BOLSONARO NUNCA TEM FALTA DE INIMIGOS

BOLSONARO NUNCA TEM FALTA DE INIMIGOS

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

Não é fácil a situação política do presidente Bolsonaro e já afirmei inúmeras vezes que, se alguém não crer em milagre, deve observar o presidente e crerá.

Um simples exemplo. Nunca um presidente foi tão perseguido e conseguiu mante tamanha popularidade, a ponto que os resultados das “pesquisas” não convencem ninguém, principalmente os institutos, que sabem da farsa, mais que nós.

E os apoiadores do Bolsonaro? Aqui não falarei do povo, esse está com o presidente e basta alguém imaginar o sete de setembro ou ver uma imagem do “data-rua”. Não há dúvida, a depender do povo, Bolsonaro é imbatível. Falo de outros apoiadores, falo daqueles que se dizem ativistas, políticos e projetos de políticos e vejo, nesse particular, o nó da questão e falarei da minha visão relativa ao meu estado, o meu Maranhão.

Qual a liderança política bolsonarista do Maranhão? Caso você responda sim, acrescento: O povo do Maranhão sabe disso? Essa hipotética liderança aglutinaria todos os bolsonaristas no pleito que se aproxima? Essa liderança teria possibilidade de êxito, nas eleições majoritárias ao governo do Maranhão ou ao Senado? Qual a perspectiva de os bolsonaristas conquistarem um substancial número de cadeiras para a Câmara Federal? O mesmo se diga para a Assembleia Legislativa?

Alguns fatos, porém, não deixam dúvidas. Contra o Bolsonaro estão, desde o vetusto Sarney, até o dente de leite da creche dinista, aliás, Sarney e Dino, como se dizia na minha Pedreiras, são farinha do mesmo saco e cachaça da mesma pipa. Contra o presidente Bolsonaro se transformam na mesma pessoa, uma consubstanciação.

A imprensa, salvo uns pouco blogs, com o do Linhares, os outros, alguns ficam na confortabilidade do não comprometimento e a maioria segue a regra costumeira da imprensa: fiéis para com a subserviência, rendendo louvores aos leões. A tal grande imprensa nem se fala, submetida à inanição de verbas públicas, forma o maior cartel de indignidades, contra o presidente.

E os bolsonaristas? Eis aí o nó górdio da questão. Que o povo apoia o presidente, repito, é um fato, mas precisaria de um exército para transformar o povo em força eleitoral. Os bolsonaristas não formataram, nem de longe, a ideia de um exército, para enfrentar uma batalha. No máximo são um bando, sem estratégia, sem liderança e sem futuro.

Mas em um aspecto são imbatíveis: anões políticos pousando de gigantes. Um anão nunca será um gigante, morrerá anão. A vaidade, porém, é gigantesca.

Tenho conversado com muitos e é comum, até mesmo do nada, apresentarem selfs com o presidente ou com os filhos do presidente. Às vezes reforçam a noção de intimidade, deixando claro que falam com o núcleo palaciano a qualquer hora.

Babacas. Caso tivessem esse poder todo os cargos federais do Maranhão estariam com os bolsonaristas. Salvo engano, somente dois cargos federais são ocupados por bolsonaristas. Que prestígio e esse? Fotografia é boa se retratar uma paixão sexual. Política, babacas, se faz com poder. Simples, assim.

Ainda reverberam um outro motivo de suas fúteis importâncias, a tal rede social. Fulano é um forte político, tem 100 mil seguidores. Acho isso importante, mas política é outra coisa. Caso seguidores fosse o único e mais importante capital político, um tal Vitar ou uma tal Annita já estariam, no mínimo, no parlamento federal.

O fato é tão gritante que, a essa altura, já deveriam ter um mínimo de definição partidária e definição partidária vem junto com participação nas instâncias de um partido, ainda que seja um partido nanico.

Para piorar mais o que já está ruim, esses pigmeus políticos são plenos em ciúmes. Tenho um amigo, com uma história política interessante e que não mais deseja se candidatar a nada, mas é bolsonarista de quatro costados, que se encontrou comigo e confessou, aliás, desabafou: puta que pariu, Bentivi, tenho tentado participar de algum grupo dos bolsonaristas, mas há uma barreira invisível e intransponível.

Uma pergunta que não quer calar: quantos bolsonaristas maranhenses sofrem esse mesmo problema? Que querem participar e não encontram espaço? Não tenho resposta, mas tenho certeza que são milhares, na mesma situação.

Enquanto isso, no outro lado, poderá haver até disputa entre eles, mas no varejo, pois no atacado são coesos contra o presidente.

Assim, o meu sonho é que as reais e as falsas lideranças bolsonaristas criem juízo e possam construir um exército, à altura das necessidades de nossa pátria e, relativo à minha pessoa, nada muda, acostumei-me a ser um guerrilheiro solitário, em defesa do presidente Bolsonaro, mas se existir uma tropa, melhor ainda.

O que não sei é até quando manterei essa atitude coerente, pois, em realidade, de quando em vez estou ficando de saco cheio com bolsonaristas e, até mesmo, com o presidente. Caso ouvisse um pessoal da minha própria família e que se preocupa comigo, já estaria fora da trincheira.

Mas continuo firme, sem saber determinar, porém, até quando.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

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