BRAIDE, O PREFEITO VACINADOR

BRAIDE, O PREFEITO VACINADOR

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

Estou um pouco ausente do jornalismo opinativo, minha praia jornalística, por alguns motivos, como saco cheio, falta de tempo e diminuição da paciência com a imbecilidade campeante.

Mas isso trouxe uma grande alegria: centenas de leitores, talvez milhares, reclamando do meu silêncio. Atendi, vou falar alguma coisa.

A vida pode ser descrita como um conjunto de fatos ruins, bons e de oportunidades. Os fatos ruins ou desagradáveis não precisam de preocupação, são incontáveis; os bons, por serem bons, rareiam e as oportunidades, também não são abundantes.

Nesse último item, um detalhe, há boas e más oportunidades; as más predominam e as boas são raras. Aí está o cerne desse palavrório e tentarei explicar em detalhes.

Nunca bajularia a quem quer que seja, inclusive ao prefeito Braide, principalmente com a certeza de que nenhum administrador está livre de errar. Certamente, ao final do mandato, a primeira pessoa que fará essa análise será o próprio prefeito. Todo homem sensato faz ajustes interiores dos seus atos.

Mas nesse tempo que convivi com ele pude entender que, dificilmente, ele errará por imprudência. Poderá receber insatisfação por demora, mas jamais por açodamento. O episódio  cepa indiana é um exemplo. Parecia um cataclisma em São Luís, mas um grande resultado foi mostrar o modus operandi braidiano.

Durante a campanha, o prefeito transitou entre duas grandes fogueiras. A esquerda bandida, sabendo que ele nunca seria marionete de nenhum plantonista dos Leões, tentou carimbá-lo de bolsonarista e os bolsonaristas sonhavam que, o então candidato, se transformasse em líder de uma direita disforme e sem patrono, que sonhava com um patrono. Os dois grupos deram-se mal nos seus intentos.

Terminada a eleição veio a construção do governo e, de novo, uma indagação para os analistas de ocasião: quem é a liderança que se fortaleceu com o novo governo? Ouvi análise de todo tipo e nenhuma chegou a qualquer conclusão e o motivo é simples: se tem alguém forte, no governo Braide, é somente o próprio Braide.

De repente, o diabólico vírus comunista da China dá luz a uma tal cepa indiana e ela adentra ao Maranhão. É um problema ou uma oportunidade? Teoricamente um problema, para o Braide nem foi uma oportunidade, foi um prêmio de uma “mega política” acumulada: sem acordo espúrio, sem negociatas, sem se apequenar, aproveitou a cepa e buscou o produto mais cobiçado no mundo, as vacinas, muitas vacinas.

Uma revolução estava instalada, um epíteto ganhou o Brasil ea imprensa mundial não deixou por menos: BRAIDE, PREFEITO VACINADOR. Ao seu lado, bem ao seu lado, ouviu-se um canto, como se fosse um Orfeu com sobrepeso, chorando por Eurídice: ai, doeu, ai, doeu, ai, doeu…

Um milagre aconteceu, não por causa de Bolsonaro, pois mandar vacinas é a especialidade do presidente, mas apareceram mais vacinas, que pareciam formigas em urina de diabético, ou, quem sabe, estivessem esquecidas em algum local. Graças a Deus por isso, soube até que tinha arraial da vacina oferecendo mingau.

Nada demais, quando Deus quer, até ateu faz a sua obra.

Por que essa agilidade não aconteceu antes? Talvez porque em vez de alguém se preocupar com a vacinação de maranhenses, estivesse gastando tempo e energia com questões pessoais e ideológicas.

O prefeito Braide tem suas conveniências ideológicas, com certeza, inclusive nunca conversei com ele sobre isso, mas acho que ele antes de ser direita, esquerda ou centro foca no que é mais importante: a felicidade e as necessidades do povo de São Luís. Nenhum eleitor do prefeito o elegeu para ele ser um militante, mas para ser um administrador sério.

A seriedade indica que cada qual tem o seu cada qual. A cadeira de administrador público não se compatibiliza com a de um panfletário militante. Quando essas ações se encontram, o povo perde, o povo sofre.

Braide deu uma grande lição, porém creio que um aluno perdeu a aula. Tem aluno de vários tipos, inteligentes, tapados, feios, lindos, faquires e gordos, mas o pior é aquele gazeteiro que insiste em faltar, ou aquele teimoso, que teima em não aprender. Aí, só Deus na causa e o aluno precisaria acreditar, realmente, em Deus.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

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