos candidatos, todos jovens de grande potencial político, entendo que todos eles fizeram uma grande bobagem em aceitar serem protagonista dessa arrumação dinista, definida como CONSÓRCIO SERPENTÁRIO DOS LEÕES. O desgaste para suas carreiras políticas está absolutamente evidenciado e torço para não haver consequências desastrosas.

Enfim, não houve o último debate e os jovens candidatos poderiam ser mais efetivos, em suas campanhas, se também não tivessem comparecido. Compareceram, uma pena, mas fica a lição: da próxima vez, desconsiderem o governador Dino, procurem um outro conselheiro, inclusive poderiam ter procurado conselho no político mais experiente que esse estado já produziu: José Sarney.

Nada demais, se o governador, estando em dilemas, já foi ao altar sarneisista para pedir preces e orientações, por que vocês não poderiam fazê-lo? Andar os mesmos caminhos do chefe. Quem segue o exemplo do chefe não pode ser chamado de insubordinado e o nosso governador adora os obedientes, independente de ideologias.

Agradeçam a mim, esse humilde escriba, pelo sincero conselho.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

 

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