MANIFESTAÇÕES E VONTADE POPULAR

MANIFESTAÇÕES E VONTADE POPULAR

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

Sou a favor de manifestações populares de qualquer lado que seja, pois nada se parece mais com democracia, que a vontade do povo, ou pela força do voto ou pela força das ruas.

Nos últimos tempos a vontade do povo está sendo suprimido, inclusive somente dois poderes nascem no povo: Executivo e Legislativo e esses estão claudicantes: assiste-se ao agigantamento indevido do Judiciário, de maneira tão acintosa, que de vez em quando são os próprios ministros do STF que, de maneira explícita, confessam as suas idiossincrasias e contradições.

Mas ainda creio na força do povo, inclusive porque alguns acontecimentos, como, por exemplo, um impeachment, só acontecem com apoio popular.

Entretanto não é disso que quero falar, quero falar das manifestações do primeiro de maio. Interessantes e merecem análise isenta.

Primeiro, não se registrou, em todo Brasil, nenhum ato de violência e os cálculos mais conservadores mostram que nenhuma manifestação, na história brasileira, reuniu tantos adeptos, apesar que em muitos municípios elas foram impedidas de acontecer, pela sanha ditatorial de prefeitos tiranetes, com fulcro no poder que lhes foi dado pelo STF. Mesmo assim, supõe-se mais de cinco milhões nas ruas.

Segundo a cor predominante: verde e amarelo. Não se viram o negro dos black blocs, nem os vermelhos do comunismo. É evidente que o exterior nem sempre revela o interior, mas na minha Pedreiras se afirmava: “se conhece o pau pela casca”. O verde-amarelo é muito mais que uma decoração, mas, acima de tudo, uma manifestação de patriotismo. Haverá sempre uma contraposição entre os patriotas e aqueles que desejam um Brasil vermelho.

O primeiro de maio não foi vermelho, foi patriota.

Terceiro, quem eram os manifestantes? Sindicalistas profissionais, membros de ONGs bandidas, integrantes do PCC? Não, essa turma nem teria coragem de comparecer. Os integrantes foram as famílias brasileiras e, quando se fala de família, dois segmentos retratam-nas muito bem: idosos e crianças. Estavam lá.

Quarto, as pautas defendidas. Caso fosse uma manifestação pintada de vermelho, seguramente veríamos defesa da maconha, internacionalização da Amazônia, a favor do aborto, ideologia de gênero, contra o cristianismo, habeas corpus de grandes bandidos, etc.  Os patriotas, em contrário, pediam liberdade, respeito a constituição, respeito ao voto popular, auditagem nas próximas eleições, respeito aos princípios conservadores cristãos e familiares. A cada dez palavras de ordem, o nome de Deus e de Cristo era engrandecido pelo menos por três vezes.

Sem querer trazer a religiosidade para a discussão, ouso perguntar: será se Cristo se agradou ou não desse primeiro de maio, dito por alguns de primeiro de maio bolsonarista?

A resposta não será minha, é sua, é tua: “vai que é tua, Tafarel”!

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

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