UM ESTRANHO MARANHÃO

UM ESTRANHO MARANHÃO

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

Faltando menos de um ano para a eleição estadual, o quadro político do Maranhão se destaca, não pelas certezas, mas pelas interrogações. Em todos os lados.

Um enigma é o governador, a multiplicidade no seu arraial poderia sugerir uma vasta ciência política, uma mente brilhante, que jogando com vários nomes, teria, na algibeira, a solução para negociar todas as vaidades e seguir compacto, para a vitória. Não creio assim.

Basta imaginar essa hipotética cena: Brandão no governo, desistindo da postulação eleitoral e apoiando Weverton ou Camarão. Ou então, em uma cadeia de rádios e TV, Dino Weverton, Brandão e Camarão para Dino dizer: o meu candidato é Camarão e, nesse momento, Weverton e Brandão, emocionados, juram fidelidade a Camarão e seguem felizes para a vitória.

Mais ainda, quem tem certeza de que Dino renunciará? Em nível nacional, Dino é quase nada, visto ninguém acenar para ele a possibilidade de uma vice-presidência, inclusive entendo, na perspectiva atual, que Dino só seria aceito como vice de Marina Silva. Muito mais ainda: Dino senador ou deputado federal?

No lado dito bolsonarista, vejo a burrice mais evidente e reflito. Independente de qualquer liderança maranhense, o Bolsonaro tem mais de 40% de admiradores, no Maranhão e esses admiradores bolsonaristas, em tese, votarão contra o time do governador.

O diabo é visualizar o time do presidente e explico. Facilmente conhecemos os bolsonaristas, basta tirar a turma vinculada ao Palácio dos Leões e outros esquerdopatas, a multidão que sobra é bolsonarista. Tudo isso é bonito, mas sobra uma dificuldade: multidão amorfa é ideal para acompanhar trio elétrico, mas nunca ganhará uma eleição.

Para os bolsonaristas e simpatizantes fazerem frente ao time do governador, precisam de articulação, comando, organicidade e liderança. Simples, mas ainda inexistente e o tempo não ajuda aos desorganizados da política.

A rigor, pelos últimos acontecimentos, a única liderança que, de fato, se contrapõe ao governador é o deputado Josimar e as atitudes do governador demonstram fielmente.

A ação policial contra o deputado e sua esposa mostram, de maneira clara, que alguém está incomodando. Esse alguém é Josimar.

Nem preciso entrar no mérito. No mundo da política há estranhas conexões entre os entes estatais. Só para recordar. O governador queria, no ano passado, decretar um lockdown e assim sacanear (na visão dele) o Bolsonaro. Não teve coragem. De repente uma casualidade e bota casualidade nisso. Um promotor pediu, um juiz canetou, a polícia fez cumprir e foi instalado o nefasto lockdown.

Não conheço a estatística de quantas pessoas foram salvas por essa medida, mas tenho certeza que, depois desse lockdown diabólico, o vírus chinês se espalhou mais rapidamente pelo interior do Maranhão, principalmente pela Baixada Maranhense.

Voltando ao deputado Josimar. A ação policial foi totalmente descabida e sem respaldo jurídico, tanto que foi devidamente anulada e bem aí está o nó da questão.

Qualquer estudante de direito saberia que essa ação jurídico-policial carecia de base, inclusive constitucional, mas foi realizada e cumpriu os seus objetivos adredemente traçados. A imprensa bandida deu cobertura e fez a devida repercussão

Entretanto a anulação do feita e quase não foi noticiada. Repito, o objetivo já tinha sido alcançado: desgastar o projeto político do deputado acusado.

Alguém me perguntaria: qual a razão de tudo isso? Respondo. Somente esse fato demonstra o peso eleitoral do deputado Josimar, se ele terá êxito nas suas ações políticas, não sei responder, mas que ele leva medo e preocupação para os palacianos eu não tenho a menor dúvida.

Para os bolsonaristas, creio está aí uma boa dica: Bolsonaro necessita, urgentemente, de aliados com valor político e eleitoral, no Maranhão e o deputado Josimar, comprovadamente, carrega esses valores.

Como simples analistas ficarei atento.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

 

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