UMA ESTRELA CHAMADA ROSEANA

UMA ESTRELA CHAMADA ROSEANA

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

Não sei quantos anos tenho, na atividade jornalística, mas iniciei, ainda na adolescência, em um jornal da mocidade das Assembleias de Deus, depois, como médico residente e ativista político, no RJ, fundei um jornal, na Associação do Hospital IASERJ, O RESIDERJ, que foi sucesso absoluto.

Voltando para São Luís, em 82, prestei vestibular e formei-me, em jornalismo, em 86 e transformei-me em um dos principais jornalistas, do segmento oposição ao sarneisismo, aliás, seguramente fui o principal (raríssimo exemplo de não fazer acordos espúrios e outras concupiscências) e, se alguém duvidar, perguntem para o senador Sarney ou para a senhora Roseana.

Dito isso, elimino qualquer suspeita de que eu esteja adulando a senhora Roseana, até porque nunca fiz e nem faria parte da gentalha vagabunda da imprensa, que vende suas consciências e suas canetas, na feira da vagabundagem da comunicação. A bem da verdade, os vagabundos do jornalismo são tantos, que desconfio serem oriundos do processo de geração espontânea.

Mas a senhora Roseana é, queira-se ou não, a maior estrela do pleito estadual de 22. A trajetória não deixa a menor dúvida, senão vejamos.

Em 2006, era pré-candidato a governador do Maranhão, por ingerência de um grandiosíssimo amigo, tive uma conversa de quase um dia inteiro, com o senador Sarney, em Brasília. Foi interessante. O senador, conhecedor de homens com e sem caráter, certificou-se que falava com alguém de caráter. E eu, também um bom avaliador de interlocutores, certifiquei-me, nessa conversa, da genialidade política do senador e das razões porque ele dominava e dirigia tantos escroques, alguns ainda vivos, entre nós.

No instante da minha despedida, ele disse-me: posso fazer uma última pergunta? Aquiesci: o que o senhor acha de minha filha Roseana? Respondi-lhe: o seu maior bem e o seu maior mal. Não vou delinear o que disse, mas, tal qual um profeta, toda a minha previsão se cumpriu, até 2014. Depois disso veio o Dino.

A senhora Roseana, no início do governo Dino, estava em baixa, situação tão difícil, que recorreu a um autoexílio e afastou-se do Maranhão e muitos decretaram o seu fim político. Absoluto engano. Entre aquele momento e o hoje ocorreriam muitos detalhes, sendo o maior a administração Flávio Dino.

Sou muito questionado por praticamente não falar do e sobre o Dino. Quero explicar. Não tenho e não conheço um verdadeiro grupo político organizado na oposição ao governador, por outro lado, ao ser independente, não tenho e nunca recebi solidariedade na política, não sou candidato a coisa nenhuma, não tenho problemas de sobrevivência, filhos criados, esposa inteligente e linda, a sogra me chamando de filho… que diabos buscaria no esgoto da política?

Ademais, uma pessoa que amo em demasia, que tenho dificuldades para dizer-lhe não, muito amiga do governador, certa feita fez-me um pedido, quase em contrição: por favor não ataque o Flávio, com a tua caneta ferina. Creio que atendi, pois não tendo chefe de minhas ações, faço delas o que bem entender e atendo a quem bem eu quiser.

Mas voltemos para a senhora Roseana. Do exilio para a glória foram menos de oito anos. Pouco a pouco, sem ninguém se dar conta, Roseana voltou do esquecimento ao afago. Hoje, por onde ela passa, é abraçada e dá autógrafos e, de repente, a cada pesquisa, uma verdade se apresenta: é a maior líder popular, na atualidade maranhense.

A situação é confortabilíssima, é pole e qualquer campanha majoritária e para deputada, sem sair de casa, será a mais votada e carregará uma penca de muitos sem votos. Para voltar a ser governadora ou ser alçada a senadora, bastaria somente uma boa costura partidária e nada mais.

Um exemplo que vai deixar muitos irritados: caso o Bolsonaro fizesse uma aliança com o Sarney, ela escolheria entre o senado, ou o quinto mandato de governadora e “babau-cachimbo-de-pau”.

Algum leitor curioso e inteligente (meus leitores não são beócios, pois beócio não consegue me entender, tampouco me ler) perguntaria: o que fez Roseana para voltar com esse sucesso? Tentarei resumir a explicação.

Primeiro, o seu pai, que em contrário de muitos políticos, sempre soube valorizar os seus aliados. Os aliados do seu pai são seus aliados. As falsas possíveis lideranças da atualidade do Maranhão não possuem a qualidade do Sarney e a primeira coisa que fazem, ao serem alçados ao poder, é darem as costas aos correligionários, muitas vezes desprezando até mesmo uma simples troca de palavras. Normalmente, essas pessoas não alçarão voos maiores.

Segundo, tudo o que apareceu, na política, após Roseana, é desprovido de carisma e repleto de arrogância e prepotência, nisso inclui o ter ou não ter a “cara de povo”. Roseana, apesar de ser da elite, tem cara de povo, basta vê-la nas ruas e festejos na Madre de Deus: cara e cheiro de povo.

Terceiro, o seu sucessor no governo, que os incautos e imbecis apontavam como o algoz do sarneisismo, é o maior impulsionador da Roseana. Nunca foi antisarneisista, até por natureza genética e, aos olhos de todos nós, voltou a ser aluno qualificado do senador Sarney, desde simples dúvidas políticas, até para investidura em sodalícios acadêmicos.

O povo, por sapiência empírica, entende isso muito bem.

Para melhorar, ainda mais, a performance roseanista, basta somente se lembrar de uma bandeira, propalada a quatro cantos, como sinônimo de um novo Maranhão, um tal MAIS IDH. Alguém aí, que me lê, poderia ajudar e me informar, por onde diabo anda esse desgraçado MAIS IDH? Ele é uma farsa tão evidente, que o o próprio criador do slogan, faz questão de dele não lembrar.

Por último, last but nost least, Roseana está tão à vontade, que pode se dar ao luxo de desempatar, com o seu apoio, a vaga do senado ou do governo.

Finalmente, mesmo, uma conversa de mesa de bar. Estava na conveniência do posto do Eduardo, na Ponta D`Areia, onde vicejam muitos desocupados, como eu, e perguntaram-me: qual a obra política mais importante, do atual governo do Maranhão? Tasquei, na bucha: a redenção político-eleitoral da senhora Roseana.

Pontos para a solidariedade do governador Dino, para com o senador Sarney: favor com favor se paga.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.

 

 

O SUPREMO ESTÁ CERTO

O SUPREMO ESTÁ CERTO

(*) João Melo e Sousa Bentivi (**)

Antes que algum bolsonarista se zangue, eu explico: disse certo, mas não disse correto. Algumas cabecinhas tontas não entenderão que posso diferencias, ouvir de escutar, ver de olhar e certo de correto. Ninguém muda a qualidade dos neurônios, nem Deus, que pode tudo!

Uma dificuldade inicial paira sobre todos os brasileiros: o que se pode dizer a respeito do STF, que não seja um ato criminoso? Só é permitido elogiar? Criticar é crime? Vou tentar não me tornar um criminoso.

Ser ministro do STF requer conduta ilibada e notável saber jurídico. Não tenho nenhum motivo (e se tivesse não diria) de desconfiar da honorabilidade dos nossos ministros, entretanto não guardo a mesma convicção, quanto ao “notável saber jurídico” e, resguardo-me defensivamente: não há no ordenamento brasileiro o “crime da dúvida”.

Alguém afirmou que a melhor maneira de se perder a participação de um leão, em um espetáculo circense, é deixá-lo saborear um pedacinho de carne humana, quentinha. A partir desse dia, o leãozinho nunca mais se acostumará com a carne gelada do frigorífico. No Brasil ocorreu algo semelhante.

Tudo ia às mil maravilhas e ninguém dava bolas para o STF e até as derrapadas, como a manutenção dos direitos políticos da Dilmanta, passaram, sem muita contestação. Mas, de repente, o cataclisma: Jair Messias Bolsonaro. Era mais que um perigo, era a desarrumação do status quo e um perigo para todos os esquemas.

O diabo era que o sujeito foi catapultado por quase 60 milhões de votos e precisava de alguém para freia-lo. Quem? Impossível encontrar: o PT exangue moralmente, o PSDB em declínio, o “centrão” doido por uma sinecura, os outros partidos, do espectro esquerdopata, sem voto e sem peso popular. Era uma situação desesperadora. Mas havia uma solução: o STF.

As medidas extralegais do STF somam-se às centenas, talvez milhares, mas seguem uma lógica interessante: testam o ambiente democrático, a partir de pequenos episódios, até alguns relevantes. O diabo é que ninguém conseguirá determinar o the end. Um exemplo.

Um dia, uma garota chamada Sara, foi presa, acusada e de terrorismo, por soltar fogos de artifício, em noite de lua, em direção ao prédio do STF. Deu certo. Depois o preso já foi um deputado federal, com o desprezo da imunidade parlamentar, esse deputado, agora, é um deputado perineal, ou seja, representa aquela região, entre o ponto I e o ponto O, que não participa dos momentos de diversão. Ninguém sabe se o Daniel Silveira é deputado ou se é um alienígena.

Bob Jeff é um caso especial. Idoso, presidente de partido, sem foro especial foi julgado como tal, apenado por uma só caneta e ninguém sabe a data do fim do seu martírio.

Mas o presidente Bolsonaro é o melhor exemplo da anomia jurídica. Não pode nomear um simples diretor da PF, todas as suas ações administrativas são questionadas, é esculhambado acintosamente por qualquer esquerdopata, discurso de ódio contra ele são incontáveis, reuniões privadas são publicizadas, um inferno. Isso é somente um resumo.

Alguém acha que essa história vai parar? Que o leão que saboreou o arbítrio, de repente muda de opinião e se torna democrata? Pior, ainda, se alguém reclama do ministro Barroso, nas ações do TSE, coloque as barbas de molho, virá Alexandre e ele vai presidir as eleições.

O STF está certo, tomou todas essas medidas e foi obedecido, não tem o menor cabimento parar essa caminhada, agora. Como o homem mais honesto do Brasil, alcunhado de Lula, não consegue se encontrar com o povo, tudo indica que precisará concorrer sozinho, no próximo pleito, desse ano, ou as urnas adquirirão vontade própria.

Com tristeza, muita tristeza, desconfio que o STF ou TSE (que é a mesma coisa) impedirão o Bolsonaro de concorrer e a receita é fácil: quem pode restituir os direitos políticos de um ladrão, pode suprimir esses mesmos direitos de um honesto. Simples, assim. Basta uma acusação de campanha antecipada, por um P espúrio qualquer, como o PSOL, um inquérito presidido por um delegado específico e uma canetada ministerial monocrática.

Algum bolsonarista, mais inocente, poderá ficar falando mal de mim. Não, não fique assim. O STF tem, de fato, muito poder, tanto que todos que falam sobre esse assunto, o fazem pisando em ovos. É medo, muito medo.

Já me perguntaram sobre as atitudes que Bolsonaro poderia tomar. A minha resposta foi simples: isso não é problema para a minha manifestação, nem pública e nem em privado. Não faço parte de nenhuma estrutura bolsonarista, não tenho pretensão mais para a vida pública e, a cada dia, me convenço que não tenho nada a ganhar opinando em assuntos tão controversos.

O bom senso e minha esposa me orientam para cair fora dessa bola dividida. Mas vou dar uma dica para o Bolsonaro: peça orientação para o Renan Calheiros. Novo espanto, se acalmem.

Renan foi o único cara que desobedeceu ao STF e ficou por isso mesmo, vai ver que se o Renan fosse ministro do Bolsonaro, poderia contar o segredo para o Bolsonaro. Não consigo nem imaginar qual seria esse segredo.

Mas que há, isso há.

Tenho dito.

(*) Médico otorrinolaringologista, legista, jornalista, advogado, professor universitário, músico, poeta, escritor e doutor em Administração, pela Universidade Fernando Pessoa, Porto, Portugal.

(**) Pode ser reproduzido, sem a anuência do autor, em qualquer      plataforma de comunicação.