QUALHIRAGEM E MARKETING

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(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

A passagem do presidente Bolsonaro, no Maranhão, rendeu notícia pelo lado tosco e pitoresco, pois em vez de se noticiar os ganhos políticos e financeiros do estado, pela zanga e mumunha de alguns políticos, a notícia foi outra: boiolismo, que em linguagem mais tupiniquim, seria qualhirismo.

Nunca haverá, em mim, qualquer discriminação, de qualquer tipo, aliás não discrimino nem esquerdopata, apesar de sabê-los mentirosos, malandros, pouco patriotas e coisas afins. Mas não tenho nenhum constrangimento em carregar a condição genética de heterossexual convicto, na linguagem dos jovens, da espécie CIS.

Por isso, eu e alguns amigos, nos acreditando uma espécie em  extinção, fundamos, de maneira quase clandestina, a AMERC – Associação Maranhense de Heterossexuais Convictos. O quórum não tem sido vantajoso.

Não temos nenhuma pauta de luta, não temos inimigos a derrotar, mas a AMERC é o local para compartilharmos as nossas dificuldades, solidão e abandono, para criar empatia e solidariedade para coisas simples e que não incomodam os jovens, como o desimportante episódio de brochar. Sim, brochar.

Explico. Como essa turma da AMERC teve uma formação defeituosa para os padrões atuais, gostavam de pagar as contas de restaurantes e motéis, abriam a porta para as mulheres, faziam poesias e recitavam trovas apaixonadas, inclusive achavam meritório respeitar pai, mãe e ir a missas e cultos.  Mas odiavam brochar, a tal ponto que ninguém lhes ensinou a inevitabilidade desse momento.

É ou não é uma espécie em extinção?

Nessa briga relacionada ao Guaraná Jesus, boiolagem e companhia, a AMERC não se fez ausente e realizou uma reunião extraordinária para tirar alguns indicativos, esclarecedores para nós e sem nenhuma pretensão de influenciar o pensamento e o posicionamento de quem quer que seja:

01 – O Guaraná Jesus é tão expressivo de nossa maranhensidade, quanto os nossos folguedos populares;

02 – Que durante quase um século foi motivo para crônicas, trovas, poesias, receitas de drinques, gozações e zoeiras típicas da irrequieta e gozadora alma maranhense;

03 – Que concordamos respeitosamente com todas as pessoas que, de maneira individual ou representando grupos, tenham se sentido ultrajadas e vilipendiadas, pelas declarações do presidente Bolsonaro, desde que os inconformados e entristecidos se posicionem em seus próprios nomes;

04 – Que não concordamos com qualquer posicionamento em defesas genéricas como, por exemplo: em nome das mulheres de Upaon-Açu, dos anões maranhenses, dos diabéticos de São Luís, dos chifrudos de Poidea, ou do povo do Maranhão.

Por essas e outras razões semelhantes, a AMERC vem informar que não se sentiu ofendida, em nenhum momento, pelas declarações do presidente Bolsonaro, quanto ao  suposto “boiolismo” do Guaraná Jesus, inclusive a AMERC sugere ao Governo do Maranhão uma moção de aplauso, ao presidente Bolsonaro,  pela  ajuda mercadológica ao nosso autêntico conterrâneo, Guaraná Jesus.

Assim, todos podem brigar, zangar, criticar o presidente Bolsonaro e informo que alguns membros da AMERC o fazem, mas, nessa questão da boiolagem e o Guaraná Jesus, estampado na mídia, nenhum inconformado faz parte de nossa associação e não tem autorização para falar em nome dela.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

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