JOYCE COM CHEIRO DE PASTELÃO

JOYCE COM CHEIRO DE PASTELÃO

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

É interessante esse caso da deputada Joyce pela falta de explicações lógicas que esclareçam as avarias sofridas em seu robusto corpanzil. Até então, o grande feito político da parlamentar seria o seu comportamento ingrato e traidor, relativo ao presidente Bolsonaro, principal artífice de sua eleição.

Guindada a liderança do governo mostrou o seu caráter, ou melhor a falta dele e suas desqualificações  de postura e raciocínios: uma Dilma Roussef mais jovem. Agora, nesse caso, pode estar chegando ao seu fim político ou ao ocaso do sucesso de quem nunca teve os insumos para tê-lo.

A minha análise é teórica, baseada em algumas declarações que vi na imprensa, portanto sem nenhuma comprovação documental, porém estribada em 20 anos de médico legista, outros tantos de advogado criminalista, bem como professor de Medicina Legal.

Houve lesão corporal, sim, portanto alguém que sofreu severas contusões, a deputada. Nesse caso, duas atitudes seriam fundamentais: a perícia do local do suposto crime e o imediato exame de corpo de delito. Pelo que li, não ocorreu.

Pelo relato da vítima, tudo aconteceu em uma suíte e no apartamento só havia duas pessoas, a deputada e o seu marido, exímio roncador noturno, dormindo em outro cômodo, inclusive para não incomodar o “sono leve” de sua esposa (palavras do esposo). Tudo um pouco estranho aos meus conceitos maritais. Caso passe a semana longe da mulher amada, no final de semana do aconchego a lógica é ficar juntinho, mas isso não tem importância pericial.

Supondo-se que a agressão teria sido feita por um terceiro, surge algumas indagações: quem seria o terceiro? E por onde teria entrado? A negativa da entrada do terceiro levaria a duas suposições: um espírito diabólico teria entrado com o fenômeno poltergeist e dado uma sova na moça, ou que não havendo terceiro, só houve o segundo e o segundo é o esposo. Uma simples conjectura.

Há mais inexplicações.

Nas palavras da robusta senhora, houve um atentado e ela acordou em um lago de sangue. A primeira providência seria acionar a polícia, procurar atendimento médico, exame de corpo de delito, isolamento da cena do crime, exame pericial imediato do outro personagem da cena do crime, o esposo, pois, independente do robusto amor que supostamente os une, por estar na cena do crime, o esposo teria já o epíteto de suspeito a ser investigado. Não houve nada disso.

Em casos semelhantes, o corpo de delito pode, às vezes, determinar o tipo de instrumento que produziu a lesão, a gravidade e o tempo em que aconteceu o episódio, assim, quanto mais cedo se faça o exame pericial, mais precisas são as informações para o esclarecimento do crime.

Mas o esposo da senhora disse que dormia longe do aconchego do amor, por roncar e a senhora deputada ter um sono leve. Algo não está batendo nessa informação. Pela história contada pela deputada, depois de pegar tantas porradas, só acordou em uma poça de sangue. Pelas palavras do esposo, ela teria sono leve, pela história da deputada e pelas múltiplas lesões, ela, que pegou repetidas bordoadas, não tem sono leve, mas dorme mais que urso polar na hibernação.

Tem um mentiroso ou dois mentirosos nesse angu.  Alguém com dois neurônios funcionantes acreditaria que uma pessoa pegasse um monte de bordoadas, com dente arrancado, feridas profundas e não acordasse durante a sova? Conta outra, Hasselman.

Outras indagações sobram.

E por que a deputada procurou atendimento hospitalar, não imediatamente após o suposto atentado e quando o fez, informou um nome fictício? Como parlamentar inteligente, por que em vez da PF ou Polícia Civil, com maior expertise em crimes, foi procurar a Polícia Legislativa? Por que a portentosa deputada se recusou a fazer o exame toxicológico? As diferentes lesões afirmam, por exemplo, que não se trata de uma simples queda da cama, como e quem colocou a deputada em uma poça de sangue? As roupas e cobertas da cama estavam em que estado? Ensanguentadas? Rasgadas? A deputada foi agredida deitada? Em que posição estava deitada? O agressor estava em que posição, em frente, à direita, à esquerda? O agressor seria destro ou canhoto? As fotos mostram que as agressões foram maiormente faiciais, mas, segundo ela, tem uma “rótula trincada” (palavras dela!!!!), seria um murro ou um chute na rótula? Caso estivesse deitada no leito castiço do amor, como alguém daria um chute na rótula de outro alguém deitada na cama? As lesões sofridas pela deputada não se explicariam melhor em um cenário diferente do seu apartamento, como, por exemplo, uma briga de bar ou de uma festa clandestina, ou acidente automobilístico? Perguntas muitas, dúvidas imensas e nem uma resposta.

Sem ter em mãos o inquérito policial, e com tantas indagações, fica temerário fazer juízo de valor definitivo, mas a história da deputada, para mim, é tão verdadeira, quanto uma nota de três reais.

Resta a investigação policial. Caso sejam diligentes facilmente descobrirão a  farsa, mas se tiverem a competência dos investigadores do Adélio, a verdadeira jamais triunfará. Infelizmente.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

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