EMOÇÃO NA UNIVERSIDADE CEUMA

EMOÇÃO NA UNIVERSIDADE CEUMA

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

O CEUMA está na minha história e serei breve nessa consideração. Após duas graduações na UFMA (Medicina e Jornalismo), resolvi fazer Direito, também na UFMA. Aprovado no vestibular, por descuido, não me matriculei no tempo hábil e, quando quis recorrer, descobri que um grande amigo entrara em minha vaga. Desisti. Decepcionado prestei vestibular no CEUMA e concluí o curso de Direito.

Mas impregnado pela burrice esquerdista de minha juventude, não tinha apreço por faculdade pública, por outro lado, desde que fui alijado criminosamente em um concurso na UFMA, a decepção foi tanta, que abdiquei da carreira universitária.

De repente, um telefonema e a minha ex-aluna e amiga Eleusina convida-me para fazer parte do grupo inicial da Medicina, do CEUMA. Resisti bastante, porém a insistência venceu-me.

Primeira reunião e bastou pouco tempo para a minha conversão ao método PBL, amor à primeira vista e o resultado não tardou: fui o primeiro nome selecionado e nem me dei conta que me transformava, quase casualmente, no decano do curso.

Nasceu, então, um rosário de emoções. Mais de uma dezena de homenagens, incluindo o recorde de paraninfadas, conclusão da maior pesquisa da história da Medicina Maranhense, o livro IMORTAIS DA MEDICINA, ver nascer vários otorrinolaringologistas, que comigo deram os primeiros passos, entre tantos acontecimentos.

Entrementes, o CEUMA curou-me da decepção da UFMA e me deu estímulo interior para acumular múltiplas especializações e pós-graduações, incluindo o meu doutorado em Gestão Empresarial, na Universidade Fernando Pessoa (Porto/Portugal) e, atualmente, em conclusão de um mestrado em Meio Ambiente, aqui, nessa universidade.

Esse breve resumo demonstra que o CEUMA foi, para mim, uma fonte de inesgotável alegria e, antes que alguma mente rasa entenda ser essa afirmação fruto da doença bajulação, informo que nunca aceitei, tampouco aceitarei, qualquer convite, para qualquer cargo de relevância na instituição, até porque exerço, ao meu critério, o cargo mais relevante de todos, no processo educativo: ser um simples professor.  Aliás, creio que nasci professor.

Mas não perco de vista, como cristão, a finitude das coisas animadas e inanimadas, como, por exemplo, eu e o CEUMA. Escrevi e ainda não publiquei algo com o nome: MEU ÚLTIMO SEMESTRE. Farei um resumio.

Digo que, ao iniciar cada semestre nessa instituição, sempre o faço como se ele fosse o último e  a explicação é racional. Eu posso ser chamado, nesse ínterim, para morar com Deus, o Ceuma pode resolver dispensar meus préstimos, eu posso não mais querer ou não mais ser capaz de proporcionar meus préstimos, por exemplo.

Qualquer que seja a hipótese factível não mudará dois aspectos: a finitude das coisas e a minha eterna gratidão para com essa instituição. Ponto final.

Como justificativa desse arrazoado reportar-me-ei para um evento inédito, singular mesmo, ocorrido na última quarta-feira, nessa universidade: a I MOSTRA DE LITERATURA, ARTES E MÚSICA DAS HUMANIDADES MÉDICAS DA UNIVERSIDADE CEUMA.

Não compareceu o público esperado, lamento, não pelo não comparecimento, mas por tudo que os ausentes perderam de beleza e emoção e, mais ainda, de fazerem parte daquele momento histórico. Foi a largada do que denominamos NÚCLEO DE LITERATURA, ARTES E MÚSICAS DAS HUMANIDADES MÉDICAS.

Por mais que quiséssemos as palavras jamais retratariam a emoção e os sentimentos, por melhores que sejam pronunciadas ou escritas, mas cumpre-me fazer o registro do momento áureo desse evento: a homenagem póstuma a nossa colega, amiga, médica competente e humana e professora da Universidade CEUMA, Talita de Paula.

A presença de seus pais, Thompson e Lila e as lições que nos deram arrancaram lágrimas voluptuosas de muitos olhos, assim como inesquecível a exposição de fotografias. Não dá para esquecer, nunca será esquecido.

Creio que teremos novos eventos e creio, muito mais ainda, que mais corações serão tocados. No mais rápido tempo possível apresentaremos o delineamento e caminhos propostos para o núcleo, que, é bom que se diga, não tem similar em nenhuma Faculdade de Medicina do Brasil, até porque nasce na Faculdade de Medicina da Universidade CEUMA, mas se propõe a integrar todos os cursos, incluindo professores e funcionários.

Finalmente compartilhar para todos uma singela homenagem ao anjo denominado Talita, na forma de um despretensioso soneto, entregue a seus pais.

TALITA “IN MEMORIAN”

 

Não posso te acordar, querida filha,

Desse teu sono angelical de eternidade

Mas aguento conviver nessa longa trilha

Ainda que repleta de tanta saudade

 

Ontem foste simples embrião fecundado

E à primeira luz, um dia chorou,

E foi crescendo, juntinho, ao meu lado

Que nem percebi, quando a adultice chegou

 

Porém de inoportuno, partiste sem aviso

Sem ao menos um momento de despedida

Para, abraçando-te, os teus lindos olhos admirar

 

Agora restam lagrimas mui sofridas

Que correm em meu rosto como caudaloso rio

Sinal desse amor eterno, que jamais terminará.

São Luís, 09/11/21.

João Melo e Sousa Bentivi

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

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